“Pica na Veia” e “Leguado”: assassinos frios que esfaquearam até à morte jovem trabalhador do Porto de Luanda
Em sede de uma investigação relacionada com a morte de um cidadão nacional de nome Júlio Receado Lauriano Gomes ( Mirú), de 24 anos de idade, em Cacuaco, praticado pelos marginais identificados por "Leguado" e "Pica na Veia”, ambos de 21 anos de idade, já detidos pelas forças policias destacadas no município de Cacuaco, apresentados à Imprensa no passado dia 1 de Maio, o Na Mira do Crime procurou saber como o crime cometido, e regressamos à casa do malogrado para entender os detalhes da ocorrência.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em conversa com o irmão do malogrado, de nome Bernardo, começou por dizer que a vítima residia no bairro Mangueirinhas, na zona do Tanque de Cacuaco, e que no dia 19 do mês de Abril, o mesmo terá saído com três amigos, identificados como Adilson e Avelino.
"Despediu a esposa que ia à Vila de Cacuaco numa festa de aniversário de uma amiga, mas não regressou à casa".
No dia seguinte, domingo, continuou, “a esposa ligou para nossa mãe, isto por volta das 19 horas de domingo, a informar que o Mirú estava desaparecido, após ter saído para uma festa”.
Informou que os amigos desconheciam o seu paradeiro, apenas disseram que ele saiu da festa às 04 horas da manhã, com uma jovem que “faz vida” (prostituta).
Diante da situação, a família partiu para uma série de buscas, ao ponto de pagarem para obter de informações.
"Tivemos que pagar aos jovens que ficam na zona do Tanque, foram eles que nos segredaram que só a jovem Maria faz vida em Cacuaco, então ela tinha informações do nosso irmão”, disse.
Segundo o nosso entrevistado, foram ter com a jovem prostituta, e ela terá revelado aos familiares do Mirú, que conheceu o jovem na festa, e o mesmo saiu do local com uma das suas colegas que prestam serviços de sexo, isto nas primeiras horas da manhã de domingo.
"Mas ela dizia coisas com coisas, às explicações não se encaixavam, mas tudo dava a entender que ela sabia de alguma coisa, então levamo-la a Esquadra do 37, na praia de Cacuaco", recordou.
"O que nos chamou a atenção foi quando ela disse que o meu irmão foi interpelado por indivíduos, próximo ao mercado da Vila de Cacuaco, no cabeça do Soba, disse que pretendiam receber-lhe o telemóvel, mas ele resistiu e foi esfaqueado, ainda chegou a desferir um soci no olho de um dos assaltantes", salientou.
Explicou que foram aos hospitais de Cacuaco, mas foi na Morgue Central de Luanda onde encontraram o corpo do infeliz, com sinais de esfaqueamento na zona das ancas e abdómen.
"Recebemos a informação que o corpo deu entrada por via do hospital do Sequele, ao recorrermos ao Sequele, nos foi informado que receberam o paciente saído do hospital de Cacuaco, por volta das 05 horas, infelizmente foi a óbito as 10 horas", lamentou.
Insatisfeitos, os familiares procuram saber como é que o paciente terá chegado ao hospital e quem o terá acompanhado.
"A equipa médica disse que terá sido levado por jovens por meio de uma motorizada de três rodas. Mas não precisaram detalhar quem são os jovens que o terão levado".
Os familiares, mediante investigação, descobriram que o autor do crime estava identificado como sendo o “Pica na Veia”.
"Eu mesmo fui o procurar e consegui o alcançar nas imediações do Jango de Cacuaco, levei-lhe a Esquadra do 37, onde revelou os nomes dos comparsas envolvidos, sete deles foram também detidos pela polícia, no total são oito detidos, contando com a jovem Maria", aclarou.
"Pelo que parece", revelou o nosso entrevistado, "alguma coisa não parecia seguir os parâmetros legais, porque alguns jovens detidos pareciam estar a ser protegidos, uma vez que o pai de um deles apresentou-se como agente do SIC, mas depois de recorrermos por outras vias, o caso decorre na normalidade", garantiu.
O Na Mira do Crime sabe que o processo-crime foi aberto na Esquadra do 37, em Cacuaco e, dos detidos, constam o Dionísio António Cazembe (Pica na Veia), Ernesto Pascoal Ndombele (Leguado); já Madalena Gedeion Van-dúnem, Ana e Bloco – B estão em fuga.
O malogrado trabalhava como operador de máquinas no Porto de Luanda, não deixa filhos e foi a enterrar no dia 27 do mês de Abril, no Cemitério da Mulemba.
"Queremos justiça, a polícia deve trabalhar no sentido de investigar o caso, porque ouvimos que o Pica na Veia já estava a ser procurado pela polícia por estar envolvido em vários crimes, a vida do meu filho não pode ser tirada assim e os criminosos serem soltos", pediu a mãe do malogrado.








