Negócio das sucatas: Juiz exara despacho que pode levar mais de duas mil pessoas ao desemprego no Icolo e Bengo
Um Juiz de Garantia, identificado por Biscay Kassoma, está a ser acusado de ter sido influenciado por um suposto empresário de nome Pedro Maiala, proprietário da empresa AKWABA GROUP-LDA, no sentido de anular um despacho de 2023 e, na sequência, lavrado uma outra deliberação com efeitos que podem propiciar o despedimento de mais de duas mil pessoas na fábrica de varões, ZHONGAN-HENGTAI, empresa chinesa, localizada na vizinha província do Icolo e Bengo.
Por: Cambundo Caholua
Josimar, sócio da empresa JIEPPI TOPPIN, que se dedica à compra de materiais ferrosos, contou que a ZHONGAN-HENGTAI está a ser injustiçada pelo Juiz já citado, através de um despacho que está a prejudicar a empresa de forma milionária.
Esclareceu que o senhor Pedro Maiala, “com a sua quadrilha” estão a desfalcar a mesma empresa de cidadãos chineses com retiradas de meios valorosos, inclusive planeiam retirar a máquina de linha de produção que está avaliada em mais de cinco milhões de dólares norte-americanos.
Segundo o nosso entrevistado, tudo começou em 2021, quando a sua instituição foi contactada pela empresa AKWABA GROUP, com a finalidade de firmar um contrato.
No entanto, AKWABA GROUP apresentou uma proposta à empresa JIEPPI TOPPIN, alegando que tinha uma mercadoria equivalente a três mil toneladas de sucatas e pretendia comercializa-la, e o contrato foi fechado e as partes assinaram as cláusulas, sendo que o pagamento seria um total de 107 milhões e quinhentos mil kwanzas.
O pagamento seria efectuado de forma faseada, ou seja, cada vez que recebessem mercadoria.
"Por conta disso, nós no contrato, definimos que iríamos fazer um pagamento adiantado de 10 milhões de Kwanzas; temos comprovativos, depois mediante a recepção da mercadoria nós iríamos amortizar o pagamento”, relatou.
Em Fevereiro do mesmo ano, depois do primeiro pagamento, foram surpreendidos pelo senhor Maiala da empresa Akwaba que, afinal, também, tinha um contrato com a empresa Anglofex para retirar a mercadoria da base da Anglofex.
“Exigiu que teríamos que pagar 250 milhões de Kwanzas sobre a mesma mercadoria, caso contrário não teríamos mais negócio com ele", explicou, sublinhando que notaram que o senhor Maiala não estava a ser sério.
Apesar disso, contou Josimar, na tentativa de negociar deslocaram-se até à base da AKWABA GROUP para verificar a mercadoria que o Maiala alegava serem 06 mil toneladas.
No terreno, concluíram que não passava de duas mil toneladas de sucatas.
"Por causa desses factos, nós decidimos rescindir o contrato com a empresa AKWABA, porque sentimo-nos burlados e no mês de Março de 2021, rescindimos o contrato com a mesma empresa”, afirmou, acrescentando que porque esse contrato era só de dois meses, fizeram um documento a solicitar o reembolso dos 10 milhões que haviam pago, mas até agora não receberam nem uma resposta nem dinheiro.
Contou também que devido ao incumprimento de pagamento da empresa AKWABA GROUP, a ANGLOFEX também desfez o contrato com a mesma, por não ter honrado o pagamento de cerca de 250 milhões de Kwanzas.
Sendo assim, continuou, a Anglofex convidou a JIEPPI TOPPIN, ZHONGAN-HENGTAI, a Fabrimetal bem como as outras empresas do ramo de material ferrosos e sucatas para licitação de compra.
"A fábrica ZHONGAN-HENGTAI apresentou uma proposta, foi aceite e comprou parte da mercadoria que estava na base da ANGLOFEX", observou.
Depois de tudo isso, o proprietário da empresa AKWABA GROUP, no caso o senhor Maiala, sentindo-se ultrapassado devido à falta de capacidade financeira, segundo o nosso entrevistado, usou o Serviço de Investigação Criminal no Porto de Luanda, onde abriu um processo-crime acusando que a empresa ZHONGAN-HENGTAI e a JIEPPI TOPPIN supostamente terão se apoderado de sua mercadoria.
Na sequência do processo-crime, houve detenções e apreensões de alguns meios.
“No entanto, notamos que o processo estava viciado, porque nós recebíamos duas a três notificações por semana, e não estávamos a perceber porque é que o senhor Américo Praia que era o Procurador, na altura, fez o despacho de mandado de busca e deteve chineses e angolanos", assinalou.
De seguida, o processo foi retirado do SIC sito no Porto de Luanda e enviado para o SIC-Geral, onde teve a apreciação da Procuradora Cecília Wilma Silva e Costa, que notificou as partes a ANGLOFEX, AKWABA e ZHONGAN-HENGTAI.
"O senhor da AKWABA alegou que a mercadoria era dele, porque ganhou o concurso público, mas, por sua vez, a ANGLOFEX provou que AKWABA não havia pago a mercadoria por isso reincidiu o contrato", revelou.
Segundo Josimar, tão logo o processo passou da esfera do SIC-geral, a Procuradora já referenciada repôs a legalidade e restituiu os meios da ZHONGAN-HENGTAI que estavam apreendidos, por ser a empresa que pagou a mercadoria.
Sendo assim, ordenou que se devolvesse 60 garrafas de oxigénio, duas gruas de marcas Zoomilion Quy260t e Manitonoc 150T, 28 garrafas de gás de cozinha, entre outros meios.
Em 2024, conta, foram surpreendidos com um despacho do Dr. Biscay Kassoma, que dá razão ao senhor Pedro Maiala, apesar deste supostamente não ter provas documentais.
“Com alguns agentes do SIC, a primeira acção deles foi deslocarem-se à Barra do Dande, onde está situada na base da ANGLOFEX. No terreno, estiveram a cortar um barco com base na autorização da agência marítima nacional, e no pagamento dos impostos, pagamos e licenças", ressaltou, alegando que mesmo com essas autorizações, os agentes do SIC prenderam os rapazes que estavam a trabalhar, alegando que o barco pertencia à empresa AKWABA, por conta de um despacho que foi exarado pelo Juiz Biscay Kassoma.
“O despacho estava exarado para a Barra do Dande, e eles com o mesmo despacho, saíram do Dande para à fábrica de Catete com camiões e gruas.
Chegando lá, com despacho e um aparato policial, alegaram estarem a cumprir um mandato do Juiz, dizendo que tinham que tirar 6 mil toneladas de sucatas da fábrica, bem como alguns meios rolantes, alegando que pertenciam à empresa AKWABA", denunciou.
Desde o momento que o Juiz Biscay Kassoma exarou esse despacho, anulando da procuradora Cecília, junto do SIC-Geral, “já prejudicou a empresa em cerca de quase um bilião de Kwanzas, com a retirada de vários meios da fábrica ZHONGAN-HENGTAI, situada em Catete”.
O Na Mira do Crime sabe que nesta segunda-feira haverá protesto dos trabalhadores contra a expropriação do material.
E caso a situação da pilhagem “que só está a prejudicar milhares de trabalhadores persista, os chineses pretendem encerrar a fábrica”, o que vai pôr mais de duas mil pessoas no desemprego.
Josimar denunciou também que isto só está a acontecer com a ZHONGAN-HENGTAI por ser uma empresa de cidadãos chineses e porque, estão a ser vistos como o elo mais fraco.
O Na Mira do Crime tentou contactar o proprietário da empresa AKWABA, o senhor Maiala, a fim deste dar a sua versão sobre as acusações, mas sem sucesso.








