Reprovados e maltratados - 1600 militares na reserva acusam polícia de admitir na corporação civis que pagam a partir de 150 mil Kwanzas
A maioria dos militares das Forças Armadas Angolanos (FAA) licenciados à reserva sob a Ordem 0006/Cmdt do Exército/2023, de 9 de Outubro, sentem-se injustiçados e humilhados ao serem reprovados no processo de incorporação na Polícia Nacional e acusam a comissão responsável pela selecção de estar a priorizar civis que pagam dinheiro, a partir de 150 mil Kwanzas, em detrimento daqueles que cumpriram o serviço militar obrigatório.
Por: Lito Dias
Num documento dirigido ao Presidente da República, ao Chefe de Estado Maior das FAA e aos Ministros do Interior e de Estado da Casa Militar do Presidente da República, eles dizem que os motivos da reprovação são forjados, por isso não convincentes.
Por exemplo, dizem ter havido na província da Huíla, muitos certificados falsos, mas lembram que o sector da educação reconhece que se tratam de documentos verdadeiros.
Eles evocam falta de transparência no processo, pelo que pedem a intervenção do Executivo no sentido de se fazer uma repescagem a nível nacional.
"Nós juramos defender a pátria com todas as nossas forças, incluindo o sacrifício da própria vida", elucidam, sublinhando que 1.600 representam igual número de famílias, cujos filhos estarão fora do sistema de ensino, porque os seus pais foram colocados na rua, sem fórmulas de sobrevivência.
Além disso, muitos desses militares não tiveram formação académica superior a décima segunda classe, o que os limita acessar ao emprego.
Esses militares lamentam o facto de terem excedido o cumprimento do serviço militar obrigatório, violando a lei. "Ficamos entre 7 e 12 anos, violando assim os nossos direitos como cidadãos", reforçam.
"Nós tomamos conhecimento que as nossas vagas serão preenchidas por civis que nunca cumpriram o serviço militar obrigatório, mas que pagaram dinheiro; temos provas disso", denunciam.
Manifestações desses militares já arrancaram um pouco por todo o país, a exigirem os seus "direitos".











