Comandante-Geral chamado a intervir: Efectivos da Policia de Guarda Fronteiras no Cunene clamam por socorro
Os efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF), destacados na província do Cunene, no âmbito da Operação "Olupale", clamam por intervenção da mais alta estrutura da Polícia Nacional de Angola (PNA).
Por: Telson Mateus
Uma denúncia enviada ao NA MIRA DO CRIME, dá conta que os efectivos da PGF na província do Cunene, alinhados na operação "Olupale", estão há dois meses sem receber água, comida, assistência médica e medicamentosa.
Segundo os denunciantes, que o fazem na condição de anonimato, por temer represálias das estruturas da Polícia de Guarda Fronteiras e pelo facto dos órgãos castrenses não lhes ser permitido fazer manifestações ou greve, actualmente, para os efectivos se alimentarem são obrigados a trocar os seus meios pessoais com um pouco de comida junto da população.
"Devido a falta de quase tudo nos postos da PGF alguns efectivos para ter algo para comer estão a se relacionar com mulheres daquela localidade", acrescentaram, denunciando a situação de mendicidade a que estão sujeitos os funcionários públicos deste órgão de defesa e segurança.
De acordo com os dados do Ministério da Saúde, Cunene, é uma das províncias com maior índice de contaminação do VIH/SIDA situação que coloca em risco a vida de muitos agentes da Polícia de Guarda Fronteiras ali destacados.
Segundo apurou este jornal, a operação "Olupale" teve seu início no mês de Outubro de 2024.
Ao contrário do que é normal, esta operação só teve data de início e até ao momento, não se vislumbra um período para o seu término.
"Não entendemos os motivos que levaram a realização desta operação, principalmente, porque desde o mês de Outubro que estamos aqui não estamos a fazer nada", acrescentaram.
Por este motivo, solicitam a intervenção do Comandante-Geral Francisco Monteiro Ribeiro da Silva, no sentido de questionar o Comandante da PGF, Comissário-chefe José Domingos Moniz, o balanço da referida operação.
"Estamos convictos que além de dados falsos não haverá nenhum balanço por apresentar", garantem, sublinhando que, em função da ociosidade a que os efectivos estão voltados, muitos deles acabaram por se inclinar na bebida e no tabaco.
"Tudo porque estes são os únicos divertimentos que temos aqui no Cunene", sustentam.
"Comandante Ribas, por favor, olha para a nossa situação. Aqui não tem energia eléctrica, água potável, nem tão pouco, uma ambulância para acudir as emergências de saúde dos efectivos. Nos últimos dias um colega ia perdendo a vida, teve uma crise e não tinha viatura para leva-o ao hospital", apontaram no grito de socorro.
Órgãos de inspecção e da IGAE chamados a actuar
Devido ao que consideram tratamento desumano da tropa, os efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras solicitam o envio de uma equipa de inspecção da delegação da Polícia Nacional e da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) à província do Cunene para constatarem a realidade crua e nua que os efectivos estão a passar.
"Tendo em conta o plano de modernização e desenvolvimento da PNA, o que estamos a viver é uma pouca vergonha. O País não está em guerra e não há necessidade de sermos colocados nessas condições", advertem, sublinhando que desde que foram colocados nos postos, em gesto de "aquartelamento forçado", o Comandante da 13ª Unidade nunca efectuou visitas para constatar o estado das forças e dos meios para o asseguramento.
O NA MIRA DO CRIME, tentou ouvir a reacção da Polícia de Guarda Fronteiras sobre o assunto, mas não foi bem sucedida, estando por este facto, aberta para que este órgão afecto ao Comando Geral da Polícia Nacional possa esclarecer à opinião pública angolana sobre o que realmente se passa com os efectivos afectos a operação "Olupale", estacionados na província do Cunene.








