Mais de 15 milhões de Kwanzas - Sub-Inspector da Polícia é acusado de burlar cidadãos para receberem casas no Mayé Mayé
Recentemente, surgiram denúncias alarmantes que apontam para um alegado esquema de burla de mais 15 milhões de Kwanzas, envolvendo o sub-inspector da Polícia Nacional, Erasmo Manuel Vaz Contreiras. Este inscrevia pacatos cidadãos, para alegadamente terem acesso às residências no projecto habitacional do Mayé Mayé
Por: Kihunga Bessa
Falando para a nossa reportagem sob anonimato, as vítimas atestam que o indivíduo, na altura, pertencia ao departamento da Educação Patriótica do Comando Geral da Polícia Nacional (PN). Em Outubro de 2022, o acusado terá solicitado às vítimas para se inscreverem no sentido de terem acesso às residências naquele projecto habitacional, cujo facilitador era seu irmão apenas identificado por Leo.
"Achamos interessante, visto que muitos de nós vivemos nas casas de renda, então questionamos os modos de pagamento e ele informou que tínhamos de pagar, primeiro, 500 mil Kwanzas e, depois de ter o processo todo feito, daríamos mais 300 mil Kwanzas de agradecimento do senhor que cuidou dos processos e, assim, o fizemos pagando metade dos valores para o efeito", explicaram.
Afirmaram que era tanta gente neste processo; alguns, inclusive, seus próprios familiares. Muitos pagavam valores para duas, três ou mais residências.
Asseguraram que após entregarem as primeiras prestações, o acusado informou-lhes que teriam logo as fichas das residências. Só que, passadas algumas semanas, o senhor obrigou os interessados a completarem os valores que faltavam na primeira metade dos 500 mil kwanzas para que, dentro de alguns dias, vissem a situação das fichas resolvida.
"Procuramos a todo custo esses valores monetários; muitos contraíram dívidas para concluir", disseram, acrescentando que, dias depois, o burlador passou a seguir as vítimas até aos locais de serviço, onde recolhia a documentação, com a promessa de três dias depois, resolver a situação. Ai, começaram as voltas ao mesmo tempo que se intensificavam as promessas de que brevemente veriam a situação resolvida.
Ressaltaram que, depois, voltou a informar que, para o efeito dos processos, era necessário pagarem outros valores que restavam. Contam as vítimas que tiveram que contrair dívidas para transferir outra parte de 250.000 Kwanzas, sendo que outros concluíam os 800 mil Kwanzas, incluindo os valores do agradecimento.
"O mais caricato é que depois de receber todos os valores, tomamos conhecimento que aquilo não passava de uma burla, através de uma ligação que fizemos à sua ex-esposa que alegou ter-lhe abandonado devido a tais práticas", informaram.
Preocupadas, as vítimas tentaram contactar-lhe várias vezes, mas sem sucesso. Daí que decidiram dirigir-se para o Departamento de lnspecção do Comando Geral da Polícia Nacional (PN), onde fizeram a participação e, consequentemente, abriram um processo. Mas lhes foi informado que já terá sido transferido para a direcção do inter-clube.
"Depois, voltamos para lá no sentido de sabermos se o indivíduo já foi notificado, mas os instrutores do processo não conseguiram entrar em contacto com ele, sem avançar os motivos", frisou uma vítima, avançando que, posteriormente, dirigiram-se até ao piquete do SIC do município das Ingombotas, mais precisamente na llha de Luanda, onde a resposta dos instrutores também foi a de que não conseguiram contactar o cidadão.
"Até hoje, não temos nenhuma resposta do processo e não se consegue ver o nosso caso resolvido ", afirmou.
Apuraram fontes do Na Mira do Crime que uma das vítimas terá pago cerca de 12.800.000 Kwanzas para 16 casas, e tão logo tomou conhecimento que estava diante de uma burla, esta não aguentou, teve uma crise e, neste momento, o estado da mesma inspira cuidados numa das unidades hospitalares de Luanda.
As vítimas foram mais longe ao informarem que durante o período em que mantiveram contacto com o acusado, este terá se gabado que ele é oficial muito bem conhecido e poderiam se queixar onde quisessem, que nada lhe aconteceria.
Este jornal sabe ainda que o cidadão actua com a Noémia, sua esposa, e que com dinheiro da burla estão a construir um edifício na zona da Fubú, município de Talatona.
Para aferir a veracidade das acusações, este jornal contactou o acusado por via telefónica, e nega todas acusações, alegando alegando que tudo que sabe é de apenas os valores de 800 mil kwanzas de uma das suas tias, que o mesmo tentou ajudar tão logo teve conhecimento dos processos das casas que decorriam naquele projecto habitacional.
" Eu como estava a tentar a minha sorte lá, então pensei nos meus familiares, daí que solicitei a tia e a minha esposa, mas, infelizmente, o negócio não saiu bem e fomos todos burlados... inclusive eu", disse.
Concluiu que a tia está agir de má-fé, mesmo sabendo que o sobrinho também foi burlado, e sabe que terá que pagar os valores da mesma, embora a vida esteja dura para todos.








