Polícia no Uíge acusada de ocultar informações sobre a morte de um cidadão vítima de agressão física 'nas celas'
Os efectivos da Polícia Nacional destacados na Esquadra Municipal do Uíge, província com o mesmo nome, estão a ser acusados de ocultarem informações sobre a morte de um cidadão que em vida atendia pelo nome Samuel André Fernando, de 23 anos de idade, residente no bairro Kakiuia, que se encontrava detido naquela Unidade de polícia, e terá sido vítima de agressões físicas, tendo resultado em morte.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A acusação parte dos familiares da vítima, que explicam que tudo começou com a detenção do malogrado, na Esquadra do bairro Papelão, no dia 10, acusado de ter furtado um telemóvel.
O tio da vítima, Francisco Fernandes, disse ter se recebido através de uma ligação telefónica, no mesmo dia, por parte de um investigador afecto a Esquadra acima citada, a informar que o sobrinho e um dos seus amigos, identificado apenas por "Rambo" , estavam envolvidos no furto de um telemóvel.
"Visto que não me encontrava em casa, orientei o meu irmão a dirigir-se com o rapaz a Esquadra e saber o que na verdade se passava, e acabou detido por ter confirmado o seu envolvimento no furto", contou.
O tio avançou que a família chegou a colaborar com a polícia no sentido de localizar o Rambo, tendo sido detido no domingo, dia 11 do mês corrente.
"Na segunda-feira, dia 12, na Esquadra, fomos informados que o Rambo havia fugido da cela e o meu sobrinho teria que ser evacuado para o Comando Municipal da Polícia no Uíge, por ter sido instaurado um processo disciplinar ao carcereiro que permitiu a fuga do outro detido", explicou.
Transferido para o Comando Municipal, realçou, "sempre nos fizemos presentes ao Comando desde quinta-feira a domingo, dia 18, para deixar a comida. Mas na Segunda-feira, dia 19 de Maio, quando as minhas sobrinhas foram levar a comida, foram informadas de que o Samuel morreu no sábado, dia 17, vítima de espancamento na cela, mesmo após ter sido socorrido pelo INEMA para o Hospital Municipal", lamentou.
O tio, em declarações ao Na Mira do Crime, disse ter perguntado sobre as razões da informação não ter sido passada atempadamente.
"Mas como pode ser possível receberem a comida de alguém que já se encontrava morto e, ainda, por ignorância não nos informaram?" Questionou.
Diante dos factos, a família recorreu a Inspeção, onde terá remetido um documento no sentido de serem recebidos pelo Comandante Provincial.
"O documento foi assinado por mim e prometeram encaminhar, depois notamos que não haviam encaminhado. Então fomos ao Comando Provincial, infelizmente fomos informados que o Comandante se encontrava em serviço no município do Kitexi", disse.
Acrescentou, "pedimos que falássemos com o Segundo Comandante, mas a secretária alegou não ser possível porque o nosso caso já se encontrava com o Procurador, portanto, notamos que o caso estava a ser encobertado para não chegar ao Gabinete do Comandante Provincial", suspeitou.
Na sexta-feira-feira, 23, dada as voltas, voltaram a Esquadra Municipal, e contactaram o Procurador identificado por José Tomé.
"Disse que os implicados já tinham sido ouvidos e orientou que fizéssemos o registo dos gastos para posteriormente ser remetido ao seu Gabinete, para que os agressores fossem responsabilizados", explicou.
Em cumprimento com as orientações do Procurador, a família efectuou diligências na aquisição dos documentos e a criação de condições para o funeral, que foi realizado no último sábado, dia 24, no Cemitério do Juca.
" O Boletim do óbito diz que morreu por trauma craniano. Mas pedimos as entidades competentes no sentido de nos ajudar a conversar com o Comandante Provincial, provavelmente ele desconhece a situação e o Comando Municipal do Uíge quer fugir das suas responsabilidades, por isso é que nos estão a impossibilitar o encontro com ele", pediu o tio.








