Subinspector da Polícia detido na Huíla por liderar grupo de marginais que assassinavam pacatos cidadãos
Um efectivo da Polícia Nacional, identificado como Mateus dos Santos, com a patente de subinspector, está a ser acusado de liderar um grupo de marginais que realizavam assaltos com recurso a arma de fogo, e assassinaram várias pessoas em diversos bairros do município da Matala, província da Huíla.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
Em declaração exclusiva ao Na Mira do Crime, o comandante da Polícia Nacional na Matala, Superintendente-chefe, Isaac Alegria Chivela, esclareceu que a detenção do subinspector ocorreu na sequência de um assalto que culminou com o roubo de 170 mil kwanzas e o homicídio de um cidadão.
“Conseguimos deter os presumíveis marginais envolvidos na morte deste cidadão. Durante os interrogatórios, ao perguntarmos sobre a origem da arma usada no crime, os detidos invocaram o nome do nosso colega, subinspector Mateus dos Santos”, esclareceu o comandante.
O oficial referiu ainda que, ao assumir a chefia do comando da Polícia Nacional na Matala, já encontrou o referido efectivo a exercer funções na área de informações policiais. Contudo, em função de informações menos abonatórias, decidiu retirar-lhe a pistola de serviço e transferi-lo para outras funções no destacamento próximo a barragem hidroelétrica local, onde já trabalhava há cerca de oito meses.
“Naltura, orientei um chefe daquele destacamento para que controlasse toda a movimentação do efectivo, por suspeitar de alguma ligação com actividades ilícitas, embora até então não tivéssemos provas concretas”, frisou o comandante.
Revelou que, desta vez, os indícios são claros. "Os marginais detidos afirmaram que, em vários assaltos realizados, o armamento foi fornecido directamente pelo subinspector agora detido", declarou.
“Para confirmar os factos, colocámos o subinspector frente a frente com os marginais. Sem mais argumentos, admitiu que adquiriu a pistola através de um efectivo das FAA, há cerca de seis ou sete meses”, realçou.
Numa das acções criminosas, envolvendo o roubo de uma motorizada, com recurso a arma de fogo, o subinspector terá convidado marginais provenientes da província de Benguela para executarem o assalto.
Segundo relatos, após a venda da motorizada, o compromisso era receber 112 mil Kwanzas dos marginais, em troca da arma.
No entanto, o valor nunca foi enviado, e os marginais retiveram a pistola, que ainda se encontra, alegadamente, em posse deles.
"A última vez que forneceu uma arma aos marginais foi no final do mês de Março. Perante a gravidade da situação, orientei de imediato a sua detenção”, sublinhou o comandante Chivela.
Actualmente, está em curso um processo disciplinar que será remetido ao Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, com proposta de despromoção ou expulsão, caso se prove as acusações do efectivo em causa, devido à gravidade dos factos.
"O subinspector já foi ouvido, e está legalmente detido, o caso foi participado ao Ministério público e de seguida a Procuradoria Militar para os devidos trâmites judiciais", sentenciou.








