No Cazenga: Efectivos do SIC-Sequele acusados de levar mais de 290 placas de viaturas de um estabelecimento avaliadas em vários milhões de kwanzas sem mandando, director-adjunto do SIC rebate acusação
Cerca de nove elementos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afectos a direcção municipal do Sequele, província de Icolo e Bengo, estão a ser acusados de retirar 293 placas de diversas viaturas a uma loja afecta a empresa "Júnior Madova-Comercio Geral", no passado dia 26 de Abril do ano em curso, no município do Cazenga, província de Luanda. Deste número, segundo o queixoso, 193 já foram recuperadas, faltando um total de 70 placas.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com o gerente da loja, identificado por Dianzenza João Mabanza, os agentes quando chegaram no estabelecimento, por volta das 14 horas do referido dia, alegaram que pretendiam recuperar uma placa furtada de um veículo, de marca Hyundai, modelo I10, furtada no município do Sequele, na vizinha província do Icolo e Bengo.
“No princípio eram três elementos que entraram no interior da loja, um deles era o chefe da missão, este, primeiro, alegou que queria comprar uma placa de viatura de marca Hyundai, modelo I10, para sua esposa. Logo a seguir, o mesmo retirou-se e foi ter com os seus colegas que estavam fora”, recordou.
"Ele saiu fora, eu fiquei com os outros dois, mas depois também saí e deixei a minha colega, logo que saí, assustei, afinal, para além dos que entraram, tinham mais seis pessoas fora", realçou.
Sublinhou que, logo a seguir, todos entraram na loja para a sua surpresa, e os mesmos dirigiram-se em direcção ao seu gabinete.
"Eu perguntei a eles onde iam, se o limite dos clientes é aí no balcão, é quando ele, o chefe da missão, disse que eram efectivos do SIC, eu disse está tudo bem e questionei qual era o problema", indagou.
Diazenza referiu que o chefe da missão, que a princípio dizia que queria comprar uma placa para a sua esposa, inverteu o argumento, tendo dito que estavam a procura de uma placa furtada.
"Perguntou-me onde estava a placa e eu respondi que não vi nenhuma placa, e depois disse que eram do SIC podiam levar todas as placas que aí estavam. Falou que a placa roubada no Sequele foi vendida por um marginal na nossa loja".
Por este motivo, continuou, os efectivos começaram a tirar todas as placas.
“Levaram um total de 293 placas que estavam na loja para serem comercializadas, levaram também placas da viatura do meu patrão", lamentou.
De seguida, conta, foi detido, e ficou durante 11 dias encarcerado no Comando Municipal do Sequele, tendo sido posto em liberdade no dia 5 de Maio do ano em curso.
Por sua vez, o advogado do lesado, Celson Júnior, esclareceu que os supostos agentes do SIC apareceram na loja sem identificação, por outra, sem qualquer Mandado de Revista, Busca e Apreensão, bem como um Mandado de Detenção.
Entretanto, entenderam levar um total de 293 placas de viaturas diversas, que os preços variam entre 300 a 500 mil kwanzas.
"No interior do estabelecimento, Ihes foi solicitados os referidos mandados, e advertidos de que as referidas placas tinham todas as respectivas facturas, e que as compras das mesmas remontam desde 2020, no exterior do país, mas, arrogantemente, começaram a transportá-las", revelou.
Explicou que aos mesmos efectivos, foi-lhes igualmente solicitados que a revista fosse acompanhada e as placas contadas, mas negaram e ameaçaram o gerente de que caso voltasse a falar, seria esbofeteado.
O mais grave, disse, é que os mesmos, vindo de uma outra província, nem deram a conhecer aos seus colegas do município do Cazenga que iriam realizar uma operação naquela zona.
Segundo o advogado, após terem carregado as placas para a viatura que os transportava, de igual modo entenderam proceder a detenção do gerente.
“Durante a viagem estes apresentaram uma proposta de 500 mil kwanzas para o responsável da empresa ser posto em liberdade”, acusou o advogado.
O defensor revelou que a proposta foi feita pelo chefe de linha e da missão do SIC no município do Sequele, identificado por Carlos José, mas o gerente negou ceder estes valores por ter noção que não havia incorrido em nenhum crime.
"A forma como os mesmos apareceram vestidos no estabelecimento, levantou várias suspeitas, pois os mesmos não estavam trajados com os respectivos coletes, muito menos exibiram os passes de serviço", ressaltou.
"Insistiram na irregularidade e procederam a detenção do gerente por 11 dias, no Comando Municipal do Sequele", disse o advogado.
"A acção descrita ou seja, o modo de actuação dos mesmos elementos, não tem respaldo legal, e ainda fere gravemente com o princípio da legalidade e da probidade, previstos nos termos do artigo 3°, alínea a) e c) do regulamento sobre o regime disciplinar do pessoal do Serviço de Investigação Criminal", observou.
Ressaltou que as acções são consideradas graves e são passiveis de responsabilização disciplinar e criminal, como orienta a alínea F) do artigo 3° do regulamento referenciado.
Por outra, este jornal sabe que os agentes envolvidos já foram ouvidos pela Inspecção do SIC, bem como na Polícia Judiciária.
Entretanto, diligências estão a ser feitas no sentido de serem recuperadas as 70 placas em falta, que estão avaliadas no seu todo em cerca de 20 milhões de Kwanzas.
O Na Mira do Crime ouviu o Director adjunto do Serviço de Investigação Criminal no Icolo e Bengo, Superintendente-chefe de Investigação, Saldanha, que esclareceu que os efectivos foram orientados para esta missão, com Mandado e Apreensão da PGR.
"Neste caso, foram indivíduos realmente do Sequele, bem identificados, repito, bem identificados. Uma diligência bem orientada e com conhecimento da direcção, com devido Mandado de Busca e Apreensão das placas, foi um trabalho bem orientado”, garantiu.
"Só que, pronto”, continuou, “o cidadão é livre de fazer as suas reclamações ou recorrer à sua denúncia", prosseguiu.
Aquele oficial disse, por outra, que o cidadão em causa já é suspeita por comercialização de placas roubadas, tendo reafirmado que não houve infracção dos oficiais naquela missão, por ter sido orientada pela direcção.
Quanto ao uso do colete e o crachá, o oficial de investigação sublinhou que os mesmos foram ao local, a princípio não se identificaram, com o objectivo de penetrar, mas, logo a seguir, identificaram-se.








