Liberdade de Imprensa em xeque: Gráfica do ‘sistema’ bloqueia saída do Novo Jornal que expõe escândalo de corrupção no Ministério do Ambiente
O Novo Jornal, único jornal generalista angolano, que ainda consegue sobreviver as tentativas de bloqueio da imprensa privada em Angola, foi impedido de sair à rua essa semana. Em causa está um dossier 'top secret' de um escândalo de corrupção que assola o Ministério do Ambiente e que tem à testa a ministra Ana Paula de Carvalho.
Por: Telson Mateus
Em nota de redacção, na sua página online, o Novo Jornal informa a opinião pública nacional e internacional, que a edição impressa desta semana não chegará aos seus leitores "por motivos a que somos totalmente alheios.
A justificação dada pela gráfica - a Empresa DAMER - responsável pela impressão semanal do jornal, foi tratar-se de um problema técnico num dos seus equipamentos", explica o Novo Jornal.
Contudo, o NA MIRA DO CRIME sabe que não se tratou de qualquer problema técnico da gráfica pelo facto de ter sido impresso o Expansão, jornal económico do mesmo grupo, que ao contrário do Novo Jornal, não denuncia actos de corrupção de membros do Executivo.
Segundo apurou este portal, com base nas manchetes que fazem a casa do Novo Jornal desta semana, uma das notícias que terão levado as "ordens superiores" a bloquearem a impressão do jornal tem a ver com um escândalo de corrupção que se vive no Ministério do Ambiente.
Segundo fontes do jornal, a matéria intitulada Ministério da 'mixa', Ana Paula de Carvalho faz da instituição o seu 'El dorado' foi a causadora principal da proibição de impressão do jornal, demonstrando o cerceamento da liberdade de imprensa que Angola ainda vive nos dias de hoje.
Nessa peça jornalística, um dossier com várias páginas, o jornal denuncia que a titular do ambiente, que saiu da administração municipal do Cazenga, lidera o esquema de desvio de recursos do Estado em benefício próprio e de corrupção activa, tendo como pano de fundo, uma multa de 8 milhões de dólares da empresa diamantífera Catoca negociada e convertida em compra de viaturas pessoais.
Um outro dado curioso é que Ana Paula é suspeita de exercício de actividade ilegal e de incumprimento das orientações do Presidente da República, factos que podem ditar a sua queda nesse pelouro e, caso sejam comprovadas as denúncias, pode vir a ser constituída arguida.
A capa do Novo Jornal traz ainda outras matérias incómodas à governação, uma das quais, a do 'caso AGT', do qual vários especialistas e membros da sociedade aconselham a ministra das Finanças, Vera Daves, a colocar o cargo à disposição por questão ética e moral.
Outra notícia não menos importante e que também vem estampada na edição 'barrada' do NJ, tem a ver com a investigação da morte da menina Victória, cuja morte trágica reacende o debate sobre a segurança e coloca o Serviço de Investigação Criminal (SIC) à 'prova de fogo' para desvendar este crime.
Com o impedimento da saída do Novo Jornal para às bancas, rica evidente que em Angola há, de facto, as "ordens superiores" e o cerceamento da liberdade de imprensa.











