Suicídio ou ‘tiro amigo’? – Polícia e família trocam acusações sobre autoria da morte de 3º sub-chefe no interior da unidade de Segurança Pessoal e Entidades Protocolares
O cidadão que em vida se chamava Agostinho Lourenço, de 42 anos de idade, conhecido no seio familiar e entre amigos, por Gilson Lourenço, efectivo da Polícia Nacional há 18 anos, com a patente de terceiro Sub-Chefe, destacado na Polícia de Segurança Pessoal e de Entidades Protocolares (PSPEP), foi alvejado com um tiro nas costas, que perfurou o coração, dentro da unidade quando se encontrava de guarita
Por: Solange Figueira
Familiares, indignados com a situação, contam que se deslocaram até à unidade onde o malogrado trabalhava. Para surpresa de todos, receberam “uma falsa informação” de que o malogrado havia tirado a sua própria vida, o que não convenceu “ninguém”.
Segundo Massive Solange Pedro António, esposa, o malogrado que deixa três filhos, sempre foi um homem trabalhador, um pai carinhoso, que amava a família e a própria vida. "Essa história de que o meu esposo se matou é uma mentira. Ele apanhou o tiro pelas costas. Na terça-feira, saiu de casa sem nenhum problema, feliz para trabalhar. O inesperado aconteceu. Porém, não sabemos a realidade da história, mas acreditamos que ele foi vítima de um incidente dentro da unidade, o que culminou com a sua morte. A unidade deve se responsabilizar. Quero justiça para que a morte do meu marido não fique impune", intimou.
Lucas Lourenço, irmão do malogrado, conta que são de uma família humilde e sentem que estão sozinhos. "Nos deslocamos até à unidade, fomos recebidos pelo Comissário Mário Barreira e tivemos uma reunião, onde as falas dele tiveram contradições: Disse-nos que o meu irmão se suicidou e que tiro bateu na parede, depois voltou e passou nas costas dele, seguidamente atingiu o coração. Essa explicação, para nós, é uma brincadeira e não condiz com a verdade. Eles não querem assumir”, concluiu.
Lourenço diz que a família quer saber o que realmente aconteceu. “As diligências feitas pela nossa família conseguiram obter o resultado da causa da morte: disparo de projétil de arma de fogo, com o código 148. A única coisa que queremos é a verdade. Ninguém sai de casa para trabalhar e morrer no serviço. Socorro! Estamos em choque! Destruíram a nossa família. Pretendemos um esclarecimento do caso", suplicou.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto, por via telefónica, com o Comandante Municipal do Kilamba Kiaxi, Superintendente-Chefe, Isaías Salvador Bernardo, que disse que, desde as primeiras horas em que removeram o corpo da unidade, a informação que teve é de que, realmente, aconteceu um suicídio. "A pior preocupação nossa é quando a perda de vida ocorre e as investigações estão a ser feitas, para sabermos o que realmente aconteceu. A família fez uma participação e está a acompanhar o caso, para não estar a fazer especulações, a fim de não manchar o bom nome da unidade", reagiu.








