Perfilados e executados por supostos agentes da Polícia: Irmãos de 37 e 31 anos de idade executados com tiros no peito depois de serem retirados das suas casas
Dois cidadãos nacionais, por sinal irmãos, que em vida respondiam pelos nomes António Adriano Pacato, de 37 anos de idade e Paulo Adriano Pacato de 31 anos de idade, moradores da zona Soconifa, bairro da Vidrul, município do Sequele, província de Icolo e Bengo, foram assassinados depois de serem retirados das suas residências, na noite de terça-feira, 08, por supostos agentes da Polícia Nacional, colocados na esquadra 22 de Junho.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, Adão Adriano Pacato, de 28 anos de idade, irmão das vítimas e sobrevivente, que também foi levado naquela noite, explicou que tudo ocorreu por volta das 23 horas do referido dia, quando três elementos, dos quais um suposto colaborador do SIC, identificado por "chefe Cobra", munidos com armas de fogo do tipo pistola, dirigiram-se ao quintal onde às vítimas viviam, em dois casebres.
Continuou que, em seguida, batiam fortemente num dos casebres onde estavam ele e o seu irmão mais velho e, sob ameaças de morte, foram obrigados a abrir a porta.
"Abrimos a porta e fomos imediatamente retirados de casa, detidos e algemados sem qualquer motivo aparente, quando o meu outro irmão, que estava noutra casebre, percebeu o movimento, abriu a porta para ver o que se passava e também foi algemado connosco", informou.
Acrescentou que, depois, foram levados a uma distância de quinhentos metros das suas residências. Ao questionarem as razões que os levaram até aquele local, um deles explicou que teriam recebido uma denúncia contra eles, por parte de uma senhora.
Revelou que, em acto sequente, foram perfilados e os agentes empunharam as armas e efetuaram disparos, quatro dos quais atingiram as vítimas nas regiões do peito, perna e barriga, tendo conhecidos a morte no local.
" Como estávamos os três algemados, então todos caímos e o sangue de um dos meus irmãos saltou para mim, me fingi de morto; eles retiraram rapidamente as algemas e foram embora a correr, só sei que me salvei por milagres de Deus", recordou.
Realçou que, depois de os mesmos terem ido, dirigiu-se à casa do coordenador do bairro a procura de socorro. Este, por sua vez, junto da população, foi até ao local onde estavam os cadáveres.
Explicou ainda que, no dia seguinte, dirigiram-se à referida esquadra para participar a ocorrência.
Disse que encontraram os mesmos agentes que estavam na missão, e um deles perguntou-lhe se o conhecia, este por sua vez, respondeu que sim. Avançou que minutos depois, foram encaminhados para o Comando Municipal do Sequele, onde participaram o caso e aguardam pelo número e a tramitação do processo.
"Eu os conheço tão bem e consigo reconhecê-los porque eles vieram nos buscar sem máscaras", denunciou.
Questionada uma das irmãs das vítimas sobre o comportamento dos irmãos, esta afirmou que um deles trabalhava como cozinheiro na empresa Angolaca, no Panguila, e o outro trabalhava na empresa chinesa Guangde.
A família chora a morte dos seus entes e clama por justiça.
Este jornal contactou o porta-voz da Polícia na província do Icolo e Bengo, Intendente, Euler Mataria, que prometeu pronunciar-se em breve.
Importa referir que António Adriano Pacto, 37 anos, deixa sete filhos e viúva








