Entrar na corporação por 200 mil Kwanzas – 2º Comandante da Escola dos Bombeiros acusado de burlar um amigo
Um cidadão apenas conhecido por Zepi deu 200 mil Kwanzas, ao Segundo Comandante da Escola de Bombeiros, identificado como Pedro Adão Silva, em 2022 na qualidade de seu amigo de infância, com o objectivo de arranjar uma vaga na corporação. Passaram-se 3 anos, a promessa não foi cumprida e o dinheiro não foi devolvido.
Por: Solange Figueira
Zepi precisava de emprego e essa luta não tem sido fácil. Apercebendo-se que havia possibilidade de se obter emprego, no Ministério Interior, mais precisamente nos Serviços de Protecção e Bombeiros, recorreu a um amigo de infância que, sendo efectivo dessa corporação, achou que poderia ajudá-lo.
Este, por sua vez, mostrou ao amigo que estava à altura satisfazer a necessidade. Para o efeito, tinha de se pagar 200 mil Kwanzas para se conseguir uma vaga nos bombeiros. Estava-se em 2022 e, de lá para cá, foi alimentando as esperanças de um dia sair-se premiado do negócio.
O tempo passou e em 2025, fruto de muitas voltas, Zepi decidiu confrontar o seu amigo de forma mais pungente para, pelo menos, devolver o dinheiro, já que levar avante a incorporação nos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros afigurava-se uma miragem. Uma das medidas que tomou foi a de recorrer a este Jornal.
Depois de se inteirar do problema, a nossa equipa de reportagem contactou o acusado, Pedro Adão Silva, que reconhece ter recebido o dinheiro em causa, porém, deu a um colega, seu superior, com competências para enquadrar pessoas nos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros.
"Há pessoas com um espírito que, quando querem me destruir, vêm como cobertor. Com o novo Ministro do Interior, tudo mudou. Tenho 20 anos de serviço, tenho várias formações em chefia e liderança, sou formado em psicologia criminal, nunca roubei ninguém, nunca burlei ninguém”, vincou, confessando que nos anteriores ministros, meteu três irmãos seus no Ministério do Interior; nunca teve problemas de burla; já foi corrompido até com dois milhões, mas não aceitou. “Já enquadrei várias pessoas sem pedir nada em troca”, sublinhou.
Ele diz que só recebeu os respectivos valores monetários, porque o queixoso insistiu muito, dizendo que estava a precisar de emprego. “Eu disse-lhe que não sou ninguém para arranjar esse tipo de emprego; passaram-se anos sem o ver”, afirmou para depois reconhecer que errou por não ter devolvido o dinheiro ao velho amigo.
Adiantou que até agora não pagou o dinheiro na totalidade, porque fez crédito e está a ser descontado mensalmente. Ainda assim, pretende liquidar a dívida em prestações. “Hoje, liguei para o Zepi, fiz-lhe um levantamento sem cartão de 50 mil; tenho intenção de dar 40 mil nesta ou na próxima semana. Não vivo do dinheiro dos outros, vou tirar mesmo do meu salário todos os meses até concluir”, certificou.








