SIC e SINSE “de olhos vendados” na Huíla: Administrador municipal do Chipindo “torra” mais de 30 milhões de kwanzas em quatro salas de aulas ‘inacabadas’
O Administrador municipal do Chipindo, na província da Huíla, Ângelo Singue, gastou 35 milhões de kwanzas dos cofres do Estado, para construção de quatro salas de aulas com chão bruto, portas de ferro, grades e um wc no quintal.
Por: Ngunza Chipenda
A escola Nº 1426, construída no ano de 2024, foi erguida na aldeia da Capuca, no município do Chipindo, e ficou orçada em 35 milhões de kwanzas.
O que chama atenção dos moradores que contactaram o Na Mira do Crime, é o facto de a mesma não ter condições mínimas para receber os alunos, uma vez que, não está apetrechada, sequer foi ‘mosaicada’ e tem as portas de ferro (pré-fabricadas) e a única casa de banho (para alunos e professores), está separada da principal estrutura da escola.
A investigação Na Mira do Crime sabe que a empresa construtora é proveniente do município de Caconda, de onde o administrador é proveniente e residente, e supostamente não terá passado por um concurso público, o que levanta desconfianças de uma possível sobrefacturação na obra.
Construída às pressas, em menos de três meses, a referida empresa construtora começou a prestar serviço na zona, de acordo com fontes próximas a administração, semanas depois da tomada de posse do administrador Ângelo Singue.
Membros da Administração, segredaram ao Na Mira do Crime que o director de gabinete do referido administrador municipal, em menos de seis meses, comprou um carro novo, de marca Hyundai, modelo Tuncson, avaliado em mais de 19 milhões de kwanzas.
Funcionários acusam ainda o administrador Ângelo Singue de ter “forjado” o concurso geral das administrações, tendo alterado às notas dos candidatos que foram corrigidas no Governo provincial, para benefício de alguns amigos e familiares, em colaboração com o seu director de gabinete, que é também candidato do mesmo concurso.
Nesta ordem de ideia, instam as autoridades locais a confirmam a pauta que esta no município do Chipindo e a que está no Governo Provincial da Huíla.
Moradores apelam a intervenção urgente do governador provincial da Huíla, Nuno Mahapi, do director do SIC bem como do delegado do SINSE, a não deixarem passar estas “falcatruas”, sob pena de serem considerados coniventes ou acusados de recebimento de propinas.
“Concurso para construção foi feito com prévio-convite”
Contactado por este jornal via telefónica, o administrador Singue rebateu as acusações e disse que trata-se de uma escola evolutiva, por isso têm as suas especificidades.
“As salas evolutivas têm as suas características próprias, começamos com quatros salas, e na medida que os alunos vão evoluindo vamos ampliando”, disse.
Questionado se os 35 milhões foram usados prontamente para esta estrutura ou resta algum para ser cabimentando enquanto os alunos “vão evoluindo”, o responsável explicou que “a estrutura custou 35 milhões. Ou seja, os 35 milhões foram “torrados” nesta infra-estrutura.
Dinheiro era pouco…
Quanto ao concurso público local ou proveniência da empresa, o administrador avançou que, “pelo valor, foi feito um concurso por prévio convite”.
“A mesma empresa já está a fazer umas construções em Caconda, e pelo valor que alocamos para escola, ninguém aceitou, mesmo a própria empresa disse vou fazer esta escola mas quase vou perder, porque não haverá ganho, porque só a areia veio do Huambo, então ele ficou a fazer, mas, a lamentar”, defendeu-se.
No que diz respeito a aquisição de uma viatura de 19 milhões de kwanzas por parte do seu director de gabinete, em tão curto espaço de tempo, o responsável negou categoricamente a acusação.








