Exigiam 100 mil para soltura: Jovem de 28 anos morre nas celas da 9.ª Esquadra vítima de espancamento depois de 10 dias ‘sob cativeiro’ e sem processo
Um jovem que em vida atendia pelo nome Abílio José Pedro, de 28 anos de idade, foi brutalmente espancado até à morte no interior das celas da 9ª esquadra, situada nos arredores do antigo mercado do Roque Santeiro, 10 dias depois de ser detido, no município do Sambizanga, por alegadamente ter agredido a ex-esposa na passagem de ano, na via pública.
Por: Cambundo Caholua
Segundo o tio do malogrado, que cita um dos detidos que estava com o malogrado na mesma cela, Aguinaldo Paulo, que contactou o Na Mira do Crime, tudo começou nas primeiras horas do passado dia 1 do mês em curso (5h ou 6 horas), quando Abílio saía de uma festa de passagem de ano e, de repente, no trajecto para casa, deparou-se com a sua ex-esposa, de nome Otávia Tomás.
"Encontrou-se com a ex-esposa, que também estava sair de uma festa, e como já estavam a reatar a relação, ele pediu que fossem juntos para a casa, mas ela mostrou resistência.
“O meu sobrinho tentou sensibilizar a moça para aceitar ir à casa, mas ela como estava embriagada não aceitava", explicou.
De seguida, contou, ela recebeu uma chamada telefónica, e o meu sobrinho questionou quem estava a ligar, tendo desconfiado que se tratasse de alguém que o mesmo já havia proibido que ela mantivesse contacto.
"Ele solicitou o telemóvel para confirmar quem estava a ligar, a menina recusou entregar, então começou uma discussão entre ambos e ele acabou por receber o telemóvel na jovem", disse.
O tio explicou que, tão logo o sobrinho teve acesso ao telemóvel e confirmou quem estava a ligar, furioso, partiu o aparelho.
Otávia, revoltada com atitude do ex-companheiro, começou a ofende-lo. "Ele sentiu-se desafiado pelas ofensas e disse que não ia pagar o telefone", frisou.
Naquela altura, efectivos da Polícia Nacional faziam patrulhamento apeado, e a jovem correu até eles em busca de auxílio.
"Ela correu até a polícia dizendo que estava a ser agredida, e os polícias chegaram junto dele e seguraram-no nas calças", disse.
O Rapaz ainda disse "que não era preciso que fosse tratado daquele jeito, porque não era criminoso, apenas estava a ser enganado pela ex-esposa, por isso, partiu o telemóvel dela num acto de fúria”, explicou.
Referiu que, desde aquela altura lhe foi dada a ordem de detenção, e a família tomou conhecimento dia seguinte, e tentou saber mais caso, junto das autoridades.
“Falei com um efectivo do piquete do DIIP que orientou a ir para PGR, na PGR, um secretário solicitou o nome do jovem. Minutos depois certificou que o nome estava nas lista de detidos, mas que não estava nas celas”.
Baralhado, disse, foi até a um escrivão identificado como “Catala”, que garantiu que o rapaz estava de facto detido, mas o processo havia desaparecido, e, assegurou que falaria com o procurador para soltura do mesmo, caso desembolsasse cem mil kwanzas para sua libertação.
"Alimentou-me com falsas esperanças, a princípio pediu-me 100 mil kwanzas para soltar o meu sobrinho, eu disse que não tinha este dinheiro, apenas conseguiria 10 mil, depois ficou para 30 mil kwanzas, mas eu não tinha este dinheiro, e por causa disso ficou nas celas da 9.ª esquadra, desde o dia 1 de Janeiro até o dia 11, data da sua morte, sem nenhum processo”, lamentou.
Segundo o tio, o sobrinho foi espancado até à morte, justamente no interior da 9.ª esquadra.
“Tomamos conhecimento através de terceiros, e depois um procurador revelou que no dia 11 de Janeiro houve uma briga nas celas, e o mesmo foi agredido e acabou por morrer”, deplorou, questionando como é que há briga numa cela dentro de uma esquadra, e nenhum polícia faz absolutamente nada.
"No dia seguinte, isto no domingo, 12, a polícia tomou conhecimento, como sabia que isso ia dar confusão, removeu o corpo e levou a Morgue Central de Luanda, sem informar a família. Segundo o relatório médico, ele morreu por doença e não por agressão física, mas o corpo dele estava cheio hematomas", ressaltou.
Prosseguindo, revelou que a polícia, tão logo fez o registo da morte, naquele mesmo dia, começou a transferir alguns detidos para uma outra unidade prisional, e soltar alguns, que eram os mais conhecidos e confusionistas", apontou.








