Primeira-Dama orienta investigação exaustiva à família de criança de 02 anos que está com os órgãos genitais "rompidos" e a expulsar pus, a mãe diz que "tinha marido da noite"
A Secretária Geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), Joana Tomás, deslocou-se na manhã desta sexta-feira, 11, ao município de Cacuaco, concretamente no bairro do Malueca, no sentido de aferir uma denúncia relacionada a um cidadão de 38 anos de idade, acusado de ter abusado sexualmente a sua própria filha de apenas dois anos de idade.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em exclusivo ao Na Mira do Crime, a dirigente explicou que o crime terá sido descoberto quando uma cidadã afecto à OMA, dirigiu-se ao Hospital Militar e deparou-se com um jovem, com a filha ao colo, de dois anos de idade, a solicitar por cuidados médicos.
"A camarada Cristina Madruga achou estranho a presença do cidadão com a menor e, apercebendo-se da aflição do senhor, que é o pai da mesma, questionou o que se passava com a criança, e o mesmo disse que a filha estava com febres e com sinais de ter sido vítima de abuso sexual", narrou.
A também deputada pela bancada parlamentar do MPLA, Joana Tomás, avançou que a criança chegou a ter paragem cardíaca, o que motivou a jovem da OMA a apelar a rápida intervenção dos profissionais de saúde.
Após a intervenção médica, a criança foi transferida para o hospital Lucrécia Paím, pelo facto de apresentar um quadro de saúde grave com indicações de abuso sexual.
"Os exames médicos confirmaram que foi abusada, e que não era um acto recente, porque o abdómen estava inflamado e notava-se a presença de pus nos órgãos genitais", detalhou.
Explicou que, interrogado o pai, não conseguiu explicar às razões do estado precário da saúde da menor.
"As informações que ele passou eram confusas, e indicavam que estava a esconder alguma coisa. Dizia coisa com coisas, chegou a dizer que a esposa estava gravemente doente numa unidade hospitalar, e que a filha já havia recebido assistência hospitalar, mas as explicações indicavam que ele faltava com a verdade", desconfiou.
Diante das duvidosas explicações e, tendo sido informada a Primeira-Dama da República, está orientou que se criasse uma delegação para dar o devido tratamento a situação.
'Deslocamo-nos até a Direcção Municipal do Serviço de Investigação Criminal, para que fosse aberto uma participação, o director daquele Departamento, senhor Sukama, providenciou diligências para o devido tratamento do caso", explicou a dirigente.
Tomás disse ainda que o pai alegou que a criança teria sido abusada na casa da sua irmã, onde ficava a maior parte do tempo, mas, quando a equipa desligou-se à sua casa, foi descoberto que se tratava de um caso ligado a crenças em feiticismo, e a família toda estava envolvida.
"Em contacto com a mãe da criança, esta alegou que a filha é feiticeira e que era possuída por um marido espiritual nocturno que se relacionava sexualmente com ela de noite. Mais tarde ficamos a saber que a avó materna fazia os tratamentos caseiros a menina com folhas medicinais", observou.
A directora clínica do Hospital Lucrécia Paím, Julieta de Castro, avançou que a criança deu entrada ao hospital com vestígios de laceração nos órgãos genitais com presença de pus e odores.
"Foi transferida para o Hospital Materno Infantil da Camama, Manuel Pedro Azancot de Menezes para o devido acompanhamento dos especialistas em genecologia, por necessitar de cuidados multissectorial. A situação é grave e poderá acarretar sequelas, tanto psicológico como físico, ou futuramente de fórum maternal", diagnósticou.
Na visão do doutor Simão António, psicólogo clínico do Hospital Lucrécia Paím, esta situação poderá causar pânico e depressão a vítima e resultar em transtornos para vida toda.
"Na vida adulta poderá apresentar transtornos sexuais que possam comprometer o seu relacionamento conjugal, desde já, ela precisa de atenção de todos, para garantir que ela cresça sem traumas, porque pode interferir na sua vida, tanto na infância como na vida adulta", aconselhou o especialista.
Fontes ligadas ao Comando Municipal da Polícia em Cacuaco e a administração local, dão conta que o implicado já se encontra detido, e deligências estão a ser levadas a cabo para o esclarecimento do caso.









