Por pouco não rebentou os testículos - Segurança do condomínio Kudi Temo agredido por um brigadeiro das FAA no Lar Patriota
Um jovem de 35 anos de idade, que prefere não se identificar, funcionário da empresa de segurança privada Protec Segur, que presta serviço no condomínio Kudi Temo, foi agredido por um brigadeiro das Forças Armadas Angolanas (FAA) com socos e ponta-pés nos testículos, enquanto trabalhava.
Por: Carlos Quicuca
O facto ocorreu na passada terça-feira, 27, por volta das 19 horas, no interior do referido condomínio, quando o segurança e o seu colega notaram que havia um carro parado no contorno de acesso ao condomínio, que pertencia à esposa do brigadeiro, que
supostamente se estava em estado de embriaguez e não conseguia fazer o contorno, criando, assim, constrangimentos para outros vizinhos.
Acompanhada de sua irmã que estava em uma outra viatura, sem motivos aparentes, começou logo a chamar nomes, e a insultar os seguranças.
Posta em casa, ligou para o marido que é brigadeiro das FAA e contou que um dos seguranças a tinha ofendido e chamado nomes ofensivas a ela.
Minutos depois, a suposta irmã veio até aos seguranças e questionou se alguém a tinha ofendido, mas estes explicaram o que, na realidade, tinha acontecido.
Às 22 horas, os seguranças foram surpreendidos por um senhor fardado com as patentes de brigadeiro que, sem fazer muitas perguntas, começou logo a agredir o segurança com socos e ponta-pés nos testículos.
O momento foi filmado, com as ameaças de morte a evidenciarem-se. O segurança foi obrigado a abandonar o seu posto de serviço, por alguns minutos. Quando voltou, encontrou recados aterrorizantes. Ou seja, que não podia ser visto naquele local sob pena de ser morto.
O segurança que é estudante do segundo ano do curso de Direito, pede que seja feita justiça.
A equipa do Na Mira do Crime conseguiu identificar o brigadeiro que se chama Eugénio Pascoal, cuja esposa é conhecida por Raquel Pereira.
Ao telefone, contaram a sua versão dos factos. Raquel Pereira disse que nessa terça-feira, às 19 horas, chegou ao condomínio onde vive e apercebeu-se que tinha esquecido do cartão de acesso à catraca e o segurança não a deixava entrar, mesmo sabendo que eles tinham o número de matrícula dos moradores do condomínio.
"Entretanto, havia uma outra moradora à minha frente que decidiu me ajudar. Só que, ao fazê-lo, riscou o seu carro e fiquei um pouco chateada, porque ela só riscou o carro porque queria me ajudar", disse, descrevendo que, depois de entrar, cumprimentou e perguntou ao segurança se não a conhecia, e este respondeu positivamente, para o desagrado da senhora que questionou o facto de não a ter ajudado a abrir a catraca.
Na óptica do segurança, se a senhora não tem cartão de acesso, ele não pode fazer nada, pelo que pediu para ela encostar porque estavam outros moradores querendo entrar.
Já o brigadeiro Eugénio Pascoal fez saber que depois de ser informado pela sua esposa sobre a ocorrência, dirigiu-se até ao posto de guarda à procura de explicações. No terreno, o segurança não terá colaborado, segundo o acusado.
"Toda a minha reação deveu-se ao comportamento do segurança que terá dirigido insultos à minha esposa, em frente dos meus filhos", justificou.
Em relação às ameaças de morte, o brigadeiro assegura serem todas infundadas.
O caso já é do conhecimento da esquadra do Onga, no Lar Patriota.








