SIC detém brasileiras com cápsulas de cocaína dissimuladas no estômago e nos órgãos genitais
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), por meio do Departamento de Investigação Criminal do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, no âmbito das suas acções, procedeu, no dia 23 de junho, à detenção de uma cidadã de nacionalidade brasileira, de 33 anos de idade, empresária, acusada do crime de tráfico de droga. A mesma foi apanhada a transportar, na condição de mula, sessenta e três cápsulas de cocaína dissimuladas no estômago, sendo uma delas inserida no órgão genital feminino.
Por: Laurentino Tchatuvela
De acordo com o porta-voz do SIC-Geral, superintendente-chefe Manuel Halaiwa, a detenção ocorreu no momento do desembarque de passageiros de um voo da companhia aérea de bandeira nacional TAAG, proveniente de São Paulo (Brasil), com chegada às 05 horas.
Segundo o responsável, após análise do perfil da passageira por parte dos operacionais do SIC, esta foi submetida ao rastreio por raio-X, técnica conhecida como ‘bad scene’, onde foram detectadas substâncias estranhas no seu organismo.
Já na sala de observação, a cidadã expeliu a primeira cápsula, a maior de todas, que se encontrava inserida no órgão genital.
Halaiwa esclareceu que, após a confirmação da ingestão de outras cápsulas através do exame radiológico, a suspeita foi internada numa das unidades hospitalares de Luanda, onde, ao longo de oito dias, expeliu as restantes sessenta e duas cápsulas da droga do tipo cocaína.
A mesma recebeu alta médica no dia 30 de Junho, depois de concluído o processo de expulsão das cápsulas.
O superintendente-chefe realçou que, após análises laboratoriais realizadas com o método colorimétrico, as cápsulas testaram positivo para cocaína, tendo apresentado coloração azul.
A droga foi posteriormente pesada, totalizando 977 gramas de cocaína pura, ou seja, sem qualquer mistura.
Sublinhou que a cidadã já foi apresentada ao Ministério Público que, por sua vez, promoveu a sua apresentação ao juiz de garantia, com vista à aplicação da medida de coacção pessoal mais gravosa.
O porta-voz avançou ainda que, no momento em que era feita a apresentação do caso, outro semelhante foi detectado no mesmo aeroporto, também durante o desembarque de um voo da TAAG.
Tratava-se de outra cidadã de nacionalidade brasileira, de 43 anos de idade que, igualmente, na condição de mula, transportava cápsulas de droga tanto no estômago quanto no órgão genital.
Segundo Manuel Halaiwa, a referida cidadã confessou ter iniciado o processo de expulsão das cápsulas ainda durante o vôo, com duração aproximada de 7 horas e 45 minutos, proveniente do Aeroporto de Guarulhos (São Paulo - Brasil) para Luanda.
Durante o voo, a suspeita expeliu, na casa de banho da aeronave, algumas cápsulas que foram posteriormente encontradas com o auxílio da empresa de limpeza da aeronave. No total, foram recuperadas 27 cápsulas devidamente fita-coladas.
Na sequência das diligências, outras cápsulas foram encontradas no carro de transporte de dejetos da referida empresa, misturadas com excrementos.
Até ao momento, essa segunda mula já expeliu 64 cápsulas de cocaína. A mesma encontra-se internada numa unidade hospitalar, onde está a ser acompanhada milimetricamente até à expulsão completa das restantes cápsulas ainda presentes no seu organismo.
Frisou que o transporte de droga no estômago representa um grande risco à vida humana e que este não é o primeiro caso com esse modus operandi. Desde 2023 até à presente data, o SIC já deteve oito mulas que utilizavam este método, oriundas do Brasil, África do Sul e Namíbia e outras que circulavam com o produto no interior do país.
Informou ainda que a primeira mula está ligada a um cidadão de nacionalidade nigeriana, apontado como o receptor da droga, acrescentando que o SIC está a trabalhar com rigor para identificar e deter os demais envolvidos nesta rede de tráfico de droga.
"Vamos continuar implacáveis no combate a este tipo de crime. Todos aqueles que optarem por seguir este caminho criminoso, o SIC não terá outra alternativa senão actuar com firmeza, procedendo à detenção e responsabilização criminal, de acordo com o seu grau de envolvimento", participou.
Por fim, Manuel Halaiwa recordou que, no âmbito das acções de combate ao narcotráfico, o SIC procedeu recentemente à incineração de 295 quilos e 977 gramas de cocaína, no quadro das comemorações do dia mundial de Combate ao Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, assinalado a 26 de Junho. O acto visou alertar a sociedade para os riscos do consumo de substâncias psicotrópicas e entorpecentes que colocam em perigo a vida humana.








