Por 05 milhões emprestados - Cidadão chinês acusado de vandalizar uma viatura Land Cruiser GXR V8 de um cidadão angolano e nega-se a pagar, processo 5583/24/ está 'engavetado' na PGR
Um cidadão de nacionalidade chinesa, identificado por Shang Guo Liu, está a ser acusado de vandalizar uma viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser GXR V8, afecta a um cidadão nacional que atende pelo nome Armindo Bwamesso Shanshonel Afonso, de 49 anos de idade, mas nega-se a pagar o veículo avaliado em mais de 47 milhões de Kwanzas.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com o proprietário da viatura, Armindo Bwamesso Shanshonel Afonso, tudo começou em 2021, quando foi ter com o cidadão chinês, através de um amigo que era próximo do mesmo, com o objectivo de pedir um empréstimo de 5 milhões de Kwanzas.
"Eu precisava de algum valor para mitigar alguma situação que se estava a passar e recorri a um amigo meu, Agostinho Neves, que disse que não tinha esse dinheiro, mas poderia falar com o amigo do seu chefe", explicou.
Decidiram ir até ao cidadão Liu, a quem apresentaram a preocupação e este, por sua vez, disse que dinheiro não era problema, mas mostrou preocupação ao procurar saber sobre o prazo para devolver o valor monetário em causa. "Eu respondi que poderia devolvê-lo em três meses, porque estava à espera de algum dinheiro que a qualquer momento poderia reflectir-se na conta bancária", garantiu.
Conta que o credor deu os cinco milhões de Kwanzas solicitados, com a condição de que seriam devolvidos com um acréscimo de 10 por cento, tendo para o efeito sido elaborado um termo de compromisso reconhecido pelo notário. Inseguro, o chinês pediu ainda que Armindo deixasse também a sua viatura de marca Toyota, modelo Land Cruiser GXR V8, como garantia.
"Por ser um carro que usava todos os dias, sugeri que deixasse aí o carro da minha esposa, que é um Hyundai I10, mas Liu negou", afirmou, admitindo que porque, na verdade, precisava do dinheiro, aceitou as exigências.
O nosso entrevistado contou que como o tempo de reembolso total da dívida se aproximava, então entendeu contactar o chinês no sentido de dar uma outra proposta e, deste modo, reaver a viatura.
"Quando eu notei que as coisas já não estavam a dar como eu queria, falei com ele para que ficasse com o carro e retirasse apenas os 5 milhões e 500 mil kwanzas e me desse a diferença", uma proposta rejeitada pelo cidadão asiático.
"Respondeu-me que não precisava do meu carro porque já tinha a sua viatura e tranquilizou-me dizendo que devia lutar até conseguir o dinheiro para pagar porque me considerava como um irmão", ressaltou.
Passados oito meses do acordo, cinco a mais do prazo, voltou a falar com o credor no sentido de comprar a viatura, porque se achava impossibilitado de arranjar os três milhões restantes, mas este manteve-se irredutível.
Já em Dezembro de 2022, segundo o queixoso, havia conseguido a outra parte do dinheiro em falta, que eram três milhões e 500 mil kwanzas. Tão logo entrou em contacto com Liu para lhe informar que já tinha em mãos os valores em falta, para surpresa do mesmo, o chinês informou-lhe que a viatura estava com problemas técnicos.
"O senhor disse-me que o carro tinha uma avaria e que quem tem que responder sobre isso é o senhor Agostinho. Entrei em contacto com Agostinho que confessou que, por orientação do chinês, tirou o carro para cumprir uma missão do chefe em Catete e, pelo caminho, parou de funcionar, tendo mais tarde dado conta que o motor tinha gripado.
Insatisfeito com a situação, o mesmo chinês mandou o seu funcionário abrir o motor e o mecânico afirmou que tinha retirado a caixa de velocidades e a ofereceu a um amigo seu que é Brigadeiro das Forças Armadas Angolanas (FAA).
E, na sequência, segundo o denunciante, a viatura foi vandalizada completamente.
"Levado à justiça, o chinês recusa-se pagar a minha viatura, exigindo juros de 22 milhões Kwanzas de forma abusiva e com muita prepotência e arrogância, tudo porque sente-se protegido por alguns cidadãos angolanos com altas patentes na polícia e nas FAA.
Segundo Armindo, há um processo a decorrer sob número 5583/24/ PGR, e apela para a reposição da justiça e acredita num desfecho positivo do mesmo.
Conta que várias vezes já tentou entrar em contacto com o acusado, a fim de se chegar à uma resolução, mas o mesmo nunca deu ouvidos. "Inclusive eu fui até ao Centro da Resolução de Conflitos Extra- Judiciais, que também a nota do processo. Lá, eles não compareceram por duas vezes, mas na terceira vez ele, o chinês, mandou um representante que é o responsável da área jurídica da empresa dele, mas eu disse que não tinha feito negócio com a empresa, mas sim com o cidadão chinês Chang Guo Liu.
O Na Mira do Crime, durante alguns dias, tentou contactar o cidadão de nacionalidade chinesa bem como o seu advogado Yuri Mora, a fim de darem um esclarecimento sobre o assunto, mas até o fecho desta matéria não houve nenhum sinal dos dois.








