Conheça os crimes mais violentos que chocaram a sociedade angolana
A sociedade angolana continua a espera que muitos crimes, pelo menos, os mais violentos a justiça seja feita. Embora alguns actores tenham sido detidos, na sua maioria, estes saíram da cadeia a assobiar de lado e com as mãos no bolso sem terem completado, sequer, metade da pena, por suposta boa conduta.
Por: Osvaldo de Nascimento e Marlita Domingos
Uma lista de crimes cometidos na sociedade angolana, é recordado pelo NA MIRA DO CRIME, para que os mesmos não voltem a acontecer. Destes, alguns autores saíram antes de completarem a pena. O realce recai para o antigo comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, comissário Joaquim Ribeiro.
Comandante assassino
Condenado a 22 anos de prisão maior em 2013 pelo Supremo Tribunal Militar, por ter sido o autor moral do assassinato de dois colegas seus, Quim Ribeiro, como é conhecido em Angola, está em liberdade desde o dia 23 de Outubro de 2019.
Joaquim Vieira Ribeiro, foi posto em liberdade condicional após ter sido abrangido na lei de aministia e por ter tido "bom comportamento na penitenciária", conforme disse, na altura, o porta-voz dos serviços penitenciários, Menezes Cassoma.
“A partir deste dia 23 o Joaquim Vieira Ribeiro fica em liberdade condicional em função de uma decisão tomada pelo Tribunal Supremo” disse à data dos factos.
O porta voz esclareceu que ao abrigo de uma amnistia decretada em 2015 a pena de “Quim” Ribeiro foi reduzida “em um quarto da pena”.
Entretanto, Quim Ribeiro era acusado de ser o autor moral da morte de Domingos Francisco João então oficial superior da Polícia destacado na Divisão de Viana e o seu amigo Domingos Fonseca Mizalaque.
Nerika Loureiro: a mulher dos 10 golpes de faca
A ex-reclusa Nerika Ferreira Pires da Conceição Loureiro, que ficou conhecida pela morte do marido, com golpes de tesoura, foi posta em liberdade pelo serviço penitenciário no passado dia 24 de Outubro de 2017.
Em nota enviada à imprensa, o serviço penitenciário avançou na altura que foi concedido o benefício de liberdade condicional a reclusa após cumprimento de todas as formalidades legais do mandato de livramento do Tribunal Provincial de Luanda.
Nerika Loureiro estava a cumprir uma pena de 17 anos de prisão por ter assassinado o marido Fortunato Loureiro, em Abril de 2010, com 10 golpes de faca em várias regiões do corpo.
Entretanto, a sua soltura gerou bastante controvérsia na sociedade Luandense, por se considerar que apenas o tribunal teria competência para tomar tal decisão e não o director do serviço penitenciário.
Segundo apurou o Na Mira do Crime, de acordo com os procedimentos teria de ser o Tribunal, não só a tomar a decisão como também informar as partes razão pela qual surgiram várias suspeitas de ocorrência de algum esquema para uma eventual fuga de Nerika Fortunato para o exterior do país.
A alegada “ilegalidade da soltura” de Nerika Fortunato foi igualmente sustentada pelo conteúdo do acordão 349/2015 do Tribunal Constitucional que nos dois anos anteriores, teria negado um pedido de recurso extraordinário de inconstitucionalidade considerando que “a decisão condenatória não contrariou os princípios legais da igualdade do acusatório, do contraditório e da imparcialidade nem ofendeu o direito da ré a um julgamento justo e conforme a lei, porquanto a ré teve oportunidade de requerer e apresentar a prova necessária e suficiente para fundamentar a sua inimputabilidade”.
Caso Bárbara: Triângulo amoroso acaba em tragédia
Na manhã do dia 30 de Maio de 2013, Luanda preparava-se para trabalhar. Porém, Judith Maria da Silva tinha outros planos e telefonou para Bárbara Nogueira, por volta das 06horas, alegando que precisava manter uma conversa urgente com a amiga.
Bárbara, por sua vez, desfez-se de alguns compromissos e telefonou para a dependência do Banco Millennium, onde era gerente, e avisou que devia chegar tarde ao trabalho porque tinha um compromisso. Tendo em seguida ido ao encontro de Judith no apartamento daquela, nas imediações da antiga Feira Internacional de Luanda (FILDA).
Na data dos factos, de acordo com Judith, "ambas mantinham uma relação amorosa secreta e durante a conversa tomaram o pequeno-almoço e em seguida tiveram um desentendimento".
Judith confrontou Bárbara com a suspeita de que estaria a ter um caso amoroso com um dos administradores do Banco Millennium e que não devia tolerar a traição.
Em função das palavras da Judith da Silva contra a suposta amante, e no decorrer no clima tenso, a vítima terá espetado uma lapiseira perto da zona na barriga de Judith, "que mostrou sinais do ferimento à polícia" e, esta por sua vez, pegou numa faca atingindo mortalmente a parceira.
Ao dar conta que assassinou a sua parceira, Judith fugiu do apartamento e regressou na manhã do dia seguinte, com um suposto taxista a quem terá solicitado ajuda "para transportar o cadáver que ela havia colocado numa mala alegando tratar-se de carne de cabrito para fins tradicionais".
Perante o seu depoimento e o assumir da autoria do crime, o magistrado do Ministério Público (MP) junto do SIC-Luanda, decretou prisão preventiva para Judith da Silva, e passado um ano, "foi condenada em 2014 a 20 anos de prisão efectiva, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver".
No entanto, sete anos depois, isto em Agosto de 2020, A justiça colocou em liberdade condicional Judith da Silva.
Jéssica Coelho: procurada pela Interpol
Não é novidade para angolano algum sobre o crime que ficou mediaticamente conhecido por ‘Caso Jorge Valério’ que chocou a sociedade angolana.
Jéssica Coelho, que chegou a ser condenada por ter planeado a morte do namorado Jorge Valério em 2012 encontrava-se na lista das criminosas mais procuradas por Angola, em 2016, junto a interpol, Polícia internacional encarregada de crimes que não se restringem às fronteiras de um só país.
Segundo avançava a Platina Line, na altura, a inclusão na lista deveu-se ao facto do Tribunal Supremo ter decidido que Jéssica Coelho, acusada de ter ordenado a morte do namorado, condenada pelo Tribunal Provincial de Luanda (TPL), deveria ficar sete anos na cadeia e o seu motorista, Manuel Lima Bravo, 24 anos.
Na altura – 2016 - o mesmo tribunal emitiu um mandado de busca e captura porque suspeitava-se que ambos teriam fugido do País.
Jéssica Coelho, agora com 26 anos de idade, acusada de ter planeado a morte do namorado Jorge Valério, em 2012, tinha sido condenada, no dia 9 de Março do corrente, pelo Tribunal Dona Ana Joaquina, a sete anos e 1 mês de prisão, enquanto os demais réus, Manuel Lima Bravo, António Nhath, João Manuel Mateus e Victor Nsumbo, tiveram como penas 21 anos e 1 mês de prisão.
Na altura, os advogados de Jéssica e Manuel Bravo interpuseram recursos também para que os seus clientes aguardassem em liberdade provisória pela decisão do Tribunal Supremo (TS), o que no mês de Julho do referido ano, foi aceite.
O mesmo tribunal teria emitido uma ordem para que tanto Jéssica Coelho, que à data do crime tinha apenas 17 anos, facto que contribuiu bastante para que não fosse condenada a pena superior a 8 anos, quanto o motorista, Manuel Bravo, fossem conduzidos à cadeia.
Entretanto, a soltura de Jessica Coelho sempre ficou entalada na ‘garganta’ da família de Jorge Valério que em função da “confusão” e dos contornos anormais que o caso teve, aventaram sempre a possibilidade de haver uma mão invisível a dificultar para que a justiça fosse feita e a facilitar a soltura dos réus, com maior realce para Jéssica Coelho, a mandante do crime.
Falsos bandidos...
Este caso, bastante badalado na justiça e na imprensa, ficou também conhecido pelas suspeitas de que a Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), actualmente transformada em Serviço de Investigação Criminal (SIC) teria ‘forjado’ falsos bandidos apresentados como autores do crime.
As desconfianças alastraram-se ainda mais depois da circulação de um vídeo, em posse do Tribunal de Luanda, dando conta que um dos supostos assassinos “Teodoro” estava a ser preparado e instruído pela DNIC, sobre como ocorreu o crime.
Outra evidência de que a DNIC estaria a julgar bandidos falsos prendeu-se pelo facto de as impressões digitais obtidas no dia do crime não terem correspondido com a dos homens que foram apresentados em tribunal.
O Caso Jorge Valério, tornou-se num caso mediático pela forma bárbara que o jovem estudante Jorge Valério perdeu a vida.
Em Janeiro de 2013, o ex-director da DNIC, Eugénio Alexandre chegou a dizer à imprensa que o caso estava esclarecido porque o crime teria sido premeditado a mando da suposta namorada do falecido, Jéssica Coelho no sentido de resgatar o telefone de Jorge por conter imagens suas consideradas como comprometedoras.
Estrangeiros assassinaram jornalista da TPA
Em Outubro de 2017, a jornalista da Televisão Publica de Angola (TPA) Beatriz Fernandes, com um acompanhante, Jomance Muxito e dois filhos, foram raptados. Dias depois, Beatriz e Muxito foram encontrados mortos, algures no KM-30, no município de Viana em Luanda.
Os autores do crime, de acordo com o SIC, eram seis cidadãos de nacionalidade congolesa, liderados por um altamente perigoso, de nome Guelor.
Beatriz foi morta com um tiro de pistola e Muxito com três, as crianças, filhas da ex-apresentadora, que viajavam no mesmo carro, terão assistido ao crime antes de serem libertadas na via pública. Os corpos foram encontrados com sinais de espancamento.
Em finais de Outubro do mesmo ano, a polícia anunciava a detenção de quatro suspeitos envolvidos na morte de Beatriz Fernandes e Jomance Muxito.
Já em Março de 2018, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciava em comunicado que, "após um longo, aturado, paciente e profícuo trabalho de investigação criminal foi possível realizar a detenção do cidadão da República Democrática do Congo (RDC), conhecido por "Guelor`, em Luanda.
Segundo o comunicado, "Guelor" foi detido em companhia de outro comparsa, quando ambos se preparavam para cometer outros crimes.
Advogada assassinada pelo marido, homicida colocou o corpo da esposa na fossa
De acordo com fontes do NA MIRA, o assassinato deveu-se devido a ciúmes. Em 2018, Carolina terá avisado o esposo que estaria numa festa no escritório de advogados onde trabalhava, e chegaria mais tarde do que o normal, o que foi visto como uma afronta pelo suposto homicida.
A jovem advogada Carolina Joaquim de Sousa da Silva, de 26 anos, foi dada como desaparecida no dia 29 de Novembro de 2018, altura em que o esposo, alegava que havia acompanhado a companheira até a paragem de táxi, e não mais voltou.
Fingindo preocupação, o marido decidiu apresentar queixa junto de uma esquadra da Polícia no Zango, onde os operacionais do Serviço de Investigação Criminal (SIC) com a colaboração do cônjuge realizaram uma série de buscas para localizar a jovem advogada, mas sem sucesso.
No mesmo dia, e já com o corpo da infeliz depositado na fossa da sua residência, o jovem marido ainda dormiu em casa dos familiares da malograda e durante cinco dias acompanhou a família aos hospitais e morgues a procura da mulher, quando sabia onde ela se encontrava e o que tinha acontecido.
Depois de uma aturada investigação dos serviços, o corpo da malograda foi encontrada na fossa da sua residência, no bairro do Zango III, município de Viana, província de Luanda. O marido foi detido e assumiu a autoria do crime.
Jaguar ‘mata’ sobrinho de JES
O Tribunal Provincial de Luanda condenou, em Setembro de 2018, os réus Edson Ernesto Fútila e Sílvio Massango, a 21 anos de prisão por terem assassinado, em Janeiro do mesmo ano, Osvaldo Narciso, enteado da irmã do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, por causa de uma viatura de marca Jaguar que pertenceu à vítima.
A frieza com que se executou o crime, deixou em choque a sociedade ngolana.
Edson o autor moral do rapto que culminou com o assassinato de Osvaldo Narciso, conhecia o malogrado há alguns anos, por isso teve a possibilidade de vigiar os seus passos e planificar o roubo da viatura de marca Jaguar, para presentear à namorada.
Após um estudo da rotina da vítima, os agressores interceptaram o jovem Osvaldo Narciso no interior do condomínio Dolce Vita, onde guardava as suas viaturas, tendo-o imobilizado com coronhadas à cabeça, e acto contínuo injectado a seguir electrólito e asfixiado com atacadores dos seus próprios sapatos até à morte.
Em seguida, introduziram o corpo de Osvaldo na parte traseira da viatura Toyota Prado, também pertença da vítima, levando-o para os arredores do Kikuxi onde abandonaram o cadáver. O objectivo era desfazer-se dele atirando-o ao rio, mas por desconhecerem o caminho que ia dar ao local escolhido, engendraram outra acção.
Pelo caminho, compraram cinco litros de gasolina que despejaram sobre o corpo do malogrado, mas não atearam fogo porque não dispunham de fósforos no momento.
Edson Ernesto Fútila, Sílvio Massango, na altura com 23 anos, foram condenados a 21 anos de prisão.
Médica do Hospital Militar morta à facada no bairro Alvalade
Especula-se que a médica terá sido surpreendida pelos meliantes, quando bateram a sua porta com o pretexto de pedido de contribuição para o Natal. A Polícia garante estar a investigar.
Uma médica angolana, de nome Ângela Maria de Castro Paiva Valente, de 54 anos de idade, destacada no Hospital Militar, em Luanda, foi morta à facada, no dia 22 do de Dezembro de 2020, no interior do seu apartamento, no bairro Alvalade, em Luanda, supostamente por marginais.
A médica foi barbaramente assassinada com vários golpes de faca de cozinha no rosto e abdómen. E quando todos esperavam que os supostos meliantes fossem apresentados pelo SIC, em comunicado, em Fevereiro do ano em curso, a Investigação Criminal dava a conhecer que o principal suspeito do crime é o esposo da malograda, Carlos Manuel de Jesus de Castro Valente, 63 anos, já detido. Segundo fonte que acompanha o caso, o indivíduo foi detido no âmbito de uma micro operação levada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), cujo processo com o número 14264/2020-DH, corre os trâmites normais junto daquele órgão castrense, afecto ao Ministério do Interior.
Enteado mata padrasto, irmão e o primo
Este deve ser dos casos mais revoltantes que assolou a sociedade angolana, uma vez que envolve a morte de duas crianças.
E Maio do ano corrente, Kamutequele Anderson,de 51 anos de idade, o seu filho de 13 anos e um sobrinho de 9, que viviam no condomínio Vereda das Flores, em Luanda, foram dado como desaparecidos pela esposa.
Alguns dias depois, três corpos de membros da mesma família foram encontrados sem vida com sinais de violência no interior da viatura de marca Ford Edge, de cor cinzento metalizada, num parque de estacionamento, localizado na Centralidade do Kilamba.
O móbil do crime? 500 mil dólares.
Na quarta-feira, 26 de Maio, o SIC apresentava o mandante do crime. Era justamente um jovem de nome Wander, enteado do infeliz. O acusado justificou os assassinatos com o dinheiro que o padrasto tinha na conta.
Funcionária da Movicel barbaramente assassinada em Luanda
Cinco meses depois do assassinato da ex-chefe do Departamento de Finanças da Movicel, Márcia dos Santos, de 38 anos de idade, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), continua por esclarecer este crime que chocou a sociedade angolana.
Márcia dos Santos foi esfaqueada até a morte em Dezembro de 2020, na região do pescoço, abdómen e na mão direita, e foi encontrada também com queimaduras no seio do lado esquerdo, depois de ter saído de casa para uma reunião de trabalho, que não chegou a acontecer.
O marido de Márcia dos Santos, na altura, explicou que no dia 11 de Dezembro de 2020, dia do crime, por volta das 10 horas, apercebeu-se que a conta conjunta que tinha com a mulher estava a ser movimentada, tendo sido feita uma transferência de um milhão e cem mil kwanzas, para uma pessoa estranha.
Quem matou o Chinho?
Esta é, com certeza, uma pergunta que boa parte da sociedade angolana quer saber a resposta.
O antigo jogador morreu em Julho de 2019, durante uma tentativa de assalto, nas imediações da Sapu/Calemba 2, em Luanda.
De acordo com fontes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), o ex-futebolista e antigo internacional das selecções sub-20 e de honra, João dos Santos de Almeida, mais conhecido por ‘Chinho’, estava a ser perseguido por dois jovens a bordo de uma motorizada e, na tentativa de se livrar da perseguição, teria optado por entrar numa via de terra batida, onde foi alcançado por meliantes e dispararam contra a viatura, provocando-lhe morte imediata.
O NA MIRA do crime já trouxe vários ângulos deste caso, mas verdade é que, não há nenhum detido até agora.








