"Deus dos Vistos" e Pastor da Igreja Pentecostal acusados de 'encaixarem' mais de 30 milhões de kwanzas com emissão de vistos falsos destinados ao Brasil
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Luanda, deteve, na manhã desta segunda-feira (02), no município do Kilamba Kiaxi, dois cidadãos nacionais, de 38 e 40 anos de idade, implicados nos crimes de associação criminosa, falsificação de documentos e emissão de vistos de viagem falsos. Com esta acção, os acusados causaram prejuízos avaliados em aproximadamente trinta e seis milhões e quatrocentos mil kwanzas.
Por: Solange Figueira
O caso aconteceu no dia 20 de Maio, na comuna do Golf, bairro Baquita Coxe, após uma denúncia anónima que alertava sobre a actuação de indivíduos especializados na falsificação de documentos, incluindo vistos de viagem.
De salientar que, um dos acusados, é pastor da Igreja Pentecostal, localizada no bairro da Mabor, no município do Cazenga.
O cidadão Óscar, de 59 anos de idade, uma das vítimas, explicou que procurou o indivíduo identificado como "Deus dos Vistos", no bairro Mabor, com o objectivo de adquirir vistos para à República Federativa do Brasil.
“Paguei um milhão de kwanzas por cada visto, há um mês, para quatro membros da minha família. Não sabia que os vistos eram falsos, queria viajar para o Brasil. Só descobri quando o SIC me contactou. Por causa disso, perdemos a viagem marcada para o dia 1 de Junho. Quero o meu dinheiro de volta, esses criminosos arruinaram a minha vida", desabafou.
João Francisco, conhecido como "Deus dos Vistos", disse que foi apanhado de surpresa e apontou o pastor Dinumene, também conhecido por “Dilo”, como o principal autor do crime e líder do grupo de falsificadores.
“Não sou culpado, se eu fosse criminoso estaria preso, não emiti vistos, apenas arranjei seis clientes. Cobrei um milhão e trezentos mil kwanzas por pessoa, conheço o pastor por ser irmão do meu amigo", declarou.
O pastor Dinumene, por sua vez, alega ser inocente e acusa João Francisco de estar a protegê-lo:
"O Deus dos Vistos só não está preso porque pagou ao SIC. Eles trabalham para ele, por isso me acusa. Sou pastor da Igreja Pentecostal, mas também sou cabeleireiro e esteticista. Conheço o João Francisco por intermédio do meu irmão. Ele trabalha nisso há muito tempo e é conhecido por todos", acuso.
"Não sou líder de nenhuma facção, sou cliente dele. Queria viajar e precisava de três vistos. Paguei dois milhões ao Deus dos Vistos. O meu erro foi ter-me envolvido com ele. Estou arrependido”, atirou.
Outro acusado, é o senhor Joel, que alegou que apenas entregava passaportes para um amigo identificado como Alex, que lhe pagava entre 15 e 20 mil kwanzas por semana.
“Cometi o erro de confiar no Alex, sou técnico de refrigeração, também conheço o pastor Diló porque já lhe entreguei passaportes na Shoprite do Palanca. Faço isso há dois meses. Estou muito arrependido, vivo no Cazenga e colaborei com a polícia, mostrei a casa do Alex, que fugiu. Estou detido desde o dia 20 de Maio", defendeu - se.
Com os acusados foram apreendidos os seguintes meios:
49 passaportes nacionais, duas impressoras (tipo scanner, um computador de mesa, 22 selos de vistos e outros materiais de apoio para falsificação de vistos de viagem para a República Federativa do Brasil.
O SIC Luanda alerta a todos os cidadãos que, apenas instituições devidamente autorizadas podem emitir vistos ou acompanhar processos migratórios, e apela à população a ter maior cautela na procura desses serviços.








