Cambalhota: Suposto efectivo do SIC da 9.ª esquadra acusado de disparar contra um cidadão sem motivo aparente
Um suposto efectivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), colocado na 9.ª esquadra, junto ao antigo Roque Santeiro, identificado apenas por "Cambalhota", está a ser acusado de efectuar vários disparos à queima-roupa que alvejaram a perna direita de um cidadão de 35 anos, que atende pelo nome de Osvaldo Guilherme Pedro, no Bairro Operário.
Por: Cambundo Caholua
O facto ocorreu por volta das 19 horas, no passado dia 14 do mês em curso e, segundo a vítima, tudo começou no momento que se encontrava numa viatura de marca Toyota, modelo Hiace, que fazia serviço de táxi, e seguia em direcção a sua residência na zona do Sambizanga.
"Fui estacionar o Hiace com o qual faço trabalho de táxi e estava a caminho da paragem para ir para casa, subi num táxi que já estava quase cheio. Naquela de se empurrar para subir criou-se uma confusão no táxi entre dois jovens e eu", explicou.
De acordo com o visado, em função da confusão criada, o motorista achou melhor mandar descer todos os passageiros.
Foi nesse instante que os dois jovens que geraram a confusão no táxi começaram a agredi-lo e o pior só não aconteceu porque um segurança foi defendê-lo.
"Enquanto caminhava, liguei o telefone para ver hora e fazer uma chamada, foi quando fui surpreendido por dois cidadãos, um deles foi esse suposto efectivo do SIC", contou.
O cidadão disse que viu duas pessoas a virem ao seu encontro e a gritarem para que fosse agarrado.
Temendo que voltaria a ser agredido, sem pensar duas vezes, pôs-se a correr e foi quando viu o tal Cambalhota, suposto agente do SIC, empunhando uma arma.
"Coloquei-me a correr e o Cambalhota estava a fazer vários disparos, mas eu não parava. Entrei num quintal onde tinha várias obras e pulei", descreveu.
Guilherme explicou que tão logo pulou, o suposto SIC na medida que efectuava os disparos, um dos tiros atingiu-o a sua perna direita, assim que o SIC aproximou-se dele, como se de um marginal se tratasse, questionou sobre um telefone e uma arma que, supostamente, o mesmo tivesse assaltado.
"Quando questionei o motivo de me ter alvejado ele respondeu que por sorte não me deu um tiro na cabeça. Disse que é o Cambalhota, que pode matar qualquer pessoa e não lhe acontece nada", denunciou, referindo que o outro jovem ao ver que ele tinha sido atingido ficou de lado, enquanto perdia muito sangue.
Segundo o entrevistado, a seguir, apesar do ferimento, o acusado obrigou-o a levantar-se.
"Eu respondia que não vou conseguir levantar e ele me mandou calar a boca, acusando-me de ser gatuno e a perguntar sobre um telefone digital e uma pistola".
Guilherme respondeu que estava a sair do trabalho e não sabia de nada sobre isso, por ser apenas um taxista.
"Ele começou a me agredir com chapadas, socos e a me pisar no ferimento e no pescoço", recordou.
Posteriormente, surgiu uma senhora que vive próximo do local onde havia se refugiado que saiu em sua defesa, tendo chamado atenção ao suposto agente, de que estava a se proceder de forma irregular.
"Você já estás a falar que ele é bandido e você já fez muitos tiros, um que atingiu na perna do jovem, seria melhor, já que és da polícia, chamar uma ambulância ou ligar na tua unidade mais próxima para ver se levam ele ao hospital e depois seguem tudo na via legal porque ele está a perder muito sangue e pode morrer aqui", reclamou a senhora.
De seguida a senhora questionou ao agente sobre o suposto dono do telefone. No entanto, isso fez com que aquele suposto efectivo de investigação sumisse do local.
"Depois pegaram no meu telefone, ligaram para o meu boss, mas ele não atendia, é quando ligaram para o meu colega Xavito que testemunhou que eu tinha acabado de estacionar o carro no Bairro Operário e que eu não era gatuno, tendo me apoiado para chegar ao hospital Maria Pia", narrou.
O Na Mira do Crime sabe que o caso foi encaminhando para 2.ª esquadra, com o processo n.° 271/25.PGR.IG.
A vítima apela por justiça, sendo que tem quatro filhos e, nesta altura, não consegue sustentar a família porque não está a conseguir exercer a sua actividade de táxi.
A nossa investigação sabe que o mesmo efectivo transitou dos Serviços Penitenciários, e pesam sobre si várias queixas de execessos na actuação.








