Encarcerava pessoas ao lado de 17 cães - Empresa XUNTONG (de cidadãos chineses) acusada de maltratar funcionários angolanos
O Na Mira do Crime continua a receber denúncias de vária ordem, vindas da empresa Xuntong, cujos proprietários, cidadãos chineses, estão a ser acusados de maltratar e encarcerar trabalhadores angolanos em canis com 17 animais dentro, não proporcionar condições laborais e efectuarem despedimentos sem respaldo legal.
Por: Cambimbi Osório
De acordo com uma carta a que este jornal teve acesso, os trabalhadores denunciam que são submetidos à excessiva carga horária, "que definem como escravidão moderna"; exercem as actividades laborais sem segurança de trabalho, além dos ordenados não serem pagos a tempo.
Na carta, dentre vários exemplos, os queixosos citam Domingos Sabino Quinta Butica, que foi um trabalhador incansável com cerca de 12 anos de casa, trabalhou como motorista no estaleiro pertencente à empresa, na zona do Zenza do Itombe, nos arredores da província do Cuanza Norte, onde exploravam inertes. Este funcionário, dizem, foi despedido de forma injusta sem ser indemnizado, tendo sido apenas remunerado um mês.
"Trabalhou durante 12 anos, mas a empresa está a negar que o tenha despedido. Só recebeu o salário do mês de Abril, na sequência da notificação feita à empresa pelo Serviço de Investigação Criminal”, revelaram.
Sobre este caso, o Na Mira do Crime sabe que há um processo a decorrer junto do SIC-Geral, em Cacuaco, estando o funcionário em causa a aguardar pelo seu desfecho. "Aqui, na Xuntong, os chineses estão a dizer que não trabalham com a lei angolana, mas sim com as leis do seu país", acusaram.
Citam outro exemplo de um antigo trabalhador que já faleceu há vários anos, cuja família luta pela indemnização, mas das instalações da empresa não sai nada para ajudar a resolver a situação.
Outra questão que apoquenta os funcionários prende-se com o facto de a empresa não celebrar contratos de trabalho, assim como não inserir os trabalhadores no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). “Não há gozos de férias, nem subsídios de saúde, de transporte, dentre outros”, revelam, associando a isso descontos anárquicos.
Ainda na mesma carta, os mesmos citam uma cidadã chinesa que agride motoristas e seguranças e, de seguida, coloca-os num num canil onde se encontra cerca de 17 cães de várias raças.
O jornal Na Mira do Crime contactou a empresa Xuntong, a fim de dar qualquer declaração sobre as acusações que pesam sobre si, mas o advogado da empresa, identificado apenas por José, através de um telefonema, negou todas as acusações, alegando que em nenhum momento a empresa despediu o trabalhador visado, mas admite ter havido um mal-entendido com o seu Chefe de Departamento e o visado entendeu que foi despedido.
Acrescentou que a empresa sempre se mostrou disponível a negociar com o mesmo trabalhador que dada altura foi intimado a permanecer como motorista, mas este recusou a proposta.
Quanto a outras irregularidades, o advogado alegou que as condições de trabalho na empresa já são das melhores, os trabalhadores já têm direito a subsídios e outros componentes estão a ser resolvidos faseadamente.








