Homenageado pelo PR sem o devido esclarecimento sobre o que motivou a sua execução: Assassinos do oficial de inteligência do SIE “Sebastião Maria de Sousa Penelas” continuam impunes
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, homenageou nesta quinta-feira, 03, na classe “Paz e Desenvolvomento”, o antigo oficial da secreta angolana, Sebastião Maria de Sousa Penelas, de 63 anos de idade, desaparecido desde o dia 17 de Outubro de 2023, e executado uma semana depois do seu desaparecimento por pessoas até agora desconhecidas. Este facto desperta suspeitas sobre às causas da sua morte e por que é que o caso até ao momento não foi esclarecido pelo Serviço de Investigação Criminal.
Por: Ngunza Chipenda e Lito Dias
A morte do empresário Sebastião Maria de Sousa Penelas, dadas as circunstâncias em que ocorreu, fez correr muita tinta neste jornal, pois trouxe à luz elementos suficientes para questionar às reiais motivações do seu bárbaro assassinato, principalmente por ser um individuo ligado a secreta angolana.
Penelas foi um funcionário sénior do Serviço de Inteligência Externa (SIE), que, segundo fonte deste jornal, terá sido alvo de uma cabala e perseguição interna.
Apesar de ser reformado, de acordo com a nossa fonte, havia sido chamado pelo Director Geral do SIE, Embaixador Bertino Matondo (BM) para assumir a cadeira máxima (PCA) da PROJEM Empreendimentos e Participações, por alegada orientação superior.
A PROJEM é uma suposta empresa de fachada dedicada a operações financeiras do Serviço de Inteligência de Angola, que movimenta milhões de dólares "injustificáveis", tendo tais operações realizadas em Cabo Verde, Moçambique, África do Sul, Portugal e Angola, com vários hotéis, casas de câmbio, Imóveis e resorts.
Nesse negócio, refere a fonte, havia necessidade de se “calar a boca” de Penelas, por isso foi afastado várias vezes.
Terá sido por isso que, como castigo, foi enviado para a República Democrática do Congo como "Oficial de Inteligência Fechado", quando já era conhecido naquele país como "Oficial de Inteligência Aberto", visto que chefiou a Divisão de Cooperação e Intercâmbio.
De acordo com a fonte, na altura do seu desaparecimento, a mulher de Sebastião Penelas terá sido instrumentalizada para falar mal do seu marido, imputando-lhe mentiras que chocaram os seus familiares directos, e diz que não faz sentido um oficial sénior da Segurança de Estado, detentor de vários segredos de Estado, desaparecer por quase 15 dias e reaparecer morto com os seus pertences pessoais intactos na viatura sem nenhuma explicação do crime.
"Assistimos tanto tempo de antena na TPA aquando do desaparecimento, e nem sequer um minuto de antena vimos após o aparecimento do corpo", indicou a fonte.
A fonte lembra ainda que uma semana antes do desaparecimento de Penelas, consumou-se a exoneração de alguns Directores no SIE, para nomeação de outros com pouca experiência e conhecimento técnico, com realce das Direcções de Fiscalização e de Contra-inteligência, de formas a "amputar qualquer tentativa de investigações profundas".
Para a nossa fonte, se o SIE e SINSE se aplicassem a fundo, teriam encontrado o seu colega mais cedo, visto que ele estava em cativeiro.
Torturado até à morte
Um especialista em criminalística consultado pelo Na Mira do Crime na altura, disse que os sinais que o corpo do empresário Sebastião Maria de Sousa Penelas apresentava levaram a autópsia concluir que o empresário desaparecido às 22 horas do dia 17 de Outubro, depois de conviver com amigos num restaurante no Zango II, município de Viana, foi executado uma semana depois de desaparecer.
Pressupõe dizer que ainda viveu depois de oito dias do seu desaparecimento, e que traumatismo craniano encefálico é prova de que a agressão foi feita com objecto contundente, lê-se no certificado de óbito.
Com nostalgia, angustia, muita tristeza e lamentações, a família e amigos não compreendem as motivações de tão tamanha crueldade.
"Não sabemos o que Penelas fez para merecer tamanha barbaridade dado que era pai, irmão, esposo, tio, amigo e vizinho muito querido", questiona um amigo.
"Vivemos 14 dias na angústia, mas tínhamos esperança de voltarmos a ver o nosso irmão vivo hoje, mas nos foi negada essa possibilidade; hoje está morto da pior maneira de que um ser humano não se espera", disse António Penelas, irmão.
A autópsia revela que o estado avançado de decomposição em que o corpo foi encontrado não facilitou fazer-se a leitura da parte do corpo mais afectada com a pancada, mas deu-se conta que os assassinos atingiram a cabeça.
Mas cogita-se que foi morto noutro lugar. "As investigações continuam e nós não vamos descansar, enquanto não obtermos resultados e que os autores sejam identificados e justifiquem a razão de tanta barbaridade", advertiu um familiar.
O último amigo a falar com ele Francisco David Abrão, mais conhecido por Napoleão, foi um dos amigos que o viu pela última vez.
"Falar do Penelas é dizer que é um grande amigo e amigo dos amigos, grande camarada, com ele aprendi muito", lembrando dia do seu desaparecimento, "estivemos juntos das 17h20 às 22h40, homem de paz, grande senhor no verdadeiro sentido da palavra".
"Lembro-me quando dizia que já trabalhou em muitos países, sem revelar a ocupação", frisou.
Sabe o NA MIRA DO CRIME que o malogrado foi Presidente do Conselho Administrativo da Endiama, deu instrução na área de diamantes ao pessoal da Endiama e SINFO, foi delegado da TAAG em países como: Brasil, Portugal, África do Sul e Inglaterra.








