“Era só igreja, casa e trabalho”: Família do motorista de táxi da Yango executado por desconhecidos continua sem entender as motivações do crime
Depois de intensos dias de procura do cidadão que em vida atendia pelo nome John Martins, de 34 anos de idade, morador da centralidade Zango 8 mil, município de Calumbo, Província de Icolo e Bengo, motorista privado de táxi da empresa Yango, os familiares encontraram o corpo na morgue central, com sinais de espancamento, e aguardam pelo devido esclarecimento das autoridades.
Por: Kihunga Bessa
Segundo os familiares, na noite do dia 22 de Fevereiro do ano em curso, isto por volta das 22 horas, enquanto estava em casa com a família, a vítima terá recebido uma telefonema de um cliente que pretendia os seus serviços de táxi, para sair do condomínio Boa Vida, com destino ao Zango ll.
Emanuel Vaz, tio do malogrado, conta que, como parecia ser uma rota fácil, sem saber do que se esperava, o jovem despediu a esposa e acalmou a mesma que seria tão rápido e voltaria logo.
"Só que ele foi e já não voltou”, disse o tio, acrescentando que o telefone do sobrinho ficou desligado horas depois, e isso preocupou a esposa, visto que John dificilmente dormia fora de casa e muito menos desligava o celular.
Continuou que no dia seguinte, a esposa comunicou a família que começou por contactar a empresa Yango, que detectou a presença da viatura na zona do cemitério da Mulemba, vulgo (14), através do aplicativo GPS instalado na viatura.
No mesmo dia, passaram por algumas esquadras do Cazenga, pensando na possibilidade de uma eventual situação que o poderia levar às esquadras, mas sem sucesso.
"Depois de ter sido localizada a viatura, apareceu o SIC, fez a perícia e encaminhou a viatura ao comando municipal do Cazenga, mas notou-se que havia vestígios de sangue no interior da mesma", observou.
Acrescentou que, às buscas continuaram por parte da família, até que na sexta-feira, 07, de volta a morgue central onde já haviam passado pelo menos quatro vezes, foram aconselhados a verificar um dos corpos em conservação no local, já em avançado estado de putrefacção.
"Feito o reconhecimento, procuramos ter informações a partir do local de como foi encontrado e quem o terá depositado, pelo que nos foi informado que terá sido encontrado numa lagoa do Icolo e Bengo, em estado de decomposição", salientou.
A família exige que as investigações sejam feitas de forma rigorosa, uma vez que, dizem, o jovem não tinha problemas com ninguém, os seus amigos eram apenas familiares, e por ser testemunha de Jeová, o seu dia-a-dia estava direccionado a igreja, casa e o trabalho.
O Na Mira do Crime sabe que a autópsia estava marcada para esta segunda-feira,10, e tão logo fosse efetuada, realizar-se-ia o funeral no cemitério do Benfica, devido ao estado avançado de decomposição.
Pontas soltas para investigação …
Na maior parte dos crimes de roubo viatura realizados em Luanda, os marginais após consumarem o acto, amarram a vítima, é levada até a uma certa zona pouco movimentada, onde é deixada viva, ou assassinada.
Raríssimas vezes a viatura é abandonada, os roubos são feitos de forma rápida e nalguns casos há já um local prévio onde a mesma é escondida e desmanchada, ou rapidamente vendida.
Outra opção é a fuga para outros pontos do país. Dificilmente a viatura é abandonada em local público. Outro factor, e como se diz em boca pequena em casa do óbito, é que o corpo terá sido encontrado em Icolo e Bengo, arredores da zona de Cabiri, a distancia remete as investigações para outra dimensão.
Seria normal a viatura ser encontrada naquele local, longe do centro da cidade, ao invés do corpo, razão que dá para entender que os criminosos sabiam quem era a vítima.
Não tinham intenção alguma de roubar a viatura, queriam matar o jovem, daí o carro ser encontrado intacto.
Por outra, há necessidades de se investigar esta nova onda de os criminosos raptarem às vítimas e, após matarem, depositarem o corpo em lagos ou lagoas, com a intenção de apagar pistas.
Há necessidade de se apurar quem fez a remoção e depósito do cadáver, com vista a se termos mais elementos de investigação.








