Pagou 30 mil para ser libertado: Efectivos do SIC da esquadra da ENGEVIA “capturam” jovem de 22 anos no Mercado do 30 para ser imputado “um crime que não cometeu”
Quatro agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afectos à esquadra da ENGEVIA, município do Kilamba, província de Luanda, detiveram um jovem de 22 anos de idade, acusado de ter comprado um computador nas mãos de marginais, na zona do KM 30, município do Sequele, província de Icolo e Bengo.
Por: Kihunga Bessa
Falando em exclusivo ao Na Mira do Crime, a vítima, cujo nome vamos omitir para evitar represálias, revelou que o facto ocorreu no princípio do mês em curso, quando quatro elementos, supostamente agentes do SIC colocados na esquadra da ENGEVIA — dois dos quais supostamente “pai e filho” — chegaram à sua bancada, e um deles acusou-o de ter comprado um computador roubado e exigiram que o acompanhasse até uma viatura de marca i10, de cor cinzenta.
Segundo a vítima, ao questionar o que se passava, não ofereceu resistência e acompanhou os agentes até à viatura, que estava junto à entrada do mercado.
Subiu, pensando que o levariam à esquadra do Baia, no município do Sequele, província de Icolo e Bengo, mas, diz, lamentavelmente, foi levado directamente para a esquadra da Engivia, na zona da Mutamba, município do Kilamba, província de Luanda, sem qualquer explicação prévia.
Disse ainda que, já na zona da linha férrea, ao sair do mercado do 30, foram interpelados por um agente regulador de trânsito, ao qual os supostos agentes se identificaram com passes e um colete do SIC, seguindo viagem até à referida esquadra.
“Lá, fui submetido a fortes ameaças e quase agredido com uma catana para que confessasse o crime, mas como eu não sabia de nada, continuei firme na minha posição", relatou.
Mais tarde, continuou, foi deixado na cela, junto do acusador, por orientação do oficial dia, onde ficou até às 11 horas do dia seguinte.
Na cela, a vítima implorou ao acusador para saber os reais motivos da acusação.
“Ele disse que tinha roubado um computador da tia dele e o comercializou no mercado do KM 30, por não aguentar a pressão e a surra, para se livrar da situação, apontou qualquer pessoa, e eu fui a vítima”, lamentou.
"Chorei bastante, supliquei para que ele desmentisse as acusações. Graças a Deus, sentiu a minha dor e, na manhã seguinte, fez o correcto. Por volta das 11 horas, fui libertado", contou.
Revelou ainda que, após o episódio de cárcere privado, os supostos agentes nunca mais apareceram.
Mesmo com o depoimento do verdadeiro culpado, teve de pagar 30 mil kwanzas ao graduado em troca da liberdade, além de já terem se apropriado dos seus bens — um chapéu, 3 mil kwanzas e uma pen drive.
Importa referir que a vítima é portadora de deficiência física, vive maritalmente e é pai de dois filhos.
O Na Mira do Crime contactou o porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-Chefe Fernando Carvalho, para aferir as acusações que pesam sobre os supostos agentes. O oficial prometeu pronunciar-se em breve.








