Dois detidos da Esquadra 37 em Cacuaco terão perdido a vida após serem brutalmente espancados por supostos Efectivos do DIIP
Dois cidadãos nacionais que em vida atendiam pelo nome Hilário Manuel Alberto Jorge "Papy", de 27 anos de idade e Adriano César Capingano "Telé'', de 29 anos, residentes no bairro Forno do Cal, municipio de Cacuaco, terão morrido em consequência de agressões físicas praticadas por supostos agentes do Núcleo do DIIP, destacados na Esquadra 37, afecto ao Comando Municipal de Cacuaco, enquanto estiveram detidos naquela Unidade Policial.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo as família das vítimas que falaram em exclusivo aos microfones do Jornal Na Mira do Crime, os jovens exerciam a actividade de lotador de viaturas, numa das paragem de táxi da vila de Cacuaco, e morreram vítimas de espancamento, em dias distintos.
Papy terá morrido nas celas no dia 31 do Maio e Telé acabou por morrer no sábado, 14 do mês em curso, após sessão de espancamento, tendo sido posto em liberdade em situação grave de saúde.
Explicaram que na passada quarta-feira, 28 de Maio, um grupo de lotadores envolveram-se em briga com dois indivíduos, identificados apenas por "Calili'' e" Dari'', pescadores da zona do Bairro dos Pescadores.
A briga começou quando um dos pescadores terá acusado um dos lotadores de ter furtado o seu telemóvel.
Um dos lotadores que testemunhou os factos, disse que a discussão envolveu momentos de lutas e só terminou quando foi feita uma ligação telefónica ao número e descobriu-se que o proprietário terá esquecido o aparelho numa das bancadas.
"A briga terminou e tudo ficou calmo, de repente apareceu um carro com o Calili e o Dari, acompanhado de uns jovens armados, a fazer recolhas na placa, levaram quatro membros da Placa, mas o Papy só foi levado porque estava no local e hora errada, ele nem sequer viu a luta", contou o jovem.
Segundo Lucas Jorge, irmão do Papy, após tomar conhecimento da detenção, a família dirigiu-se até a Esquadra onde haviam sido levados.
"O Chefe Lázaro informou-me que foram detidos por agressão e furto de telemóvel, mas caso fosse entregue 50 mil Kwanzas, teriam sido soltos, mas na altura não tinhamos a possibilidade de pagar", contou.
Um dos detidos envolvido na confusão, que pediu o anonimato, contou que na sexta-feira, dia 30, as vítimas foram retiradas da cela a pedido dos queixosos e levados em parte incerta.
"Eles deram uma banheira de peixe aos policias, levaram o Papy e o Telé, quando eles voltaram estavam tipo loucos, disseram que colocaram sacos pretos na cabeça e foram torturados. O Papy até desmaiou, pedimos socorro, mas um deles ainda colocou o cano da arma na porta e disse que se voltássemos a gritar teria nos matado", explicou.
Acrescentou que, no dia seguinte, sábado, a situação tomou contornos desagradáveis, quando notaram que um dos agredidos estava sem sinais vitais.
"Eles não estavam bem, estavam tipo loucos, parece que a surra foi demais, depois vimos que o Papy já não estava a respirar, gritamos, gritamos e gritamos a pedir ajuda, só mais tarde é que eles pegaram os dois e os levaram, mas o Papy já estava morto", recordou.
Os familiares disseram que tomaram conhecimento da situação, por meio de uma ligação telefónica a partir dos colegas das vítimas.
"Eu ainda estive lá de manhã, ouvi os gritos de socorro mas não me deixaram chegar até a cela, ainda pedi que levassem eles ao hospital, mas nada. Ficamos a saber que o meu irmão morreu porque um jovem que se encontrava na mesma cela, e tinha sido solto, lhe conhecia, e foi avisar na placa, por volta das 13 horas", revelou o irmão.
"Fui a Esquadra, disseram não podiam informar nada, tínhamos que ir ao Comando Municipal, mas já sabíamos que ele morreu, por isso permanecemos ali até a noite, mas eles não confirmaram nada. Domingo, fui ao comando e o homem do SIC nem sequer sabia do caso, mas acompanhou-me até a esquadra da 37 para saber o que realmente estava a se passar", acrescentou.
"Ficamos muito tempo na referida esquadra, porque a informação que vinha é de que nenhum detido havia morrido e estava tudo sob controlo. Mas quando nos dirigimos à morgue, encontramos o corpo do meu irmão, e segundo informações dos seguranças, teria sido a policia que efectuou o depósito e registado o corpo como desconhecido", lamentou.
"Mais tarde os outros três foram transferidos para o Comando Municipal, e foram soltos na terça-feira, dia 10 de Junho, infelizmente teve que ser pagar os 50 mil Kwanzas", deplorou.
A situação de saúde do jovem Telé começou a piorar, e apresentava alterações psicológicas, como conta Maria, sua esposa.
"O corpo começou a inchar e não reconhecia perfeitamente as pessoas, no sábado as coisas pioraram e ele morreu. Não sei o que fazer com estes três filhos que ele deixou, o mais pequeno só tem um ano de idade", lagrimou.
Adriano César Capingano "Telé", foi a enterrar na manhã desta terça-feira, 17, não tendo sido possível a realização da autópsia.
"Não tinhamos condições de aguentar com os gastos do óbito até que a autópsia fosse feita, mas tudo indica que eles foram mesmo torturados, porque o resultado da autópsia do meu irmão, Hilário Manuel Alberto Jorge 'Papy, diz que a causa foi traumatismo por objectos contundentes", afirmou.
Nesta segunda-feira, 16, a nossa reportagem contactou por via telefónica o Intendente Quintino Ferreira, porta voz da DIIP, e este prometeu pronunciar-se a qualquer momento.








