No Hospital Beiral: Pacientes reclamam de corrupção e péssimo atendimento por parte dos enfermeiros
O centro de saúde de referência do bairro Terra Nova, município do Rangel, conhecido amplamente como “Hospital Beiral”, tem 13 secções, cada uma dividida por áreas e especialidades, preparada para atender utentes com várias patologias, vindas de várias partes de Luanda. No entanto, já há algum tempo que a população reclama do péssimo atendimento por parte do corpo de enfermeiros, aliado a corrupção que dizem ser estar submetidos, toda vez que procuram por saúde naquela unidade hospitalar.
Por: Solange Figueira
Revoltados com a situação, os pacientes procuraram o Na Mira do Crime para denunciar tais práticas. Uma equipa deste jornal fez-se ao local nas primeiras horas desta segunda-feira, 13.
No local, os utentes contam que, para além da morosidade e maus-tratos, são orientados pelos médicos e enfermeiros a fazerem os exames nos quatro centros e laboratórios particulares que em frente ao hospital, mesmo havendo dois laboratórios na referida unidade.
Meury Simão, paciente, conta que frequenta o centro há anos e, na maioria das vezes que procura os serviços hospitalares do Beiral, é sempre mal atendida pelas enfermeiras.
"Esta situação é recorrente, estou insatisfeita com atendimento do hospital, às pessoas que trabalham aqui estão sempre mal humoradas, acho que fazem de propósito, as consultas são feitas dentro do hospital, mas os exames somos sempre obrigados a fazer no exterior, até já escrevem nos nossos papéis os nomes dos laboratórios onde temos que fazer, só hoje já gastei 5 mil kwanzas com exames, mais vim fazer consulta no hospital do Estado, precisamos que isso mude, é demais", exigiu.
Teresa diz que fez a consulta no hospital há coisa de uma semana, dias depois foi pedir um justificativo médico para apresentar no serviço.
"Vim pedir um justificativo para apresentar no meu serviço, mas, para a minha surpresa, a moça que me atendeu disse que tenho que pagar seis mil kwanzas, porque cada dia é cobrado mil kwanzas, fiquei em casa porque estava doente, pensei que o justificativo era gratuito, não tenho dinheiro para pagar, o atendimento aqui não é péssimo é mesmo horrível”, atirou, informado que às enfermeiras mudam de turno às 7horas, e o normal era começarem a atender às 8horas, “mas elas não fazem isso, podem ver como o hospital está cheio, começam a atender primeiro os seus familiares, amigos e as pessoas que pagam, depois passam a atender o público que somos nós, mas isto já por volta das 11horas”, lamentou.
Explicou que, diferente a humanização que se quer nos hospitais, “aquilo não é atendimento, é despacho, e com muita agressividade e ofensas verbais", denunciou.
Hélder, outro paciente ouvido pelo Na Mira, conta que a morosidade no atendimento e a falta de respeito das enfermeiras também o deixa indignado
"Cheguei às 6h e fui atendido às 10h, faço aqui as minhas consultas e sei como as equipas de enfermeiros e médicos trabalham”, pontuou.
“São agressivos, faltaram com respeito, logo que chegamos dão-nos uma ficha mandam aguardar, não fazem triagem, não medem a pressão, não medem a temperatura, não pesam os pacientes, depois de ficarmos muito tempo a espera, uma das enfermeiras chama os números das fichas, põe o paciente na sala do médico onde somos consultados, e seguidamente manda-nos fazer exames, sempre direccionados aos laboratórios de análises da conveniência deles”, alertou.
Contou que, ainda por cima, os enfermeiros, sem vergonha, têm a coragem de avisar que, se irem fazer os exames num outro local daquele indicado no papel, os exames não serão válidos.
“Até a farmácia do hospital que esta sempre cheia de medicamentos, não nos dão nem um paracetamol, dizem sempre que não têm, atendem e dão apenas medicamentos nas pessoas que lhes pagam, familiares e amigos que vêem aqui por conveniência, não sabemos mais se este hospital foi feito para atender pacientes ou para fazerem os seus negócios, estamos a dar um grito de socorro para que as autoridades competentes saibam da situação critica e desumana que vivenciamos", frisou
Contraditório
A nossa equipa de reportagem depois de ouvir os utentes, procuramos ouvir os responsáveis do hospital, e mantivemos conversa com o administrador do hospital, José Garcia.
O responsável começou por negar todas as acusações feitas pelos pacientes, e fez questão de levar a nossa equipa a conhecer todas as áreas da unidade.
"Isso não funciona assim, os jornalistas andaram por todas as secções do hospital?”, questionou.
Referiu que maior parte dos pacientes que aí acorre sai do Cazenga e Viana, “muito deles quando perguntamos por que saem de tão distante para serem consultados aqui, respondem que gostam de estar aqui por causa do nosso atendimento, não concordo com as reclamações”, defendeu-se.
Sobre os exames feitos fora do hospital, explicou que existem dois laboratórios no Beiral, um central e o outro para pacientes que sofrem de tuberculose, “todos pacientes fazem exames aqui dentro, só de pesquisa de plasmodium, num dia realizamos mais de 450 exames, se os pacientes fazem análises fora do hospital é por opção deles, não porque brigamos”, disse.
Garcia sublinhou que estão habituados com as reclamações de pacientes, “muitas vezes priorizamos casos urgentes, os pacientes que não estão graves têm sempre pressa, muitas vezes nem paciência de esperar que chegue a vez deles, por isso esta reclamação", sentenciou.








