Na Maianga - Efectivo do DIIP acusado de cárcere privado e cobrar 400 mil kwanzas para soltar suposto receptador
Um efectivo da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), identificado apenas por "Evander" (Cabeça Rachada), afecto a 5ª Esquadra no município da Maianga, está ser acusado de abuso de poder, e cárcere privado, ao colocar o cidadão João Miguel de 42 anos de idade, (sob sua custódia) numa obra inacabada, nos arredores da referida esquadra, e cobrar 400 mil kwanzas à família do cidadão em troca de liberdade.
Por: Kihunga Bessa
Falando em exclusivo aos microfones do Na Mira do Crime, sob anonimato, familiares e colegas da vítima explicaram que tudo aconteceu por volta das 14 horas de sábado, 26, quando cerca de seis efectivos do DIIP, do município da Maianga, que faziam transportar por uma viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser, cor branca, terão chegado ao mercado dos Congolenses, com um elemento supostamente marginal, que indicou a vítima, por alegadamente ser comprador de telemóveis roubados.
"O João é técnico de telemóveis no mercado dos Congolenses há mais de 10 anos, havia comprado um telefone de forma ilegal, isto o ano passado, mas há havia sido detido e pagou o mesmo artigo", informaram.
Segundo as testemunhas, quando os efectivos chegaram no mercado, obrigavam a vítima acompanha-los até a viatura, “e sendo inocente, amigos e colegas se revoltaram, e começaram a impedir que fosse”, contam.
Explicaram que Evander (o polícia), no puxa-puxa, terá caído e de repente segurou na pistola para intimidar, só que a população enfrentou-o e diante do tumulto, aproveitou pegar no seu fio de ouro que levava ao peito, e colocar no bolso.
"Nós vimos quando ele mesmo colocou no bolso, mas devido a vergonha, começou a dizer que o seu fio perdeu, e levaram o nosso colega”.
Na esquadra, depois de dois dias, contam, o jovem técnico de telefone foi posto numa das obras próximo a esquadra, e em troca de liberdade o mesmo exige 400 mil kwanzas para a compra do fio, denunciam os entrevistados.
Segundo as testemunhas, estes episódios têm sido comuns, já que os efectivos, semanalmente, dirigem-se naquele mercado com o mesmo jovem acusador a indicar pessoas inocentes, que são levadas em diferentes esquadras, e são soltos em troca de dinheiro.
"Estamos cansados com essas práticas, quando chegam no mercado, além de nos prenderem levam os nossos negócios de telemóveis e apropriam-se dos mesmos", desabafaram.
Quem também manifestou a sua insatisfação e diz ser vítima dos mesmos efectivos, é o jovem David Pambo, reparador e comerciante de telemóveis no referido mercado, que diz ter sido levado à esquadra da Chapinha, no bairro Popular, onde ficou detido durante quatro dias, e teve que entregar um telemóvel de marca Samsung, e alguns valores para ser solto.
"Quando nos recolhem, no interior da viatura eles começam a perguntar quem tem dinheiro para ficar, quem não tem é levado na esquadra, além de mim, várias outras pessoas já foram vítimas, e o mais engraçado é que o acusador é sempre o mesmo", explicou.
Respeitando o princípio do contraditório, na manhã desta quarta-feira, 30 , o Na Mira do Crime contactou por via telefónica o acusado para aferir a veracidade das acusações.
Sem rodeios, o agente negou às acusações e fez saber que o jovem está detido por ser receptador de telemóveis roubados, que são comercializados naquele mercado.
"Depois da denúncia, fomos lá para detê-lo, mas ele reagiu e agrediu-me, ao ponto de rebentar o meu fio de ouro, mas ainda assim não tenho nada contra o mesmo", afirmou.
Acrescentou que as propostas de pagamento estão a ser feitas pelos próprios familiares do jovem.
"Eu não tenho autoridade para soltar os detidos", defendeu-se.








