Com falsas promessas de enquadramento na Polícia: Inspector da PNA acusado de burlar mais de um milhão de kwanzas
Um inspector da Polícia Nacional, identificado por António Paulo, de 48 anos de idade, colocado no Comando Geral, está a ser acusado de ter recebido cerca de um milhão e 200 mil kwanzas para, em troca, enquadrar na Polícia de Guarda Fronteira (PGF) quatro elementos da mesma família.
Por: Solange Figueira
Na altura, contam às vítimas, o acusado vivia na centralidade do Sequele, agora elevado a município.
Amilcar Garcia, de 30 anos de idade, contou ao Na Mira do Crime que foi em 2022 que apresentou o acusado aos seus primos, Hugo Bartolomeu Pedro, de 28 anos de idade; Jeremias Mateus Francisco, de 26 anos de idade, e Teófilo Mateus Francisco, de 22 anos de idade.
Sendo assim, cada elemento desembolsou cerca de 300 mil kwanzas, que totalizou um milhão e 200 mil kwanzas e, posteriormente, entregaram ao também instrutor da Polícia de Guarda Fronteira, a fim deste colocá-los no órgão em referência.
"Os três são meus primos, fui eu quem os apresentei ao senhor que nos burlou, tive confiança nele por eu conhecer a irmã dele já há muitos anos, é minha amiga. Ele havia me dito que o seu irmão era chefe e que tinha facilidade em nos pôr na polícia, nestes dois anos ficamos calmos, porque, logo que demos o dinheiro, o Inspector nos mentia muito, nos manipulava dizendo que devíamos entrar no grupo dos licenciados, era tudo mentira, queremos apenas o nosso dinheiro", exigiu.
Acrescentou, "temos filhos e esposas, não trabalhamos, tivemos que vender uma casa de herança para pagarmos este um milhão e 200 mil kwanzas", revelou.
A princípio, disse Bartolomeu, uma das vítimas, o acusado apresentou-se com o nome de Enock, ostentando a Patente de Inspector, o mesmo, para além desta burla, recebeu valores de outras pessoas que estão a sua procura, revelaram as vítimas.
"O senhor António está a sujar o nome do chefe dos Recursos Humanos da Policia da Guarda Fronteira, dizendo que todo o dinheiro que lhe demos entregou nas mãos do chefe dos Recursos Humanos. Levou-nos até ao comando da Policia da Guarda Fronteira e nos deixou de fora, entrou com os valores e documentos, nós não vimos e nem conhecemos o tal chefe que ele diz, entregamos tudo nas mãos dele, agora começamos a entender que isso é uma história que ele inventou, já não queremos o emprego, queremos apenas a devolução do dinheiro", clamou.
"Têm que deter este homem, está a manchar o bom nome da Polícia de Guarda Fronteira, ele é gatuno, burlador, sem coração e desumano, já não atende os nossos números de telemóveis, se ligarmos de números estranhos ele desliga rapidamente sem falar nada, estamos desesperados, não sabemos mais onde recorrer para reaver o nosso dinheiro", apelou Jeremias, um dos lesados.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com o acusado, por via telefónica, tendo este negado todas as acusações feitas sobre si.
"Chamo-me António Paulo, trabalho no Comando Geral, sou operativo, a minha patente é de inspector, estou surpreso com as acusações, a senhora é a segunda pessoa a perguntar-me sobre isso, nunca burlei ninguém, não sei nada sobre este assunto", negou, durante o momento que a repórter deste jornal o indagava.








