Na empresa FAB FER de indianos: Angolano perde três dedos da mão e sem indemnização é obrigado a retornar ao trabalho oito dias depois
Trabalhadores da empresa FAB FER – Comércio e Indústria, localizada no Pólo Industrial de Viana, denunciam a direcção por maus-tratos e condições degradantes de trabalho. Segundo relatos, a administração da empresa, composta por cidadãos de nacionalidade indiana, tem submetido mais de 50 funcionários a situações semelhantes à escravidão.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com informações apuradas pelo jornal Na Mira do Crime, no dia 11 de Março do presente ano, uma denúncia feita por um funcionário revelou abusos praticados dentro da fábrica, que se dedica à produção de utensílios metálicos como chapas de zinco e pregos. Após a publicação da matéria por este jornal, uma equipa do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Viana deslocou-se ao local para averiguar a situação.
Os trabalhadores contam que, mesmo após a visita do SIC, as condições não melhoraram. "No dia seguinte, o indiano conhecido por Gorou zombou de nós, dizendo que podemos reclamar onde quisermos, relataram", denunciaram.
Segundo eles, desde então, a repressão só aumentou.
Um dos casos mais graves citados é o de Lucas Ndatula, funcionário da linha de produção de tubos, que sofreu um acidente e perdeu três dedos da mão esquerda. "A direcção não prestou qualquer tipo de apoio", lamentaram.
"Após apenas oito dias de repouso, obrigaram-no a voltar ao trabalho, mesmo com ferimentos graves", denunciaram os colegas.
Outro acidente semelhante envolveu Luvumbo Sebastião, também lesionado durante o trabalho no ano passado. Os trabalhadores afirmam que a empresa, mais uma vez, não prestou assistência.
Os funcionários acusam ainda o gerente fábrica, Eduardo, de nacionalidade angolana, de conivência com os patrões estrangeiros.
Ele prefere proteger os patrões e até esconde algumas situações da direcção, afirmaram.
Ao ser contactado pela equipa de reportagem do Na Mira do Crime, o gerente Eduardo reagiu com arrogância e ofensas verbais contra o jornalista. Em busca de contraditório, o jornal procurou também o director-adjunto de Recursos Humanos da empresa, Adriano Tomás, que alegou desconhecer os factos.
Muitas vezes não temos conhecimento do que se passa porque o gerente não nos informa. Vou apurar e depois retorno com informações, declarou.
Diante do cenário descrito, os trabalhadores pedem a intervenção urgente das autoridades governamentais para pôr fim aos abusos e garantir o respeito pelos direitos laborais na empresa.








