Administração municipal do Cabiri acusada de usurpar terrenos de cidadãos na centralidade 44
Dois cidadãos acusam a administração do município do Cabiri, província do Icolo e Bengo, de usurpar dois terrenos que foram comprados em 2020, atrás da centralidade 44, por membros da mesma família, com as dimensões de: 40/60 metros e o outro de 40/40 metros.
Por: Solange Figueira
O terreno em questão está situado precisamente por detrás da Centralidade do 44, depois da lagoa. Os denunciantes alegam que tudo começou no dia 1 de Agosto do corrente ano, quando se depararam com homens e máquinas da administração do Cabiri, que tinham a intenção de limpar o terreno.
Um cidadão responsável de uma empresa não identificada apresentou-se como dono do terreno, dizendo que lhe foi dado como forma de compensar um espaço que a empresa perdeu na Centralidade do Zango 8 mil.
Por esta razão, acrescentou, o tribunal deu-lhe os terrenos em causa. Estranho nisso tudo é que o cidadão em causa não mostrou nenhum documento que ateste que ele é o dono das parcelas de terra.
Márcia Rita Dumbo, uma das proprietárias, não tem dúvidas que a administração do Cabiri esteja à frente da usurpação. "Disseram que estão a limpar o terreno para plantar girassóis. Temos todos os documentos legais. A minha parte do terreno é de 40 por 60 metros, a outra parte é do meu cunhado. Não entendemos quem está à frente da usurpação, porque, primeiro, apareceu a empresa apoiada pela administração, agora a administração diz que quer plantar girassóis. Eles, como entidade pública, não nos deram nenhum aviso prévio, nunca nos chamaram, nem sequer nos convocaram para nada. Nós é que estamos a correr atrás deles", detalhou, adiantando que os homens e as máquinas apareceram no dia 1 de Agosto, às 22 horas, cortaram um tamarindeiro muito grande que ela tinha lá, cortaram as mandioqueiras e algumas árvores, porque queriam fazer caboco no referido terreno.
Obviamente insatisfeita, enviou uma carta à administração a relatar o assunto e a reclamar sobre a situação, mas ninguém se pronunciou. "O senhor que estava a fazer a limpeza identificou-se como sendo Amilton. Entramos em contacto com o chefe dos fiscais do Icolo e Bengo, que disse que estava de férias e nos orientou a falar com um senhor chamado Edmiro, que estava a representá-lo", disse.
Para a senhora, não pode vir uma pessoa qualquer dizer-lhes que lhe foi dado o terreno em tribunal. "O pobre está cada vez mais pobre do que nunca. O Estado não pode me tirar um terreno onde almejo erguer a minha casa. Sou professora, acordo todos os dias de manhã cedo com frio, chuva e sol para trabalhar. Tudo que tenho foi comprado com o meu trabalho. A Administração tem de nos dar uma resposta. Pedimos ajuda", suplicou.
Venâncio Manuel Dumbo, cunhado da senhora Márcia, dono de uma parcela do terreno com a dimensão de 40 por 40 metros, diz que a administração do Cabiri não dá nenhuma solução no que tem a ver com a usurpação dos terrenos.
"Também comprei o meu terreno em 2020, tenho o documento que comprova a cedência do terreno, passado pela antiga proprietária senhora Eva Adão. Precisamos de uma resposta urgente da administração do Cabiri. Estamos a ser usurpados por indivíduos pertencentes à administração do Cabiri, Província do Icolo e Bengo", afirmou.
Para o queixoso, não faz sentido que o tribunal lhes tenha orientado invadir os seus espaços sem algum aviso prévio. "Esta é a maneira deles de usurpar o terreno. Têm tentado invadir sempre nos finais de semana. A partir de sexta-feira fazem limpeza, arrancando as nossas marisqueiras, visto que fazemos cultivo na referida área, para posteriormente fazermos as nossas residências", explicou, rogando que a administradora se pronuncie, dando uma solução ao caso.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com a administração do Cabiri e falou com o Gabinete de Comunicação da Administração, que, por sua vez, ficou de encaminhar-nos para o Gabinete Técnico da Administração a fim de se pronunciar. No entanto, até agora, não respondeu.








