No Porto Amboim: Administrador da comuna de Capolo-Choba acusado de proteger criminosos que tentam assassinar o antigo soba da aldeia de Ngola Lombo por crença ao feiticismo
O administrador comunal de Capolo-Choba, Raimundo Manuel Magalhães, no município do Porto Amboim, província do Cuanza Sul, está a ser acusado de tomar acções de subversão à justiça, diante da Administração Municipal e do Comando Municipal da Polícia Nacional do Porto Amboim. De acordo com denúncia apresentada ao Na Mira do Crime por Bento Mussonga Quissange, o administrador comunal actua como informante de um grupo de delinquentes e indivíduos violentos, dificultando o andamento do processo nº 52/025/SM II PA, referente ao caso "Ngola Lombo".
Por: Laurentino Tchatuvela
Segundo a fonte, desde o ano de 2023, os senhores Eliseu Manico, Moisés Raimundo (Man Trapa), Elísio Vieira (Man Fúquia), Neves Ferraz (Style), Almeida Ferreira (Amerí), e Joaquim Kipapa (Tio Kanhanga), motivados por ressentimentos ligados à disputa de sobado, têm instigado uma revolta violenta contra o senhor Adolfo Quissanje, ex-soba da aldeia de Ngola Lombo (Porto Amboim), contra Jeremias Quissanje, ex-soba adjunto, e contra seus familiares.
Referiu que estes elementos contam com o apoio do administrador comunal de Capolo-Choba, Raimundo Manuel Magalhães.
Revelou ainda que, no passado dia 21 de Março do ano em curso, este grupo levou ao extremo o seu acto premeditado: “sob a manta de uma multidão de jovens munidos de paus, catanas, serrotes e outros objectos contundentes, realizaram um ataque feroz e desmedido, tentando assassinar Adolfo Manuel Quissanje, Jeremias Pedro Quissanje e quaisquer familiares destes”, denunciou.
Explicou ainda que isto ocorreu depois de várias tentativas frustradas de sequestro, sob a alegação de que os dois deveriam ser investigados acerca da morte, por doença, do soba sucessor José Graça, com base em crenças ligadas ao feiticismo. “Após a invasão, foi apresentada uma queixa-crime e, conforme consta do documento em anexo (em posse do Na Mira do Crime), o administrador Raimundo Manuel Magalhães, sob orientação da Administração Municipal do Porto Amboim, liderou uma comissão para apurar os factos”, observou.
Contudo, continuou, o documento oculta informações sobre o roubo de botijas, dispersão de 27 famílias (mais de 200 pessoas), entre as quais cerca de 70 crianças que abandonaram a escola antes das provas.
“Assim, junto à Procuradoria, foi aberto um processo contra os mentores e seu bando, resultando em notificações e mandados de captura devido à ausência de alguns implicados”, explicou.
No entanto, disse, tem-se notado que um dos participantes das reuniões de diligência, o administrador Raimundo Manuel Magalhães, que acusa ser o padrinho dos marginais, tem alertado os seus afilhados, ajudando-os a fugir para regiões de difícil acesso conhecidas como "ilhas", o que tem impossibilitado a sua captura.
“Este acto mancha a boa reputação do Comandante Municipal da Polícia Nacional na região, do Procurador Municipal e da Administração do Porto Amboim, que não têm conseguido controlar um caso tão restrito, sob sua jurisdição. As vítimas estão obrigadas a permanecer fora da aldeia, refugiadas em Porto Amboim, Luanda, Cabo Ledo e outras localidades incertas, com recursos extremamente limitados, sendo um fardo para quem as acolhe”.
Esclareceu que o mais grave é que este acto coloca em risco a vida das vítimas, pois, transmite aos agressores uma sensação de impunidade total, a ponto de haver ameaças de uma nova onda de invasões e agressões, com previsões de mais desalojamentos.
“Quem são esses indivíduos e até onde vai o poder deles, que conseguem silenciar os órgãos de poder local? Será que são todos amiguinhos? Estamos agastados com a ineficiência deste processo e com a aparente sonolência das autoridades locais, pedimos a intervenção do Governo Provincial do Cuanza Sul — talvez assim se faça sentir a presença de uma autoridade com punho firme”, exigiu.
Por outra, fez saber que os familiares desalojados querem voltar aos seus lares, com garantia de segurança, certos de que poderão retomar às suas actividades diárias, onde quer que estejam.
Em resposta às acusações, contactado pelo Na Mira do Crime, o administrador comunal de Capolo-Choba, Raimundo Manuel Magalhães, afirmou que as acusações feitas por “essa família não condizem com a verdade”.
“Tudo isso não passa de uma mera mentira. Eu não sou capaz de proteger marginais”, disse.
"Sobre a briga entre as duas famílias, o administrador comunal explicou que tomou conhecimento do caso. “A polícia foi a primeira a chegar ao local, no dia 21 de Março. Eu estive lá no dia 25 do mesmo mês. Como é que eu poderia encobrir uma situação como essa? As autoridades já estão a par do caso”, garantiu, sublinhando que, inclusive, o DIIP já foi notificado, e o soba adjunto já prestou esclarecimentos.
“Que moral eu teria para pactuar com uma situação dessas? O problema surgiu entre eles, e agora querem envolver outras pessoas. Uma coisa é a administração local, outra é o sobado. Não concordo, de forma alguma, com as acusações feitas por essas pessoas. Agem de má-fé”, ressaltou.
“O caso já está sob responsabilidade da Procuradoria Municipal do Porto Amboim e está a ser acompanhado pelas autoridades competentes”, concluiu.








