Polícia prende Ministério Público solta: Marginais atormentam bairro da Calemba e transformam a esquadra da Madeira em “casa da mãe Joana”
No município da Maianga, bairro da Calemba, ruas da Antena, Lama, Adjamy e rua da polícia, os marginais bem identificados e várias vezes denunciados pelo Na Mira do Crime, voltaram a atormentar os moradores daquela circunscrição de Luanda, realizando assaltos na via pública e em residências.
Por: Cambuta Vieira e Carlos Quicuca
Os assaltos crescem a cada dia que passa, sob olhar cúmplice das autoridades locais, afectos a esquadra da madeira que, segundo moradores, têm feito pouco para estancar o mal.
Beto, de 20 anos de idade, contou a este jornal que foi interpelado na porta de sua residência pelo marginal Anderson, por volta das 19 horas, quando saía de casa.
“Ao abrir o portão para ir deitar água na vala, enquanto usava o telemóvel, de marca Samsung A10/S, avaliado em 250 mil kwanzas, fui surpreendido pelo bandido que me atingiu com uma garrafa no rosto, e a seguir o mesmo colocou-se em fuga, pelo beco do Santana, levando consigo o telemóvel”, denunciou.
Depois de pedir socorro, a vítima, na companhia da sua tia, foi levado ao Hospital do Prenda, onde foi socorrido, levando 6 pontos na região da face.
No passado dia 26 do mês de Fevereiro, dona Lídia, costureira de profissão, viu o seu estabelecimento arrombado por marginas, os mesmos levaram consigo todos os panos e utensílios de trabalho.
No dia 01 do corrente mês, às 04 horas e 30 minutos, os delinquentes introduziram-se no quintal do senhor Fula, localizado no beco do Santana, arrancaram o AC de 9 BTU, tendo causado um explosão no posto de energia que se encontra no beco, resultando em corte de energia no período de 2 dias.
O beco do Santana por ter vários acessos, é tido como uma zona privilegiada para os meliantes, tem facilitado os marginais a fazerem o uso da liamba em plena luz do dia, e na fuga dos mesmos quando realizam roubos.
Os marginas são velhos conhecidos dos moradores, e estes sentem-se intimidados, porque não têm apoio da polícia.
“Eles entram e saem da esquadra da Madeira a assobiar e com as mãos no bolso. Não entendemos como é que um indivíduo com bastantes passagens pela polícia, por roubo, furto, agressões físicas entre outros, entra e sai da esquadra como se fosse a casa da mãe Joana", lamentou a senhora Mena.
No passado sábado, 08, contam os moradores, os marginais fizeram mais uma vítima que estava de passagem, justamente na rua da Antena.
“Os meliantes subtraíram-lhe um telemóvel digital”. Anderson, conhecido no mundo do crime por "A.D.S", em companhia dos seus comparsas, “Das Mamã”, começaram a roubar ainda menores, no seio da família. Fruto disso, foram desprezados e colocados para rua, onde atormentam qualquer um.
“Clarinho”, “Paitara”, “Serginho”, “Mulaba” e “Bobagu”, fazem se passar de loteadores de táxis na paragem dos Congolenses durante o dia, mas é de noite, e com recursos a armas brancas, que transformam a Calemba num inferno.
A equipa deste jornal deslocou-se até a esquadra da Madeira para ouvir o que a polícia tem feito para estancar o crime. Lá, fomos informados que "a situação é do domínio da polícia, os casos estão registados no piquete do DIIP, que está no encalço da operação2.
Questionado sobre os reais motivos da liberdade de alguns marginais quando são detidos, disseram-nos que "os indivíduos são soltos pelo Ministério Público, cabe a eles avaliar se de facto o crime cometido tem ou não cunho grave ser posto em liberdade, ou encaminhar ao Juiz de Garantias”.
Procuramos ouvir alguém afecto ao Ministério Público na referida esquadra, mas sem sucesso.








