Entra quem paga - Militares licenciados há um ano para a polícia denunciam casos de corrupção no processo de transição
Perto de 1000 ex-militares das Forças Armadas Angolanas (FAA), abrangidos pela transição para a Polícia Nacional, desde o ano 2023, concentraram-se pela segunda vezz na manhã desta quinta-feira, 11, defronte o Quartel do Exército, em Luanda, para manifestarem o seu descontentamento por continuarem sem enquadramento, num processo que decorre há mais de um ano.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O problema começou em Outubro de 2023, momento em que "estranhamente" foram reprovados nos testes feitos para a referida transição.
António, um dos militares descontentes, avançou que o grupo exige tanto do Ministério da Defesa assim como do Ministério do Interior que solucionem o problema, por se sentirem traídos, uma vez que depois do licenciamento aguardavam a colocação na polícia.
"Estamos a caminho de dois anos, desde o dia 09 de Outubro de 2023, altura em que fizemos os testes para enquadramento na polícia nacional, sob coordenação do tenente coronel Cabanga, chefe de pessoal e quadros, mas até agora nada nos é feito", informou.
Acrescentou que, sem razões plausíveis, mais de 900 militares encontram-se em Luanda, para além dos que foram divididos em outras províncias. Fizeram reprovar os militares para darem lugar aos civis que pagarem algum dinheiro.
"Nas listas, foram colocados civis e pessoas que pagaram, mas eles se esqueceram de que alguns de nós perderam as nossas vidas na defesa da pátria, e agora, com o advento da paz, somos abandonados, dando lugar aos civis", lamentou.
Os militares disseram estar a passar por necessidades para sobreviverem e atribuem a não qualificação ao facto de não terem quem os possa ajudar dentro do quadro superior da corporação.
Eduardo, que se encontra na mesma situação, disse ter cumprido o serviço militar na província de Cabinda, tendo sido enviado para várias missões fora do território nacional. Ele apelou aos responsáveis que estão à frente do processo, que levem em conta a gravidade da situação em que se encontram.
"Eles pensam ser um problema simples, mas não é, porque fomos treinados por eles, e dotaram-nos de táticas de actuação e defesa e muitos dos colegas, por necessidade de sobrevivência, poderão usá-las para outros fins, porque não podem morrer de fome. Então, o momento de prevenir situações anormais é agora", sugeriu.
"É triste saber que colocaram os seus filhos e familiares neste processo, nós que temos de 10 a 15 anos de carreira nas FAA e demos tudo pela pátria, na hora da transição para a polícia, somos humilhados", refutou um dos integrantes.
Por causa do tempo, o grupo lança um apelo ao Presidente da República no sentido de que seja criada uma comissão conjunta para investigar e colocar termo à situação.
"O Presidente da República é o nosso Comandante-em- Chefe e conhece o sofrimento, porque também foi militar, por isso pedimos que resolva a nossa situação. Perdemos tempo de nos formar, por isso os nossos filhos não podem viver no sofrimento", sentenciaram.











