Ninguém está preso: Direcção da Escola do II Ciclo n.º 5114 no Zango acusada de furtar mais de 15 computadores para abrir cibercafés
O director-geral da Escola do II Ciclo do Ensino Secundário n.º 5114, Zeca Branco Dias, o Subdirector pedagógico, Daniel Sebastião, e o Subdirector administrativo, Adriano Adão Gaspar, estão a ser acusados de extraviar 20 computadores e dois aparelhos de ar-condicionado da referida instituição de ensino, durante o período da pandemia da COVID-19, no município do Calumbo.
Por: Solange Figueira
A instituição está localizada em frente ao Centro Cultural do Zango 2. Segundo denúncias, os três responsáveis aproveitaram-se do contexto pandémico para retirar da escola os equipamentos mencionados, com a intenção de utilizá-los para fins pessoais.
De acordo com os denunciantes, o Subdirector administrativo, Adriano Adão Gaspar, foi quem mais se beneficiou com o desvio dos computadores, tendo alegadamente aberto vários cibercafés nas ruas do Zango 2. Por conta destas acusações, em Março do corrente ano, um grupo de professores apresentou queixa ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) e ao Ministério da Educação, que decidiu suspender, por tempo indeterminado, os dois subdirectores mencionados.
Segundo Simão Bento Formiga, secretário provincial do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) na Província de Icolo e Bengo, todo o material desapareceu da sala de informática. Os responsáveis também teriam levado um televisor plasma da sala dos professores.
"Temos todas as provas. Há ainda o caso de um professor de Geologia que está ausente do país há mais de sete meses, mas continuava a receber salário. Quem assinava por ele era o subdirector administrativo. Esse mesmo subdirector também obrigava os alunos a capinar o pátio da escola em condições desumanas e impunha aos seguranças a tarefa de regar os jardins", denunciou o representante do MEA.
A associação estudantil afirmou que encaminhou uma participação ao SIC, exigindo que as autoridades competentes investiguem e responsabilizem os autores do furto dos equipamentos, considerados património essencial para a formação dos estudantes.
O MEA reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos dos estudantes e garantiu acompanhar de perto o desfecho do processo, para assegurar que os acusados sejam criminalmente responsabilizados.
A equipa de reportagem do jornal Na Mira do Crime deslocou-se à Escola n.º 2014, no Puniv, com o objectivo de ouvir os acusados.
No entanto, os mesmos não se encontravam presentes na instituição, devido à suspensão.
Alguns coordenadores e funcionários administrativos confirmaram a veracidade das acusações e consideraram que, por esse motivo, os envolvidos foram proibidos de entrar nas instalações da escola.
Por sua vez, o director Zeca Branco Dias não foi suspenso, pois, segundo fontes internas, terá deixado o cargo em Fevereiro deste ano para se dedicar a outros projetos profissionais.
Este jornal tentou contactar os subdirectores suspensos por via telefónica. Um dos professores conseguiu falar com eles, mas os mesmos declararam que, por estarem a ser alvo de um processo criminal, não prestarão declarações enquanto decorre a investigação.








