Lubango: Administrador do bairro Kwawa e seis activistas acusados de vender cemitério com mais de dois mil corpos sepultados
O administrador do bairro Kwawa, situado no município do Lubango, província da Huíla e seis activistas, entre eles um ex-coordenador da zona 11, estão a ser acusados de vender um cemitério em funcionamento, criado em 1980, onde se estima que aproximadamente dois mil e 500 corpos estejam aí sepultados.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com o denunciante, Henriques Rufino Tchidjamba, coordenador da zona 10 na Tchimucua, bairro do Kwawa, estes elementos têm vandalizado o cemitério local, mesmo sendo histórico, porque atende às necessidades do povo há 45 anos.
Frisou que, volvido esse tempo, o bairro, que era considerado rural, é actualmente urbano e puramente habitado, com uma média de três funerais por dia.
Referiu que, olhando para o quadro da característica social deste povo, nem todos conseguem realizar funerais no Mutundo ou na Eiva.
“Esse cemitério é que responde às necessidades da população”, sublinhou.
Realçou que o grupo de seis pessoas tem-se intitulado como donos desta área do cemitério, marcando com tacas e colocando cabocos, incluindo carradas de pedras, com o intuito de construírem habitação.
“Constitui um acto imoral e de menos ética”, referiu, considerado que isso chamou a atenção da população.
“Demos volta à situação e concluímos que se trata de usurpação a um património público. Juntos com o povo, temos reagido e vamos reagir", avisou, acrescentando que o objectivo é que esses indivíduos sejam desencorajados a venderem o cemitério, a ocuparem o cemitério como zona residencial e sejam também responsabilizados judicialmente.
Revelou que já reuniram e levaram o caso à administração do bairro Kwawa, mas, após sete meses, não receberam qualquer resposta e não notam vontade da administração local em resolver o problema.
“Tomamos conhecimento de que os supostos activistas continuam a ir à administração do bairro com documentos forjados e falsos, passando-se por verdadeiros donos, e a administração tem-se revisto neles”, denunciou.
Apontou que o grupo é identificado e liderado por José Pedro Tchibinda, um funcionário eventual do urbanismo, com o seu auxiliador Belchior Mundi Catimba, Dinho Bumba Quiteque e Daniel Mbala Muatuvanga, este último ex- coordenador da zona 11, vizinha da zona 10.
“É este que passou a cedência, é este que está a se entender com este grupo de vendilhões do património público”, acusou.
Segundo o denunciante, os activistas estão a ser acusados de vender 24 lotes de terra pertencentes a viúvas e idosos, afectando um agregado de mais de cem famílias, que perderam suas terras com o intuito de revender.
Alertou que o administrador do bairro, quando tomou posse, foi avisado a não se aliar com esse grupo, mas infelizmente "também lhe cederam alguns lotes de terra, e actualmente partilha da mesma ideia com os activistas".
Denunciou ainda que faz parte dessa rede criminosa um funcionário da IGAE, cujo nome não foi revelado. "Após tentar acompanhar o caso, foi aliciado com um espaço onde ergueu uma residência de bloco, sem licença de construção", o que, segundo ele, significa uma construção ilegal.
A mesma fonte assegurou que tanto o responsável da Rotur quanto o administrador municipal adjunto do Lubango, recusam-se a fiscalizar a área, por serem coniventes com essas práticas de usurpação de terrenos.
Diante dessa situação, advertiu que, caso o problema não for solucionado, outras medidas poderão ser tomadas, uma vez que as viúvas e idosos estão indignados com o comportamento dos envolvidos, assim como a população em geral.
"Queremos que as autoridades competentes resolvam o problema o mais rápido possível, no sentido de garantir maior tranquilidade às famílias afectadas."
Para apurar os factos, o Na Mira do Crime ouviu os activistas, que negaram categoricamente as acusações feitas pelo coordenador da zona 10.
O ex coordenador da zona 11, Daniel Mbala Muatuvanga, esclareceu que assinou o documento de cedência do referido espaço com a anuência do antigo administrador do bairro, Francisco Rodrigues Jaime.
O Na Mira do Crime também contactou o administrador do bairro Kwawa, José Saldanha, acusado de proteger os activistas a favor da venda do cemitério e das terras pertencentes a viúvas e idosos. Este, por sua vez, recusou comentar o assunto.








