Diz que até falsificou documentos para "dar certo": Suposto capitão acusado de burlar mais de 1 milhão e meio de kwanzas para enquadrar 10 pessoas nas FAA
Um suposto efetivo das Forças Armadas Angolanas (FAA), que responde pelo nome João Jorge, que ostenta a patente de capitão, colocado no DRM- Grafanil, morador na zona do Papá Simão, município de Cacuaco, está a ser acusado de burlar 1 milhão e 600 mil kwanzas a dez pessoas, com promessas de enquadramento nas FAA.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, uma das vítimas, de nome Adelino da Fonseca Kalombe, contou que no mês de Novembro de 2023, decidiu visitar um amigo, também militar, no quartel onde está supostamente colocado o acusado, que lhe apresentado pelo seu amigo, como sendo capitão das FAA.
Acrescentou que, após conhecê-lo, durante a conversa que mantiveram, o acusado garantiu que tinha capacidade de enquadrar pessoas no exército.
"Ao ouvir aquilo, fiquei comovido e solicitei uma vaga para o meu filho, e ele me cobrou 150 mil kwanzas", disse.
Informou também que, após ter entregue o dinheiro para a vaga do filho, o acusado propôs mais vagas para outras pessoas.
A vítima achou conveniente colocar os seus nove sobrinhos, totalizando 10, e teve que pagar uma quantia de Akz 1 milhão e quinhentos mil.
Realçou que, depois de pagar os valores, o acusado ainda pediu mais 100.000 kwanzas, alegando que levaria os candidatos à província do Cuanza Sul, onde seriam enquadrados.
"Depois de dar o dinheiro, ele os levou até aquela província apenas para passear e, tão logo retornaram, começou com as voltas, inclusive já não atende o telefone", frisou.
Avançou que, ao notar as voltas, decidiu relatar a situação na seção do DIIP na esquadra das Quinhentas Casas e, consequentemente, abriu um processo com o número PN-927/25.
Segundo a vítima, já se passaram quatro meses desde a abertura do processo, e, infelizmente, o mesmo processo encontra-se engavetado naquela Esquadra.
Respeitando o princípio do contraditório, o Na Mira do Crime contactou o acusado por via telefônica.
Sem rodeios, o suposto capitão admitiu ter recebido 1 milhão e 300 mil kwanzas para o efeito, e não o valor frisado.
"Eu levei os candidatos até ao Cuanza Sul, mas não foram enquadrados porque as idades já não eram abrangentes e durante os dias que ficamos lá, gastávamos o mesmo dinheiro", justificou.
Confessou ainda que, ao retornarem a Luanda, levou os documentos dos seus candidatos até ao famoso Pau Grande, no município do Cazenga, onde adulterou as idades para o enquadramento.
Mesmo assim não obteve sucesso, porque foi detectado que os documentos eram falsos.
Questionado se é normal e comum falsificar documentos para enquadrar alguém no exército, o capitão afirmou que é a realidade do país, alegando que muita gente já passou por esse processo para se tornar militar.
O acusado concluiu que ainda se deslocou à sua província, Cuanza Norte, tentando a sorte dos seus candidatos na Polícia Nacional, através de alguns amigos, mas também sem sucesso.








