Terão retirado a bala do corpo com uma sabre para esconder a prova: Efectivos da PIR no Cazenga acusados de 'executar' jovem de 33 anos com tiro de Galili na região do pescoço
Numa reportagem investigativa relacionada com a morte do cidadão que em vida respondia pelo nome Pedro Sebastião Manquego, de 33 anos de idade, que, a princípio, a polícia no Czengava alegava ter sido morto após confrontos entre grupos rivais, no distrito urbano do Tala-Hady, rua dos Prazeres, bairro António Agostinho Neto (Vila da Mata), município do Cazenga, o Na Mira do Crime deslocou-se ao local do sucedido, e ouviu tesmunhas e familiares do malogrado, que juram de pés juntos que a morte do jovem foi causada por disparos de arma de fogo, efectuados por efectivos da Polícia Nacional afectos a Polícia de Intervenção Rápida (PIR).
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
De acordo com os familiares e vizinhos da vítima, os factos ocorreram por volta das 21 horas de sábado, 17.
Começaram por desmentir às alegações segundo as quais Pedro terá morrido em resultado de uma luta entre grupos rivais, tendo explicado que os factos ocorreram depois um tumulto gerado por três agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), afectos a uma unidade localizada na Filda.
Hamilton Fernandes, irmão do malogrado, avançou que os agentes ordenaram que fosse encerrada uma festa no bairro, tendo agido com brutalidade, a ponto de agredirem um adolescente de 17 anos de idade, por sinal, sobrinho da vítima.
"Estavam embriagados, começaram por pontapear, bater com as armas e a pisar na cara do rapaz, e o Pedro apenas tentou tirar satisfação das razões que os levavam a agredir o menino", contou.
Disse o irmão que, em acto contínuo, um dos agentes partiu para agressão contra o Pedro, e o mesmo não admitiu.
"Deram-lhe bofetadas na cara, empurraram-lhe e ele se revoltou, então ficaram naquele empurra-empurra. Só não conseguiram continuar com as agressões porque as pessoas não permitiram, e o tumulto começou", desvendaram.
Os moradores revelaram que, durante a agitação com a população, a polícia efectuou disparos e mais tarde retiraram, tendo regressado poucos minutos, reforçados com maior número de efectivos.
Um dos jovens que disse ter acompanhado os factos de perto, revelou que a vítima terá sido surpreendida na rua e começou a receber ameaças de morte.
"Mais tarde", continuou a explicar, "fizeram tiros nas lâmpadas para criar escuridão e dispararam um tiro no pescoço do jovem.
"Eu apreciei tudo, ninguém me contou. Um agente da polícia, laton, fininho e alto é que fez os disparos, ele disse ao outro: vamos já matar, mas o polícia gordo negou; entregou a caçadeira ao colega e pegou a arma grande, galili e fez o disparo", detalhou.
Explicou que, sem iluminação, devido as lâmpadas que foram partidas, todos dispersaram devido aos disparos e lançamento de gás lacrimogéneo.
"Quando voltei, o jovem já estava morto, e eles tinham levado o corpo para outro local, parece que usaram caco de garrafa ou uma sabre para abrir o pescoço e retirar a bala, para não deixar provas e foram embora", ressaltou.
No momento em que os amigos tentavam se aproximar da vítima para prestar socorros, o tumulto voltou a intensificar-se.
"Voltaram a fazer tiros e a lançar gás lacrimogéneo para impedir que chegássemos perto do corpo, mas três dos amigos da vítima insistiram, foram detidos e levados a Esquadra próximo da administração municipal do Cazenga", disse um dos moradores.
"Infelizmente foram torturados para os obrigar a admitir a autoria do homicídio e, apenas hoje (ontem) segunda-feira é que foram postos em liberdade", lamentaram os vizinhos.
A reportagem do Na Mira do Crime tentou conversar com os amigos do malogrado levados pela polícia mas, devido aos ferimentos e o trauma pelo que passaram, mostraram-se indisponível.
Os familiares clamam as autoridades no sentido de responsabilizar os autores do crime.
"As coisas não vão bem, depois do Serviço de Investigação Criminal (SIC) fazer a remoção, até agora não sabemos onde é que depositaram o corpo, estamos a ser impedidos de manter contacto com o corpo do nosso familiar. Queremos que alguém faça alguma coisa, porque eles não podem esconder o corpo do Pedro", rogaram.
O Na Mira do Crime segue a investigar o caso, e nas próximas horas trará o posicionamento único da Polícia Nacional, que é, uma vez mais, acusada de usar excesso da força na sua abordagem.
Recorde - se que, recentemente, dois jovens foram mortos a tiro no município da Samba, zona da Camuxiba, durante abordagem policial.








