Em Luanda: Detido suposto agente da polícia acusado de abusar sexualmente das suas netas gêmeas de 16 anos de idade
Um cidadão nacional identificado apenas por "Augusto", cuja idade não foi revelada, suposto efectivo da Polícia Nacional, residente no bairro Caop - A, município dos Munlevos, foi detido nesta quinta-feira, 11 de Setembro, na Esquadra 43 em Viana, acusado de ter abusado sexualmente de duas menores gêmeas, de 16 anos de idade, por sinal suas próprias netas.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A detenção foi feita depois de uma das meninas ter revelado o caso a uma das professoras da escola em que estudam, localizada na vila de Viana.
Os factos narrados pelos familiares da mãe das lesadas ao Na Mira do Crime apontam que o acusado é avó paterno, que abusava inicialmente uma das lesadas e durante os últimos dias terá feito o mesmo a outra, tendo criado um estado de depressão, o que levou os professores a conversar com a aluna que revelou a situação.
O senhor Venâncio Pedro, irmão da mãe das menores, avançou que faz tempo que os progenitores andam separados, e elas viviam sob tutela da mãe no município Bungo, província do Uíge.
"Parece que elas se encontram em Luanda há quase dois anos, o avô foi a busca delas para estudarem. Temos poucas informações de quando é que chegaram a Luanda, porque o avô não permite que nos aproximemos delas, nem sequer conhecemos onde é que vivem", contou.
Acrescentou que o acusado, anos antes, terá também ido à província do Uige a busca da irmã mais velha das vítimas que se encontra a viver com ele há mais tempo.
"O movimento delas é muito controlado, o avô as acompanha a qualquer lugar para onde vão, o telefone é inspeccionado, só têm liberdade quando vão à escola, mas sem violar a hora de chegada à casa, porque ele ralha-as e faz ameaças, principalmente quando estiver embriagado. Por isso é que estão com receio de falar e, pelas palavras de uma, tudo indica que a mais velha delas também terá passado pela mesma situação", desconfiou.
"A mulher do avô sofreu um AVC e são as meninas que ajudam a cuidar dela, apesar de não ser avó biológica delas", explicou.
Contactada pela nossa reportagem, o senhor Tiago Capindissa, Director do Gabinete de Comunicação Institucional da Administração Municipal dos Munlevos disse que as meninas encontram-se sob tutela da administração em acompanhamento por parte de uma equipa, criada devido ao estado traumático em que se encontram.
"A polícia está a fazer o seu trabalho, as investigações continuam para se determinar a veracidade dos factos e serem aplicadas as devidas medidas que a Lei impõe, porque as lesadas são nossas munícipes, logo a administração está a prestar o devido apoio a elas", garantiu.
Por sua vez, a família materna clama às autoridades e à sociedade, em geral, que os ajudem a dar seguimento ao caso por suspeitarem que o acusado possa usar influências para abafar o processo.
"A mãe delas já está em Luanda e as meninas foram ouvidas pelo NIIP, mas sem a presença de um de nós, mandaram-nos ficar fora da esquadra. O acusado já constituiu um advogado, e por ele ser agente da polícia, o caso pode dar em nada. Por isso pedimos principalmente à Primeira Dama da República, Ana Dias Lourenço, para que nos ajude; o autor não pode ficar impune", rogaram os familiares.









