Administração da ZEE.EP acusada de pretender despedir 50 trabalhadores e substituí-lo por empresa privada
Manuel Francisco Pedro, Presidente Conselho de Administração da Zona Económica Especial Empresa Pública (ZEE.EP), tutelada pelo Ministério do Comércio e Indústria, está a ser acusado de pretender despedir mais de 50 funcionários da área técnica com mais de 10 anos de trabalho, após contratar a empresa Setec Utilities, S.A., actual responsável pelos serviços técnicos, para fins obscuros e com a anuência dos seus coadjuvantes.
Por: Kihunga Bessa
Falando em exclusivo ao Na Mira do Crime, o colectivo de trabalhadores responsáveis pela área técnica informou que a ZEE, sendo gestora de espaços infra-estruturados, tinha como política a venda de terras, transportes e assim reforçar as fontes de receitas para a empresa.
Continuaram afirmando que, mesmo com um défice nas contas da empresa, sem definir uma data específica, esta decidiu contratar a Setec Utilities, S.A., uma empresa privada para prestar serviços técnicos já aí existentes.
"Eles contratam a empresa privada para sobrefacturação, visto que até então os serviços eram realizados por nós, e com a chegada daquela empresa, os serviços que nós fazíamos passaram a ser feitos por ela e nós somos obrigados a trabalhar juntos, passando a nossa experiência aos outros, para, de seguida, sermos despedidos", frisaram.
Os trabalhadores revelaram que desde a chegada da empresa privada, todos os serviços técnicos prestados a ela são cobrados a valores monetários elevados, enquanto os serviços realizados pelos técnicos da ZEE são feitos de forma gratuita.
Segundo os funcionários, no dia 16, foram surpreendidos com uma informação inesperada por parte do Administrador da Zona Económica Especial (ZEE E.P.), Amor Belo Vinevala Sitongua, que terá reunido com a Direcção de Infra-estruturas e Manutenção (DIM), alegando que haverá despedimentos em massa, começando pela área técnica, com mais de 50 funcionários devido à alegada incapacidade financeira da empresa.
"Eles nos disseram que a ZEE está falir e não realizará mais trabalhos de manutenção porque haverá uma reestruturação por parte da empresa, alegando que ficará apenas gerindo o espaço, o que é visto como pretexto, pois afirmam que a empresa está sem dinheiro para pagar muitos trabalhadores, daí a razão dos nossos despedimentos", realçaram.
Aqueles funcionários que se preparam para ficar sem pão à mesa a qualquer momento atestam ainda que o plano de despedimentos é da direcção geral da ZEE, começando pelo PCA, Manuel Francisco Pedro, e seus coadjuvantes, nomeadamente Carla Silvestre, Amor Belo Vinevala Sitongua, Lourenço Cambanja e Adriano Celso Borja, todos com cargos-chave.
Acrescentaram que a notícia não foi bem recebida pelos trabalhadores, que, imediatamente, convocaram uma assembleia geral dos trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, no dia 20 deste mês. Durante a assembleia, junto da comissão sindical, analisou-se a proposta apresentada pela direcção da empresa, que tem um prazo de 30 dias para demissão em massa dos trabalhadores.
"Após a assembleia realizada, aguardamos apenas a comissão sindical, que poderá discutir com a direcção da empresa sobre possíveis soluções para manter os funcionários em seus postos de trabalho", concluíram.
O jornal Na Mira do Crime contactou a direcção da referida empresa através de uma carta remetida no dia 27 de Junho do ano em curso para aferir a veracidade das acusações, mas sem sucesso.








