Silêncio da Justiça?: Caso Jetour Angola e antigo ex-director da empresa 'engavetado' no tribunal, há 4 biliões de kwanzas de suposta dívida em jogo
O caso que envolve a JETOUR ANGOLA empresa ligada à CHINANGOL, LDA, e o seu antigo diretor-geral, Smith de Azevedo, que acusa a empresa de se negar em pagar uma dívida de cerca de 4 biliões de kwanzas, ganhou outros contornos.
Por: Belchior Resende
Segundo o denunciante, a morosidade com que a Justiça angolana tem conduzido o processo levanta vários questionamentos de um assunto que se encontra sem decisão definitiva há mais de quatro anos.
"O prolongamento deste litígio sem desfecho suscita dúvidas sobre a eficácia e independência do sistema judicial, alimentando especulações sobre possíveis influências externas", denunciou.
Segundo dados em posse deste jornal, o conflito teve início após o ex-diretor-geral ter recorrido aos tribunais para reivindicar o pagamento de uma alegada dívida no valor de 4 biliões de kwanzas.
Em resposta, a JETOUR apresentou uma queixa-crime junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC), acusando Smith de Azevedo de ter, supostamente, desviado viaturas da empresa. Por outra, alega o queixoso, mais de uma dezena de ex-colaboradores da referida empresa foram implicados no mesmo processo, tendo suas contas bancárias sido congeladas desde 2022.
Apesar da gravidade das acusações, disse, o processo continua sem decisão judicial definitiva. Entretanto, "a falta de esclarecimento compromete a confiança pública e expõe o caso a potenciais manipulações e distorções", disse.
Smith de Azevedo alega haver a existência de um grupo de indivíduos devidamente instruídos a difundirem nas redes sociais informações falsas sobre o caso para confundir a opinião pública e manchar a sua imagem, supostamente a troco de benefícios dados pelos mandantes que suspeita serem membros de direção da CHINANGOL.
O processo, assinalou, já passou por vários instrutores, entretanto, já se arrasta há mais de 3 anos, visto que até ao momento a matéria ainda não tramitou em julgado.
Segundo Azevedo, há denúncias que circulam que as vendas da Jetour Angola caíram de forma drástica, de 200 viaturas por mês para perto de duas dezenas, reflectindo num declínio significativo para os cofres da empresa.
O processo segue no Tribunal Provincial de Luanda com o nº 234/2021, atualmente na fase de instrução probatória, aguardando o julgamento final.
Contactado pelo Na Mira do Crime, a direcção da JETOUR, em nota enviada, refutou todas as acusações e alegou não existir a tal dívida milionária que o cidadão Azevedo Smith reclama, bem como é falsa a questão de que as vendas de viaturas baixaram significativamente.
"Relativamente a suposta dívida, não corresponde ao mínimo com a verdade dos factos, aliás, a Jetour Angola nunca celebrou qualquer contrato com pessoas singulares ou colectivas, de que resultaram incumprimentos contratuais e dívidas em biliões como se tentou passar à comunicação social. E mais, aproveitamos a oportunidade para desafiar os autores morais e materiais dos referidos textos, a apresentarem provas diante junto das instituições de direito, sobre os documentos onde supostamente a Jetour Angola se obriga a pagar os bilhões de tanto mencionam", começou por esclarecer a nota.
"A JETOUR ANGOLA continua a cumprir rigorosamente com as suas obrigações, quer com o Estado ou com parceiros e clientes, e a liderar o mercado de vendas de veículos SUVs, tal como aconteceu agora no mês de Fevereiro, que apesar de curto, superou as expectativas de venda, tendo inclusive ultrapassado os números habituais de assistência técnica", concluiu.








