Execuções na Samba: Efectivos do DIIP supostamente bêbados terão confundido dois jovens inocentes com marginais e mataram com tiro na cabeça em plena luz do dia
Os jovens Estevão Rosário Casulo, de 20 anos de idade, e Eugénio Zua Magalhães, de 25 anos de idade, ambos residentes no bairro da Camuxiba, município da Samba, foram assassinados com disparos de arma de fogo, na região da cabeça, por supostos efectivos da esquadra do referido bairro, quando se encontravam a conversar numa chata, a beira-mar.
Por: Cambuta Vieira
Em casa das vítimas, o Na Mira do Crime primeiro ouviu Pedro João, irmão mais velho de Rosário, que explicou que, tudo aconteceu por volta das 17 horas de sexta-feira, 09, quando às vítimas encontravam-se a beira-mar, sentados num chata.
Explicou que, estava no local, e de repente apareceram três efetivos da polícia, afecto a secção do DIIP, e dois deles com máscaras faciais, trajados a civil.
"Um deles dizia da nas costas e na perna, o outro disse, não, eu vou dar mesmo da cabeça, assim que ele acabou de falar, pegou na pistola e manipulou, sem exitar efectuou três tiros", detalhou.
"O Rosário foi atingido com uma bala na cabeça, a bala ficou encravada, não saiu e morreu no local, no meu colo", chorou.
Estevão, disse, que também procurava saber o que estava a acontecer, foi também atingido na região da cabeça, foi socorrido até a clínica do Prenda, mas morreu na manhã de sábado, 07.
O jovem explicou que, depois da acção dos agentes, este ainda foi até a esquadra da Camuxiba e explicou a situação ao comandante.
"Ele pedia para eu ficar calmo, que iam resolver a situação".
De acordo com o nosso entrevistado, um dos efectivos estava totalmente bêbado, e na sua retirada ainda deixou cair a pistola duas vezes.
Juliana António Zua, mãe de Eugénio, falou ao Na Mira do Crime.
Disse que recebeu a informação por volta das 18 horas, quando regressava do hospital psiquiátrico de Luanda, com o irmão menor da vítima.
"Disseram-me para correr até à Clínica do Prenda, porque o Estevão tinha sido baleado", disse.
Neusa Zua Magalhães, irmã da vítima, disse que o seu irmão estava a fazer o ensino médio, curso de saúde, em Malanje, teve que abandonar a formação por questões financeiras, e daí deslocar-se para Luanda, no mês de Março, para estar próximo da família.
No entanto, tudo estava preparado para o seu regresso, no 15 de Abril.
Disse que noo dia do crime, em casa não tinha sinal da Zap, por falta de carregamento.
"O meu irmão ficou fora, como é a beira-mar, tem muita chata, estava sempre a reclamar para que eu carregasse a Zap, e eu como faço negócios, disse que, assim que vender de três mil kwanzas, metade seria para Zap e o resto para alimentação, infelizmente aconteceu o pior", lamentou.
Os moradores explicaram que, tão logo agentes dispararam contra os jovens, ao notarem o erro e o aproximar da população, colocaram-se em fuga, em direcção a esquadra da Camuxiba.
"Nós como família não fizemos nada, se não socorrer os nossos parentes até ao hospital, os vizinhos do bairro comoveram-se com o sucedido e foram até a esquadra, mas não houve nada, nem sequer confusão", informaram.
Familiares e moradores explicaram ao Na Mira do Crime que os jovens que foram executados são inocentes, e desafiam a polícia a ir a busca dos bilhetes de identidade e procurar nos registos criminais se há algum delito ligado a eles.
"Eles nunca foram presos, clamamos por justiça", exigiram, alertando que os jovens foram confundidos com um marginal altamente perigoso identificado por Lagueta, que momentos antes estava no local do crime com os seus comparsas.








