Instituto Politécnico Evangélico do Lubango acusado de corrupção e falsificação de notas
Estudantes do Instituto Politécnico Evangélico do Lubango (ISPEL), na província da Huíla, dizem-se agastados com a gestão da instituição. Estudantes que procuraram o Na Mira do Crime, acusam a direção da escola de corrupção, falsificação de notas, atrasos na emissão de documentos e morosidade no atendimento aos estudantes.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com um dos estudantes que falou em nome dos seus colegas, sob anonimato, o ISPEL uma instituição de ensino superior de orientação religiosa, pertencente à União das Igrejas Evangélicas, tem demonstrado mais interesse em lucros do que na qualidade do ensino.
Explicou ainda que os professores recebem salários precários e enfrentam dificuldades no exercício da sua profissão.
"É raro acontecerem defesas, criam muitas burocracias, o estudante termina o curso, faz o estágio, elabora o anteprojecto e espera longos períodos para obter o diferimento. A monografia pode levar até seis meses para ser avaliada por questões de plágio, se o estudante não pressionar, pode esperar até um ano", lamentou.
Além disso, afirma que o sistema informático da instituição frequentemente apresenta falhas.
"Vai-se ao departamento dos assuntos académicos (DAAC) e demora-se até três meses para informarem que há cadeiras em atraso desde o primeiro ou segundo ano. Tudo isso só para atrasar a conclusão do curso e obrigar o estudante a fazer confirmação", acrescentou.
Uma simples declaração sem notas pode levar até seis meses para ser emitida.
Com notas, o processo pode levar um ano e mesmo assim vir com erros.
A emissão de certificados é outro problema, os estudantes dizem que raramente são entregues no prazo certo, e a cerimônia de outorga foi realizada apenas uma vez.
"Actualmente, há casos de notas desaparecidas e até de atribuição de classificações falsas a estudantes", denunciou.
Segundo a mesma fonte, no ano passado, duas turmas do curso de Enfermagem contrataram um advogado para representar os estudantes em um processo contra a instituição.
No entanto, alegadamente, o advogado foi subornado pelo ISPEL e o processo não avançou.
Os estudantes que lideraram a iniciativa acabaram por ser retaliados, tiveram de repetir o 4.º ano e pagar novamente as propinas, outros foram expulsos da instituição de ensino.
"Depois da defesa, muitos estudantes não conseguem obter o certificado por alegada falta de notas. Essas situações deixam-nos profundamente preocupados".
Segundo contam, deixaram os seus nomes na Secretaria-Geral para que fossem entregues os certificados, neste caso, as declarações com notas, a fim de poderm realizar a defesa.
"Até agora, não obtivemos qualquer resposta".
Afirma ainda que há muita arrogância por parte dos responsáveis da instituição de ensino, algo que precisa ser corrigido internamente.
"Uma simples declaração sem notas está a ser cobrada por 12 mil kwanzas, e para obter o original, o processo pode demorar até seis meses. Muitos de nós somos funcionários públicos e precisamos actualizar o nosso nível académico.
Esta actualização está prevista para acontecer em Agosto e para outros colegas, em Setembro deste ano. Mas até agora não conseguimos defender. Pensamos que vamos perder essa oportunidade", lamentou.
"Há estudantes prontos para defender, mas que não têm acesso às notas. Como é que se explica isso?", questiona a fonte.
"Pedimos às instâncias superiores que fiscalizem tais irregularidades no Instituto Superior Politécnico do Lubango", pediram.
A equipa do Na Mira do Crime deslocou-se até à referida instituição de ensino para apurar as reais causas da situação, mas não obteve sucesso.








