No Calumbo: 120 cidadãos estão a ser impedidos de construir residências em lotes ganhos em concurso público no Projecto Muxima-Yeto
Cerca de 120 cidadãos que, em 2022, foram apurados num concurso público, a fim de adquirirem lotes de terrenos no projecto Muxima-Yeto, isto no Zango V, na extinta administração municipal do Icolo e Bengo, hoje administração municipal de Calumbo, denunciam que estão a ser impedidos de erguer as suas residências por causa dos invasores que vão surgindo no local, e acusam a actual gestão de remeter-se ao silêncio diante de solicitações de audiência e cartas enviadas.
Por: Cambundo Caholua
Um dos concorrentes chamdo Cláudio Santos, em nome do grupo, explicou a este jornal que o projecto está situado precisamente na zona de expansão da urbanização do Zango V.
Ele conta que em 2022, após serem apurados do concurso público já referenciado, compraram os lotes de terra de maneira legal, sob o respaldo da extinta administração municipal do Icolo e Bengo, que passou a chamar-se Calumbo. De acordo com Cláudio, os apurados no mesmo concurso pagaram todas as taxas e emolumentos exigidos por lei.
Sublinhou que tão logo foram divulgados os resultados em lista oficial, em todos os órgãos de comunicação social, os lotes foram entregues pelo governo em acto oficial. "Cada um de nós recebeu os seus lotes de terra", disse realçando que, na altura, apenas 26 proprietários receberam os seus documentos completos.
O nosso entrevistado contou que os problemas começaram em 2023 na então administração do Icolo e Bengo, na gestão do administrador municipal Nelson Funete, que, segundo o queixoso, assim que tomou posse, de repente, surgiram cerca de 90 indivíduos que se intitulavam como sendo camponeses e proprietários dos terrenos.
"Estes indivíduos, naquela altura, eram liderados pelo malogrado Cabita, que alegavam que o espaço organizado, loteado, e concursado pelo governo lhes pertencia, tendo estes ficado com a parte dos terrenos", denunciou.
Logo a seguir, Funete, através daqueles actos, suspendeu o processo de entrega dos documentos com a justificativa de que iria apurar o que se estava a passar. Os concursados, frustrados, viram Funete a ser exonerado sem antes resolver o processo.
Isto, conta o entrevistado, fez com fossem recorressem à Procuradoria Geral da República (PGR), ao Gabinete do Presidente da República, à Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE), à Provedoria de Justiça, e até ao Bureau Politico do Comité Central do MPLA para que interviessem no processo. "Vimos os nossos lotes iniciais e o próprio loteamento a serem invadidos e desestruturados pelos invasores", denuncia.
Cláudio revelou que o mesmo cenário foi vivido no consulado da Administradora Isabel Kudiqueba dos Santos, que tão logo tomou posse, teve o mesmo procedimento do administrador cessante, mas, logo a seguir, surgiu um novo grupo de invasores que se faziam passar por camponeses.
"Dessa vez, o grupo era liderado por três senhores, nomeadamente: a senhora de nome Isabel (mamã Bela), Helena e Malondo, que evocando o mesmo discurso. Também, ficaram com parte de terrenos tal como aconteceu no tempo de Nelson Funete", assinalou.
Os visados ressaltam que os mesmos problemas vividos nas duas antigas gestões continuam até hoje e acusam administração municipal de Calumbo, chefiada por Miguel Silva de Almeida, de estar a proteger os invasores que estão a ser liderados por uma cidadã identificada por Teresa.
"O que nos preocupa é que actuam segundo o mesmo modus operandi dos grupos anteriores. Estamos a observar a inércia da fiscalização de Calumbo que permite que estes invasores, desde Janeiro de 2025, actuem em grupos organizados de quadrilha invadem o que nos pertence", culpou, referindo que o grupo de invasores aparece com agentes da polícia fardados e armados, fazendo-se acompanhar de três construtoras que entram com materiais de construção pronto a vedarem o espaço.
"Estão a invadir os nossos lotes, descaracterizando ruas e vias conforme o mapa do loteamento, enquanto, por diversas vezes, recorremos a esta fiscalização para pararem, mas ao contrário, actuam sobre nós com multas quando nos defendemos, vedando os nossos espaços, enquanto aguardamos pelos nossos documentos pagos desde 2022 e que e se encontram atolado sob tutela da administração", desabafou.
Uma equipa do jornal Na Mira do Crime deslocou-se até à administração municipal de Calumbo, no dia 25 de Agosto do ano em curso, a fim de ouvir a versão daquela instituição pública. Esta alegou que poderia receber a equipa num outro momento. No entanto, passados sete dias, ainda não foi recebida.








