Efectivo do SIC abatido com sete tiros em Luanda constava de uma lista de "delinquentes" criada de forma "leviana'' por um colega de serviço, denuncia pai do malogrado que aventa ainda a possibilidade de queima de arquivo
O caso do Inspector do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Edson Paulo, executado na noite desta sexta-feira, 22, no município da Maianga, bairro Popular, em frente da casa dos seus pais, onde o patriarca é um oficial comissário da Polícia Nacional tem novos contornos.
Por: Cambuta Vieira
Sambalavo Rosalina da Silva Paulo, esposa de Edson Paulo, falou em exclusivo ao Na Mira do Crime e disse que o seu esposo nos últimos dias estava muito inquieto, podia chegar tarde à casa, mas acordava muito cedo e não confidenciava os assuntos do serviço com a mulher.
Na manhã de ontem, explicou, saíram cedo de casa e o marido deixou-a na Shoprite, onde ela a seguir seguiu até a escola de condução, e o esposo foi trabalhar.
Explicou que era suposto Edson fazer noite ontem, mas que enviou uma mensagem a dizer que estaria numa operação, mas que voltava em casa.
"No período das 14 horas ainda falamos por mensagem e ele respondeu normalmente, até às 20 horas e 10 minutos que a minha sogra ligou-me a dizer que o meu esposo estava morto", lamentou.
"As informações que eu obtive foi que o motoqueiro assim que chegou pediu na vizinha que entrasse, enquanto que o outro comparsa dizia apaga já, os meus sogros ouviram os tiros, mas não imaginavam que era o filho deles", detalhou.
As informações da família e das testemunhas confirmam que eram dois elementos numa única motorizada de duas rodas, um estava de casaco jeans enquanto o outro estava de tudo preto com uma toca.
"Quando abordaram a vítima, os meliantes pediram que ele entrasse no carro, não deu tempo do meu esposo entrar em casa dos pais, depois de subir no carro, ainda com a porta aberta, eles efectuaram os disparos, na tentativa de fugir o Edson ficou no lugar do pendura, os seus pertences, assim como pistola e o telemóvel foram levados pelos bandidos", declarou.
António Politano Simão, oficial superior da Polícia Nacional, pai do malogrado, disse em entrevista ao Na Mira do Crime que o seu filho conduzia um carro modelo Sonata, de vidros fumado, versão moderna.
"O meu filho só ficava em casa ou no serviços, não era muito da rua, ele tinha o hábito de todas às sextas-feiras vir aqui em casa visitar-nos, está semana não foi diferente".
Narrou que, nesta sexta-feira, assim que ele chegou, estacionou o carro em frente da casa e desceu, e foi abordado pelos marginais, que supostamente já tinham a rotina dele.
"Não tenho dados palpável para dizer que desconfio de alguém, mas o jeito que ele foi morto acredito que são pessoas que controlam a sua rotina", deduziu.
"Só pode ser alguém que tem controlado a rotina dele, eu sou oficial superior do Ministério do Interior, eles chegarem na casa de um pai e consumarem o crime, foram muito ousados, foram muito atrevidos, acredito que eles tinham algum domínio ou conhecimento sobre ele", apontou.
O nosso entrevistado disse que minutos antes da tragédia estava fora de casa, e depois decidiu entrar, passados 15 minutos, ouviu os disparos de arma de fogo.
"Fiquei no quintal e vi que a porta do carro dele estava aberta, saímos e deparei-me com ele no banco do pendura, já baleado, tentamos socorrer até ao hospital Neves Bendinha, mas já era tarde", lamentou.
"Foram quatro disparos de arma de fogo, um no peito, no abdômen, no ombro e na coxa, que a justiça seja feita, que apanham os autores do crime", chorou.
Um dado importante passado pelo nosso entrevistado, que diz ter informações que havia um colega a nível do serviço do seu filho, no caso o SIC, "que criou um gesto inamistoso. Havia feito uma lista de delinquentes a serem presos, parecia levar a cabo uma operação, e o nome do Edson constava na lista das pessoas a serem presas, eu considero absurdo, como é que um funcionário do órgão que trabalha para inibir o crime, consta nessa lista? o colega alegou que meteu o nome por engano, mas já algum tempo atrás, eu não fui a fundo da questão porque o Edson havia me dito que estava tudo ultrapassado", alertou.
"Provavelmente seja uma queima de arquivo, não se descarta essa hipótese, tudo é possível, a peritagem diz que não viram a pistola nem o telemóvel", ressaltou.
Edson Paulo era residente da província de Icolo e Bengo, município de Calumbo, centralidade do Zango 8000, e é efectivo do Serviço de Investigação Criminal há mais de 13 anos.
Casado, pai de 4 filhos, até a data da sua morte era o chefe de brigada do SIC no município do Hoje-ya-Henda.








