Abandalho no Grupo Castel: Direcção da empresa acusada de “infernizar” a vida dos trabalhadores com objectivo de “cessar contratos por justa causa”
Trabalhadores da Companhia Castel de Bebidas de Luanda "CCBL", acusam a entidade empregadora de submete-los a problemas de várias ordens, dentre estes a abertura de processos disciplinares injustos, para cessação de contratos.
Por: Kihunga Bessa
Os funcionários, alguns com mais de 15 anos de trabalho, denunciaram que os procedimentos em causa preocupa-os, uma vez que nos últimos meses multiplicam-se os despedimentos na empresa, sem justa causa.
“Eles não querem trabalhar com o pessoal antigo, dizem que somos resistentes a mudanças, mas somos nós que durante mais de 15 anos aguentamos a fábrica, o que eles realmente querem é cessar os contratos com os antigos, por causa de possíveis indemnizações, eles procuram qualquer motivo para despedir, e assim alegarem ser por justa causa”, denunciaram.
Dizem que não percebem o que realmente os patrões querem, mas sentem-se perseguidos, os patrões obrigam-lhes a errar para, posteriormente, demiti-los, e colocar pessoas das suas conveniências, com objectivos inconfessos
“Temos enfrentando um ambiente de trabalho muito difícil durante os últimos dias. No passado fomos alvos do antigo director de produção, de nacionalidade portuguesa, mas, devido a um protesto, o mesmo foi substituído pelo senhor Tufiawukidi Avelino, cidadão nacional, isto no ano de 2015 e o senhor Tomás Benatuil, venezuelano, que passou a ser dos principais responsáveis da fábrica desde o ano de 2020, ao lado do senhor Anderson Casa Grande, brasileiro", contaram.
Acrescentaram que no princípio, o director de produção, angolano, mostrou ser uma boa pessoa, mas, mais tarde, as atitudes mudaram e tornou-se mais desumano do que o anterior, no caso o português.
"Para ele o trabalhador nunca faz nada certo, a pressão durante o trabalho é tanta que muitos de nós entramos em depressão, ele desmotiva e ofende, o que só vem a piorar as atitudes negativas do novo director", reclamaram.
Os funcionários, que pediram anonimato, explicaram que os dias de trabalho na empresa têm sido frustrantes e desgastantes, por serem pressionados a executarem trabalhos fora das suas capacidades e habilidades profissionais.
"Trabalho na linha, por exemplo, mas sou obrigado a fazer trabalho de limpeza e carregar grades, tarefas que não estão e não são da minha área de jurisdição, e quando não o faço por estar ocupado a tratar do meu trabalho, o director de produção lança palavras insultuosas, que me fazem sentir incapacitado", revelou um funcionário.
Acrescentou que o ambiente de medo reina no seio dos funcionários, o que o leva a muitos a obedecer qualquer ordem do chefe, sob pena de perder o emprego.
A arrogância por parte dos directores, maus tratos, ofensas morais e ameaças de despedimentos fazem parte do dia-a-dia dos trabalhadores, tal como referenciou uma funcionária que pediu o anonimato, por medo de represálias.
“É triste o que assistimos, nos últimos meses cerca de 20 trabalhadores já foram despedidos, isto por causa dos maus tratos dos dois chefes, acrescido com a falta de organização da senhora Irina Agostinho, chefe dos Recursos Humanos, que por incrível que pareça, são os membros principais do comité de ética da empresa”, lamentaram.
“Tudo que eles fazem é apenas encontrar erros nos trabalhadores para ser despedido e assim evitar contratos ou pagamentos de indemnizações ", acusou
Depois de ouvidos os trabalhadores, e respeitando o princípio do contraditório, o Na Mira do Crime tentou contactar várias vezes a direcção daquela instituição através do Email fornecido pela recepcionista, Jureuma Domingos, mas sem sucessos.








