Troca nas kinguilas e paga em mãos: Embaixador da Guiné Equatorial ‘desvia’ dinheiro dos trabalhadores angolanos
O embaixador extraordinário e plenipotenciário da Guiné Equatorial, Potasio Edu Edjang Nngana, está a ser acusado pelos trabalhadores angolanos naquela missão diplomática, de estar a desviar os salários dos funcionários angolanos, para além da arrogância que lhe é atribuído no tratamento com os funcionários nacionais.
Por: Ngunza Chipenda
Acreditado em Agosto desde 2021, o diplomata tão logo tomou contacto com os documentos da sua missão diplomática, começou a mexer justamente nos salários dos cidadãos angolanos, reduzindo os salários até 200 por cento.
Alguns trabalhadores ouvidos pelo Na Mira do Crime contam que esta atitude por parte dos diplomatas da Guiné Equatorial, tem sido constante, mas, desta vez, Edu exagerou, tendo tirado, por exemplo, até 200 mil kwanzas aos motoristas e 180 mil kwanzas aos seguranças e mais de 300 mil kwanzas aos demais funcionários.
Em Angola há mais de 15 anos, com funcionários angolanos a trabalharem no mesmo horizonte temporal, a missão diplomática do país de Teodoro Obiang Ngume Mbasogo nunca inscreveu os seus funcionários na caixa do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), colocando em risco o futuro dos seus funcionários e das suas famílias.
“Eles aqui não respeitam ninguém, cada um quando chega baixa o salário para colocar no bolso dele, nunca vimos coisa igual, eles tratam-nos como mendigos, com total desrespeito, pedimos ao Ministério das Relações Exteriores de Angola que velam pelo nosso problema, afinal eles estão em solo angolano, e nós somos angolanos”, exigiram.
Segundo contam, na embaixada da Guiné Equatorial em Angola, é como se fosse trabalhar no garimpo.
“O embaixador se acordar mal disposto pode expulsar qualquer um, eles não respeitam lei alguma de Angola, não sabemos se no país deles também é assim, mas merecemos mais respeito, porque cada um acorda, sai de casa e vem dar o litro aqui, embora para eles isto significa nada, mas somos nós que mantemos funcional a embaixada”, atestaram.
A alimentação para os funcionários que fazem noite, ou subsídios para aqueles que trabalham até altas horas, não faz parte do dicionário da embaixada.
“É como escravidão moderna”, opinaram.
De acordo com os nossos entrevistados, até 2013, os funcionários recebiam os ordenados em dólares, mas foram adequando os pagamentos em kwanzas, por orientação do governo angolano, no entanto, contam, esta adequação serviu para cada embaixador estabelecer salários a seu critério.
“Cada um paga e pensa como quiser, sem nenhum respaldo jurídico, para eles, somos todos uns pobres, e temos que ganhar até 50 ou cem mil kwanzas, porque dizem que todos os angolanos recebem o mesmo, e eles acham que pagando 200 mil kwanzas estão a pagar demasiado”, denunciaram, acrescentando que, antes até recebiam os salários nos bancos, mas agora voltaram a receber os salários em mãos, para facilitar os desvios.
O Na Mira do Crime sabe que os salários que chegam da tesouraria da Guiné para pagamento dos funcionários angolanos, chegam em dólares, ou seja, devem ser pagos conforme disponibilizado pelo governo equato-guineense. Ou seja, quem por exemplo ganha 300 dólares, deve se pago o mesmo dinheiro ao câmbio do dia, o mesmo deve ser regra para todos os funcionários, desde secretárias, empregados de limpeza, seguranças e motoristas.
Mas, contam, para tirar algum dividendo, o embaixador troca os dólares nas kinguilas do Mártires do Kifangondo e paga cada salário como quer.
O mesmo diplomata, gaba-se que nenhum angolano recebe mais de cem mil kwanzas, por isso, a sua meta, mesmo depois do direito adquirido dos funcionários quanto aos salários pré-estabelecido, pretende baixar os salários até de quem já auferia 300 mil kwanzas, para cem mil.
Silêncio tumular
Na última sexta-feira, 10, via telefone, este jornal contactou, o embaixador da Guiné Equatorial em Angola, Potasio Edu Edjang Nngana, para contraditório, mas este exigiu que se enviasse formalmente uma carta à embaixada, para terem contacto com o que realmente o jornal pretendia enquanto resposta dos diplomatas.
O documento deu entrada nas primeiras horas de segunda-feira, 13, mas, até ao momento, o Na Mira recebeu de resposta um silêncio tumular.
Este jornal promete dar sequência a este caso, questionando as autoridades angoalanas, Ministério das Relações Exteriores, junto do seu mais alto representante, para saber quem defende os interesses dos angolanos, numa situação vexatória como esta.








