FILOAL, Fresh & Green e FINIPALHAS, Lda – Empresas e entidades tradicionais disputam mais de 02 mil hectares no Cabo Ledo e a solução vê-se ao binóculo
A empresa Fidelidade Longa Agrícola (FILOAL) reclama a posse de uma fazenda, situada no município de Cabo Ledo, província do Icolo e Bengo, que está a ser disputada com as empresas as empresas Fresh & Green e FINIPALHAS, Lda, bem como outras pessoas singulares, com o beneplácito das entidades tradicionais.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com o representante da empresa FILOAL, Fidelino Queiroz Júnior, foram constituídos como legítimos proprietários daquele prédio rústico, desde 1992.
A referida fazenda, também conhecida por “Prédio Rústico”, possuí uma área de 2.990 hectares, conforme consta do título de concessão de terra Nº 188/DP/DNOR/97, e está localizada no município de Cabo Ledo, propriamente na zona da Calamba, Rio Longa.
Fidelino explicou que a empresa FILOAL teve o cuidado de tratar todas as licenças necessárias, incluindo a licença ambiental, o alvará de construção e outros documentos que comprovam a titularidade da fazenda.
Conta que foi a partir de 2012, que a empresa tem sido perturbada por invasores protegidos pelas autoridades tradicionais, populares e a recém surgida comissão de moradores. Contesta a invasão do espaço e acusa as autoridades locais de não conseguir repor a legalidade e proteger os seus direitos como legítimo dono. "Esses órgãos têm estado a actuar com alguma dificuldade em repor os nossos direitos. Temos todos documentos que comprovam que o espaço nos pertence", observou.
No espaço, segundo o nosso entrevistado, a empresa Fresh Green, Lda, que se dedica à indústria de produção alimentares, ocupa 210 hectares, ao passo que a empresa FINIFALHAS, Lda, agora está a invadir 20 hectares, onde vai futuramente instalar um projecto.
Fez saber também que quem ocupa um total de 150 hectares, trata-se de uma cidadã identificada apenas por Maria, que desafia que ninguém a vai tirar daquele local.
Por outro lado, denunciou que um dos invasores que ocupa cerca de 100 hectares, identificado apenas como Pedro, que alegadamente pertence às Forças de Defesa e Segurança, intimidou os trabalhadores da FILOAL, bem como os proprietários. "Este senhor Pedro já havia sido detido, mas mesmo assim, após a sua detenção continua no espaço", realçou, afirmando que os supostos invasores têm desflorestado áreas da propriedade e instalando projectos sem a devida autorização.
Alega que estão preocupados com a integridade dos seus colaboradores e com a continuidade de suas actividades produtivas, uma vez que o ambiente no local está tenso, tendo acrescentado que já denunciaram todos os actos a vários órgãos ministeriais, assim como de justiça. "Pedimos uma acção célere das autoridades competentes no sentido de garantirem a proteção dos nossos direitos e a devolução das nossas terras", apelou o representante da FILOAL.
O Na Mira do Crime contactou, por via telefónica, o representante da empresa FINIPALHAS, João de Oliveira, e o representante da empresa Fresh Green, Américo Silva, mas sem sucesso.
De igual modo, este jornal contactou o acusado, o cidadão Pedro que, sem entrar em muitos detalhes, este alegou que as acusações não são verdadeiras. Ao passo que a outra acusada, identificada por Maria, não quis dar as suas declarações sem antes consultar o seu advogado.
Em acto contínuo, também foi contactado, por via telefónica, o soba Adjunto daquela Comunidade, Jeremias Quiringo, esta que alegou que o representante da empresa FILOAL está a reivindicar um espaço que não lhe pertence, tendo ainda dito que o mesmo está a violar a tradição dos natos.
"Foi dado um espaço para a horta e ele legaliza um espaço em nome dele, no qual mete até cemitérios. Nós não permitimos isso", começou por esclarecer, acrescentando que nenhuma autoridade tradicional vai permitir que o cemitério fique dentro do croquis dele, "até às residências de alguns populares e áreas de tradição, ninguém admite".
No entender do soba, isso quer dizer que para ir fazer a sua tradição, tem que depender do suposto dono da fazenda. "Isso ninguém pode aceitar", asseverou.








