Trabalhadores da fábrica de massa alimentar "ROS BIEN" acusam responsáveis eritreus de produzirem alimentos com produtos deteriorados
Um grupo de trabalhadores e ex-trabalhadores da empresa YONIBEN Indústria, afecto a "ROS BIEN", que fabrica massa alimentar e fuba de milho de marca ROS BIEN, denunciam a direcção da instituição de praticar várias irregularidades, desde o uso de produtos deteriorados na produção, que atenta contra a saúde pública, até aos maus tratos a que são submetidos os trabalhadores nacionais.
Por: Cambundo Caholua
A empresa ROS BIEN, segundo os denunciantes, é de origem Eritreia e assim como os seus responsáveis máximos. A estrutura onde é fabricada a massa alimentar e a fuba de milho, com as marcas que leva o nome da empresa, está localizada na Zona Económica Especial (ZEE), enquanto que o escritório, onde funciona toda área administrativa, está situado na zona do Kinaxixi, propriamente nas Torres-Luanda.
Segundo denúncias dos trabalhadores, a direcção da fábrica exige que os funcionários para a produção de massa alimentar e fuba, usem matéria-prima já deteriorada, misturada com produtos em bom estado de conservação.
Por outra, contam ainda que, os responsáveis da empresa, quando têm produtos já deteriorados no estoque, retiram das caixas ou dos sacos, e voltam a empacotar com os produtos recém fabricados. "Eles pegam na massa estragada e nos obrigam a misturar com a massa boa, fazem isso também com a fuba, nós não podemos falar nada, depois são empacotados e colocados no mercado", revelou um funcionário.
"É uma irregularidade e contra a saúde do povo, por muito tempo fomos obrigados a empacotar produtos estragados, e éramos obrigados a fazer, mesmo não estando bom para o consumo", reforçou um outro trabalhador.
Por exemplo, contam, nas suas residências não comem a marca de massa e fuba ROS BIEN, que eles mesmos fabricam, porque sabem “o lixo que é feito na empresa", revelaram.
Denunciam também que os funcionários são submetidos a excesso de carga horária, sendo que os mesmos têm dois turnos, isto é, das 7 horas de entrada para largar às 21 horas, ao passo que quando entram às 19 horas, largam às 7 horas do dia seguinte.
"Passamos muito mal, às vezes só temos horário de entrada e nunca de saída", frisaram.
Relatam que as irregularidades na fábrica ROS BIEN quase que é "infinita", entretanto, explicaram ainda que na mesma empresa, os trabalhadores executam as suas actividades sem o mínimo de segurança, ou seja, não lhes são atribuídos, em muitos casos, uniformes como luvas, máscaras e outros.
As denúncias não ficam por ai, os funcionários dizem ainda que não auferem subsídio de saúde ou de transporte. A alimentação que que lhes é dada, conforme imagem enviada ao Na Mira, é péssima, e um atentado a saúde.
"Não temos direito a boa alimentação, somos tratados como escravos, não nos respeitam, trabalhamos com as nossas próprias roupas porque não há uniforme", ressaltaram.
Outro dado que salta à vista, é o facto de os funcionários estarem a ser submetidos a mais de 14 horas de trabalho, sem para isso serem pagos horas extras.
Denunciam que, sempre que um trabalhador tiver que se deslocar a casa de banho, antes tem que assinar uma lista.
"Já várias vezes os chefes da empresa encontraram meninas na casa de banho nuas, mas estas não podem dizer nada, por medo de serem penalizadas, eles fazem de propósito", lamentaram.
No que concerne aos ex-trabalhadores, Mateus Furtuoso Cunzonza, em nome do grupo, explicou que foram despedidos sem justa causa, isto em Fevereiro do ano em curso.
Disse que a direcção da empresa ROS BIEN agiu de má-fé, visto que as faltas que alegam ser a razão dos despedimentos, foram todas justificadas. Por outra, acrescentou que a empresa recusa-se em indemnizar os trabalhadores, devido as faltas.
"Somos um total de seis ex-trabalhadores que fomos despedidos no mês passado, mas eles nos disseram que é devido as faltas, e estas faltas nós já justificamos", disse, e foi mais longe.
“Eles usam estes argumentos como desculpa”, atiraram, no entanto, desconfiam que a causa dos despedimentos seja por terem mostrado insatisfações com as irregularidades que ocorrem na empresa.
"Apelamos que dêem no mínimo a nossa indemnização, já que não nos querem mais a trabalhar, paguem o que nos devem", exigiram.
Confirmaram ao Na Mira do Crime que pelo tempo que ficaram a trabalhar na empresa, muitos adquiriram doenças e outros tiveram acidentes de trabalho, mas a instituição furta-se em se responsabilizar.
"Entrei saudável nesta empresa, por causa da falta de pessoal éramos obrigados a trabalhar a dobrar, sem repouso. Hoje sofro de uma dor no peito que adquiri nesta fábrica…trabalhamos sem parar durante altas horas, dormíamos no chão da casa de banho com um desconforto absurdo, e hoje nos expulsam desta forma”, lamentou uma ex-funcionária.
Explicou que já tiveram várias situações de acidente de trabalho, mas porque ninguém tem seguro de saúde, eram levados como animais em transportes da empresa para qualquer hospital.
“Fui muito explorada por esta empresa, necessito de consultas, hoje sofro de audição por conta desta mesma fábrica, por incapacidade de darem devidamente os equipamentos de segurança", lamentou uma outra funcionária despedida.
O Na Mira do Crime contactou o responsável dos Recursos Humanos da empresa ROS BIEN, por via telefónica, isto por da das 11 horas da última terça-feira, 18, e fomos atendidos pela senhora Africana, que alegou que não poderia falar em nome da instituição. Entretanto, a mesma remeteu a responsabilidade ao advogado da empresa, identificado por Leandro Ananás.
A equipa de reportagem entrou em contacto com o mesmo, este alegou que não poderia falar naquele instante devido a sua agenda que estava preenchida. No entanto, garantiu a este jornal que no dia seguinte iria dar um sinal, no entanto, até a publicação do texto, não recebemos nenhuma notificação do referido advogado.








