Camionistas acusam efectivos da polícia colocados no Porto de Luanda de extorsão e corrupção activa
Os camionistas que carregam produtos alimentares no interior do Porto de Luanda, acusam os responsáveis da unidade portuária da PNA de extorsão, corrupção activa e negligência quanto a segurança em volta do referido espaço, uma vez que, dizem, se não são obrigados a deixar envelopes para trabalharem sossegados, são assaltados por jovens que ficam na parte exterior do porto para saquear as mercadorias.
Por: Cambuta Vieira
A denúncia vem dos transportadores de mercadorias, que todas às manhãs se dirigem ao Porto de Luanda, com a intenção de transportarem bens alimentares de primeira necessidade, aos variados pontos da cidade capital.
Lourenço, camionista há 20 anos, falou para este jornal e disse que transporta grãos, milho, trigo, óleo, soja, arroz e outros produtos retirados de alguns navios chegados do exterior do país, por um período de uma ou mais semanas.
“Somos impedidos de trabalhar de forma normal pela força policial local, nalgumas vezes, impedidos de entrar, mas isto só acontece porque somos obrigados a pagar uma quantia de dinheiro aos chefes da polícia, para não nos criarem bloqueios na hora de entrada”, denunciaram, apelando a presença da inspecção da polícia, para flagrar os corruptos.
Contam que, outro problema tem a ver com os assaltos que os camionistas sofrem.
“Dentro do Porto os produtos são saqueados ainda no interior dos contentores, os marginais ficam no interior da unidade portuária a saquear os bens alimentares. Começam a invadir os contentores quando estes ainda estão no porto, rompem os selos e tiram o que bem entenderem”, lamentaram.
Acrescentaram que, ao arredor do porto, a situação é a mesma, os criminosos invadem os veículos em marcha, sob olhar impávido da polícia.
“Eles até chegam a rir na cara dos efectivos da policia, dando a entender que aqui ninguém nos faz nada… todos os dias a partir das 18 horas, marginais com idades entre 14 anos e 32 anos, nos assaltam, o que nos leva como camionistas a pensar que a polícia colabora com os assaltantes, e a posterior tiram os seus dividendos, porque não é normal que eles entram pelas laterais da estrutura, munidos com armas brancas como tesouras, catanas, faca e outros meios, e os efectivos da polícia não fazem nada”, deploraram.
Afirmam que muitas vezes fazem participação ao órgão que deve velar pela ordem e tranquilidade no Porto de Luanda “alegam que as empresas transportadoras de mercadorias saídas dos navios têm que ter a sua própria equipa de segurança, mas estes mesmos seguranças para entrarem no porto têm que dar mais gasosa”.
"As empresas que comercializam estes bens, já gastam dinheiro com a contratação da empresa de segurança para a protecção durante o trajecto, só não sabemos porquê é que dão envelopes aos polícias para se fazerem ao interior do porto".
José, é motorista há 15 anos, relatou o sofrimento que tem sido todos os dias no interior do Porto, e clama por uma intervenção imediata da estrutura superior da polícia, para que se reponha a legalidade.
“Até mesmo os agentes regulares de trânsito, deixam os seus postos de trabalho para virem aqui no porto fazer dinheiro, procuram qualquer coisa para nos extorquir, ainda que estejamos bem documentados, procuram forma ou desculpa de angariar alguns valores”, denunciaram.
“O nosso dia-a-dia é de ameaças, se não é a polícia são os marginais, quando a ameaça não é de arma é de faca, tesoura ou catana, pedimos encarecidamente ao Comandante-Geral da Polícia Nacional que troquem toda equipa do Porto de Luanda, desde o comandante ao seus agentes, nós os camionistas que trabalhamos há mais de 15 anos, temos muito para contribuir para o nosso país, mais com essa gente da polícia não está fácil para ninguém”, sentenciaram.
A equipa deste jornal manteve contacto telefónico no passado dia 27 de Fevereiro, por volta das 13 horas e 30 minutos, com o porta-voz da polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, que garantiu se pronunciar nos próximos dias.











